Praça da República (Belém)
Praça da República
Largo da Campina | |
|---|---|
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| Características | |
| Classificação | patrimônio histórico praça execution site |
| Fonte | Largos, coretos e praças de Belém |
| Commons | Praça da República (Belém) |
| Composto de | Monumento ao General Gurjão Monumento à República Obelisco ao Interventor Major Federal Magalhães Barata Pavilhão de Música Euterpe Pavilhão de Música Santa Helena Magno Bar do Parque Theatro da Paz |
| Parte de | Praça da República e Conjunto Paisagístico, Arquitetônico e Urbanístico |
| Patrimônio | bem de interesse histórico em Belém |
| Diferente de | Praça da República e Conjunto Paisagístico, Arquitetônico e Urbanístico |
| Localidade/Origem | Brasil Belém |
| GPS | 1°27'8.771"S, 48°29'39.303"W |
| Especificações ténicas | |
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A Praça da República é um logradouro brasileiro situado no Largo da Campina, na cidade brasileira de Belém (capital do Pará). Inicialmente foi o Cemitério da Paz e armazém de pólvora.
História
No início o Largo da Campina, era um imenso terreno descampado que, ficava entre o bairro da Campina e a estrada que levava à então ermida (capela) de Nossa Senhora de Nazaré na época da Capitania do Grão-Pará (1621–1821), um lugar ermo no bairro de nazaré ao lado do rio Murutucu que foi construída por seguidores (ribeirinhos e desvalidos) da imagem religiosa encontrada neste rio pelo caboclo chamado Plácido.[1]
Em 1756, houve uma endemia grave de varíola na então capitania do Grão-Pará, vitimando vários belenenses, sendo necessário construir um cemitério no Largo da Campina, no bairro de mesmo nome, o Cemitério da Paz,[2] uma infraestrutura ruim, sem muros, sem capela e, com covas rasas, onde foram enterradas pessoas em situação de pobreza e escravizados.[3]
Tradicionalmente em Belém, as pessoas que faziam parte de irmandades religiosas e da elite eram seputadados dentro das igrejas - o enterro barroco - somente as pessoas em situação de pobreza e escravizados no cemitério. Mas com o surto de cólera e varíola, o aumento de falecidos com cerca de 30 mil vítimas, foi então proibido o sepultamento nas igrejas – medidas de higienização - sendo necessário todos serem enterrados no cemitério, tornando necessário a construção de cemitérios.[4]
Mas o Cemitério da Paz era dos "indígnos" e a elite ainda era clandestinamente sepultados nas igrejas.[5] Então, em janeiro de 1850 foi inaugurado o cemitério/necrópole no bairro de Batista Campos em uma área de 76 340 m²,[6] por Joaquim Vitorino de Sousa Cabral.[5]
Ocorrendo grande resistência dessas classes a aderirem ao uso de cemitérios, logo foi criado o modelo de nécropole municipal, seguindo os moldes europeus, com capela e espaço delimitado, para assim convencer à aderirem o seu uso.[5]
Anos após o fim do surto endêmico, o cemitério foi desativado. Neste local o governo da província ergueu um armazém para guardar pólvora, chamando o também de Largo da Pólvora.[2][7] Uma forca foi erguida, mas não há registro de enforcamento.[carece de fontes]
Posteriormente, em homenagem ao Imperador do Brasil, foi batizada de Praça Dom Pedro II, mas continuava sendo um grande terreno descampado e sem urbanização.
Em 1850, se plantou algumas árvores, mas desordenadamente. Então iniciou o período da Belle Epoque, e a nova elite (chamada de elite da borracha) que viviam a moda europeia,[2][7] pressionou o governo da província para melhorias, e contratou o engenheiro militar pernambucano José Tibúrcio Pereira Magalhães para projetar um teatro, inspirado na edificação italiana Teatro alla Scala (Itália).[8] Em 3 de março de 1869, o arcebispo-primaz Antônio de Macedo Costa lançou a pedra fundamental batizou com o nome "Nossa Senhora da Paz", em referência ao fim da Guerra do Paraguai (1864-1870).[9][10] Com a inauguração do teatro em 1878 houve uma urbanização modesta. Seu nome definitivo veio com a troca de regime com o fim da monarquia, ganhando a denominação de “Praça da República”.
A presença do teatro impactou a região, valorizando-a e consolidando-a como pólo cultural da cidade de Belém; assim criava-se o polígono da cultura, que era formado por Palace Bolonha, Grande Hotel, Cine Olympia e, Theatro da Paz, local onde ocorriam muitas visitas ilustres e local comum de reunião da aristocracia de Belém que, elegantemente trajados à moda parisiense desfilava joias e vaidades.[9]
O governador Justo Chermont idealizou a construção de um monumento em homenagem à república, em 1889. A pedra fundamental foi colocada no ano seguinte, mas foi um concurso que decidiu a forma do monumento. A vencedora foi Michele Sebastiano.[11] Inaugurado em 15 de novembro de 1897 e, todo em mármore de carrara, o monumento tem 20 m. A estátua é de uma mulher, representando o regime republicano, com um ramo de oliveira na mão, simbolizando a paz. O gênio alado, sobre o primeiro degrau da obra apoiado no leão, ergue o estandarte da república gritando: “Liberdade!”.
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Do outro lado do degrau, a História registra a data da proclamação da república. Dois artistas erguem os escudos da “Probidade” e da “União”. As quatro placas em homenagem a Floriano Peixoto, José Bonifácio, Tiradentes e Beijamim Constant foram anexadas ao monumento na segunda gestão de Abelardo Conduru.
A primeira tentativa de urbanização da Praça foi em 1901, com o intendente de Belém, Arthur Índio do Brasil. Fez-se o calçamento nas suas avenidas, acimentou os passeios, colocaram-se chafarizes, bancos e ajardinou-se as alamedas.
Porém, foi Antônio Lemos, em 1897, fez sérias críticas ao projeto urbanístico da praça no relatório ao concelho de intendência municipal. Chamou o ajardinamento do local de “aleijão da arte de floricultura com canteiros de mais de um metro de altura, alinhados perpendicularmente, com simetria fadigante, que irritavam a transeunte mais calmo”. Ele modificou completamente a aparência do logradouro, trocando, inclusive, a pavimentação das ruas que limitavam a praça por paralelepípedos.
Durante o governo de Virgínio Mendonça, foram construídos dois pavilhões na praça, o maior hoje é o Teatro Waldemar Henrique, o menor abrigando a Escola de Arte da Universidade Federal do Pará.
Hoje a praça da República tornou-se palco de grandes comemorações como o Círio de Nazaré, o Dia da Raça e o desfile de 7 de setembro.
Características arquitetônicas
A Praça da República é um espaço livre público de destaque na cidade de Belém, devido a significação histórica, a estética de seus jardins, o equipamento do mobiliário urbano, as formas da disposição do estrato arbóreo, a paisagem desenhada em seu entorno, o modo como a sociedade usa seus espaços, elevaram esta praça à categoria de símbolo de um desenvolvimento urbano que marcou a cidade no início do século 20, por volta de 1901.[12] Um formato dos espaços urbanos inspirada em uma matriz européia, no governo do intendente Antônio Lemos com a Diretoria de Parques e Jardins da Cidade sendo administrada por Eduardo Hass.[12]
A ampla área da praça foi dividida em três quadriláteros de tamanhos distintos, as duas áreas maiores são divididas por uma rua e uma área menor separada por uma avenida que circunda a área.[12] As dimensões dos espaços foram a condição principal para a hierarquização do “projeto paisagístico” da praça, onde o quadrilátero de maior, conhecido na época como o então Parque João Coelho, teve um projeto mais elaborado.[12] Três espaços com autonomia espacial, que a vegetação de porte arbóreo implantada na periferia (forma de aléias) e no interior da praça (grandes massas) foi um importante elemento integrador das três áreas.[12]
A Praça da República é conhecida por seus belos elementos arquitetônicos, como a presença decorretos, o teatro neoclássico denominado Theatro da Paz e, o monumento a república.
Em 1889, o governador Justo Chermont idealizou a construção de um monumento em homenagem à república;[13] o Monumento à República foi construido em 1897 para comemorar o primeiro aniversário do o atual regime político brasileiro.[13]
A pedra fundamental foi colocada no ano seguinte, mas foi um concurso que decidiu a forma do monumento. A vencedora foi Michele Sebastiano.[11] Inaugurado em 15 de novembro de 1897 e, todo em mármore de carrara, o monumento tem 20 m. A estátua é de uma mulher, representando o regime republicano, com um ramo de oliveira na mão, simbolizando a paz. O gênio alado, sobre o primeiro degrau da obra apoiado no leão, ergue o estandarte da república gritando: “Liberdade!”.
O monumento possui 20 metros de altura e, é formado por um conjunto de esculturas sobre quatro degraus, um pedestal e uma coluna:[14]
- no alto da coluna a estátua de Marianne, a personificação da república francesa;[14]
- no pedestal, o homem com asas levanta o estandarte da república (representa o Progresso Nacional) apoiado em um leão (personificação da força);[14]
- representando a História, a mulher com asas está sentada sobre livros (mão direita indica o registro da Proclamação da República, um grande livro segurado por uma criança com asas), e;[14]
- sentadas nas laterais, duas crianças apresentam as palavras: união e integridade).[14]
- Nas laterais do pedestal existem datas e nomes e placas de autoridades: 15 de novembro de 1889, dia da Proclamação da República, com o nome de Benjamin Constant — um dos articuladores da república; 16 de novembro de 1889, dia que dom Pedro II recebeu o comunicado informando-o sobre a proclamação.[14]
Atividades culturais
A Praça da República é um polo de eventos e atividades culturais. Frequentemente recebe shows, exposições de arte e festivais, atraindo moradores e turistas. A praça serve como um local para celebrações e reuniões durante ocasiões importantes.[15]
Galeria
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Monumento a República. -
Praça da República e seu muro de concreto. -
Bar do Parque. -
O Monumento a República em destaque na praça. -
Corredor Verde. -
Grande Hotel, 1949. -
Antônio Parreiras, a pitura Praça da República de 1905
Ver também
Referências
- ↑ «Edição 7 pela Basílica de Nazaré». Organizações Rômulo Maiorana. Consultado em 25 de dezembro de 2014
- ↑ a b c «Conheça quatro pontos turísticos do Pará que possuem histórias 'macabras' e são assombrados». O Liberal. Consultado em 9 de fevereiro de 2022
- ↑ «Tradicional praça de Belém já abrigou cemitério de escravos». Jornal G1. Consultado em 29 de agosto de 2024
- ↑ «Monumentos e Espaços Públicos Tombados - Belém (PA)». Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN ). Consultado em 26 de janeiro de 2022
- ↑ a b c Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. «Belém – Cemitério de Nossa Senhora da Soledade»
- ↑ «Cemitérios de São Paulo reúnem túmulos de artistas e famosos». São Paulo
- ↑ a b «Restaurado, Theatro da Paz tem uma programação intensa». Folha de S.Paulo. Consultado em 27 de outubro de 2021
- ↑ «Theatro da Paz celebra 142 anos com concerto da Amazônia Jazz Band». Agência Pará de Notícias. Consultado em 8 de fevereiro de 2022
- ↑ a b «Theatro da Paz (Belém, PA)». Fundaj. 7 de abril de 2022. Consultado em 22 de março de 2023
- ↑ «Sobre o Theatro da Paz». Guia das Artes. Consultado em 27 de outubro de 2021
- ↑ a b «Praça da República: reflexo da evolução de Belém». Jornal Diário do Pará. 21 de janeiro de 2011. Consultado em 2 de setembro de 2024
- ↑ a b c d e Andrade, Rubens de; Tângari, Vera Regina (30 de dezembro de 2002). «A Praça da República e seus aspectos morfológicos no desenho da paisagem de Belém». Paisagem e Ambiente (16): 43–68. ISSN 2359-5361. doi:10.11606/issn.2359-5361.v0i16p43-68. Consultado em 6 de outubro de 2025
- ↑ a b Cardoso, Bruna (15 de novembro de 2023). «Monumento à República: Marco de uma nova era». Recreio. Consultado em 6 de outubro de 2025
- ↑ a b c d e f Cardoso, Bruna (15 de novembro de 2023). «Monumento à República: Marco de uma nova era». Recreio. Consultado em 6 de outubro de 2025
- ↑ ABREU, Waldir Ferreira de et al. História de vida como metodologia de pesquisa: o relato de vida de um menino de rua da Praça da República em Belém do Pará. Revista Margens Interdisciplinar, 2004.
Bibliografia
- Ruas de Belém de Ernesto Cruz - editado pelo Conselho Estadual de Cultura do Estado do Pará; 1970 (página 118-119)
