Praça de Armas (Santiago)

Vista panorâmica da praça

A Praça de Armas de Santiago (em castelhano: Plaza de Armas de Santiago) é o núcleo urbano do centro histórico da cidade de Santiago, no Chile. É o ponto de partida da fundação da cidade e historicamente concentra importantes edifícios administrativos, religiosos e culturais, sendo o coração simbólico e geográfico de Santiago.[1]

História

Desenho da praça em 1854

Durante séculos, a versão oficial sobre a criação da Plaza de Armas de Santiago afirmava que o conquistador Pedro de Valdivia havia ordenado sua construção em um terreno baldio.[2] No entanto, estudos do arqueólogo Rubén Stehberg e do historiador Gonzalo Sotomayor, publicados no boletim do Museu Nacional de História Natural do Chile, sugerem que a praça teria sido erguida sobre um assentamento inca pertencente ao Tahuantinsuyo.[3]

O alarife (mestre construtor ou arquiteto) espanhol Pedro de Gamboa projetou o traçado urbano de Santiago após sua fundação, em 12 de fevereiro de 1541, seguindo o modelo de planta ortogonal.[4] Isso teria seguido o padrão de um kancha ou tambo, um sistema básico de construção inca em torno de um pátio central retangular.[5] Durante o período colonial, a praça era o ponto de encontro social mais importante da sociedade de Santiago. As principais instituições administrativas e religiosas estabeleceram suas sedes ao redor da praça: a Catedral de Santiago, a residência do governador do Chile (onde atualmente está localizada a agência central dos Correos de Chile), a Real Audiência e o cabildo colonial (hoje municipio ou conselho).[6] No centro da praça ficava a forca para as execuções públicas, uma forma da Real Audiência demonstrar seu poder e influência.[7] Em seus arredores se estabeleceram famílias crioulas e chapetones pertencentes à aristocracia e nobreza da Capitania Geral do Chile. O mercado central foi posteriormente estabelecido nas proximidades, ganhando importância nas principais transações comerciais da cidade.[8]

Em 1779, foi concluída a construção da Casa Colorada, residência do então governador do Chile, Mateo de Toro y Zambrano, localizada a poucos metros da praça. O projeto é atribuído ao arquiteto português Joseph de la Vega.[9] Atualmente, o imóvel é preservado como o Museu de Santiago.[10]

Após a independência do Chile, a praça foi renomeada de Plaza Mayor para Plaza de la Independencia, nome que caiu em desuso em favor da manutenção de seu nome histórico de Plaza de Armas.[11]

Componentes atuais

Coreto da praça

A Praça de Armas de Santiago apresenta uma combinação de elementos históricos e modernos que definem seu caráter urbano e cultural. Durante um período significativo, a praça foi concebida como uma área aberta e desprovida de elementos ornamentais, possibilitando um uso multifuncional do espaço. Posteriormente, foram incorporados elementos como vegetação, uma fonte de água, esculturas e bancos, entre outros componentes típicos de parques urbanos. Atualmente, a praça é marcada pela presença de monumentos históricos, destacando-se a estátua ecuestre do conquistador Pedro de Valdivia, localizada no centro, e diversas esculturas comemorativas que representam figuras históricas do Chile e eventos relevantes para a cidade. A vegetação é composta principalmente por árvores de sombra, como plátanos e acícias, distribuídas ao longo de alamedas e corredores pedonais, complementadas por arbustos ornamentais e jardineiras que proporcionam áreas de descanso e pontos de contemplação. A pavimentação está organizada em áreas de circulação de pedestres, preservando o alinhamento histórico da planta original, enquanto os caminhos delimitam setores de lazer, comércio e descanso. Uma placa com as letras STGO (abreviação de Santiago) fica em frente ao conselho municipal, onde turistas posam para fotos com os principais marcos arquitetônicos ao fundo.[12] A praça também conta com um coreto para apresentações musicais e artísticas.

Desde a sua fundação, a Praça de Armas de Santiago passou por diversas reformas e modificações destinadas a adaptar o espaço às necessidades urbanas da capital chilena. Entre as intervenções mais recentes e relevantes destacam-se as realizadas entre 1998 e 2000, período em que foi inaugurada a estação de metrô Plaza de Armas, integrando a praça ao sistema de transporte metropolitano. Posteriormente, em 2014, o local foi objeto de um processo de modernização que incluiu a instalação de sistemas de segurança e vigilância, iluminação em tecnologia LED e acesso público a rede Wi-Fi.[13]

Referências

  1. «Conoce la historia de la Plaza de Armas de Santiago en City Tour». 13c (em espanhol). 28 de novembro de 2022. Consultado em 26 de agosto de 2025 
  2. «El desaparecido asentamiento inca sobre el que se fundó Santiago de Chile». BBC News Mundo (em espanhol). Consultado em 26 de agosto de 2025 
  3. Rubén Stehberg; Gonzalo Sotomayor. Mapocho Incaico. Boletín del Museo Nacional de Historia Natural (Chile), Vol. 61, 2012.
  4. «El damero original - Memoria Chilena, Biblioteca Nacional de Chile». www.memoriachilena.gob.cl. Consultado em 1 de setembro de 2025 
  5. Stehberg, Rubén; Sotomayor, Gonzalo. Mapocho Incaico. Boletín del Museo Nacional de Historia Natural, Chile, 2012.
  6. «Plaza de Armas – Santiago Turismo». www.santiagoturismo.cl. Consultado em 26 de agosto de 2025 
  7. «La horca en la Plaza de Armas - El Pensador» (em espanhol). 18 de outubro de 2020. Consultado em 26 de agosto de 2025 
  8. «Plaza de Armas de Santiago – Red Cultural» (em espanhol). Consultado em 26 de agosto de 2025 
  9. «Casa Colorada | Consejo de Monumentos Nacionales de Chile». www.monumentos.gob.cl (em espanhol). Consultado em 26 de agosto de 2025 
  10. De Ramón, Armando. Santiago de Chile: Historia de una sociedad urbana. Editorial Sudamericana, 2000.
  11. «Santiago durante el siglo XVI : constitución de la propiedad urbana i noticias biográficas de sus primeros pobladores Tomás Thayer Ojeda.». BND: Sección Chilena. Consultado em 26 de agosto de 2025 
  12. Cooperativa.cl. «[Fotos] Municipio giró letrero STGO ubicado en Plaza de Armas». Cooperativa.cl (em espanhol). Consultado em 26 de agosto de 2025 
  13. «Inauguración Plaza de Armas». Ilustre Municipalidad de Santiago (em espanhol). Consultado em 26 de agosto de 2025