No princípio era o Verbo

'No Princípio era o Verbo' é o trecho de abertura presente no primeiro capítulo do Evangelho de João, que em seus versículos iniciais retoma a criação do mundo, tema ainda do primeiro capítulo do Gênesis. Cabe notar que todo o Novo Testamento foi escrito em grego koiné[1], a lingua franca da parte oriental do Império Romano nas primeiras décadas da era cristã.
| “ | «No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Tudo foi feito por ele; e nada do que tem sido feito, foi feito sem ele. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.» (João 1:1–4) |
” |
“O Verbo”, uma tradução do grego λόγος ( logos ) , é amplamente interpretado como se referindo a Jesus , como indicado em outros versículos posteriores no mesmo capítulo, por exemplo, “ o Verbo se fez carne e habitou entre nós ” (João 1:14; cf. 1:15, 17).
História
Este texto foi escrito em algum momento entre 70-110 d.C. [2][3]
Tertuliano, no início do século III, usou este versículo ao desenvolver suas ideias sobre a doutrina da Trindade, embora tenha observado que a maioria dos crentes de sua época discordava de sua doutrina.[4] Ele escreveu:
Ora, se este [o Verbo] é Deus segundo João ("o Verbo era Deus"), então vocês têm dois: um que fala para que seja, e outro que o realiza. No entanto, como vocês devem aceitar isso como "outro", eu expliquei: como referente à pessoa, não à substância, e como distinção, não à divisão.
Orígenes de Alexandria, um professor de gramática grega do século III, escreveu sobre o uso do Artigo definido:
Em seguida, notamos o uso do artigo por João nessas frases. Ele não escreve sem cuidado a esse respeito, nem desconhece as sutilezas da língua grega. Em alguns casos, ele usa o artigo e, em outros, o omite. Ele acrescenta o artigo ao Verbo, mas para Deus, ele o acrescenta apenas às vezes. Ele usa o artigo quando o nome de Deus se refere à causa incriada de todas as coisas e o omite quando o Logos é chamado de Deus [...] Ora, há muitos que estão sinceramente preocupados com a religião e que aqui caem em grande perplexidade. Eles temem estar proclamando dois Deuses, e esse medo os leva a doutrinas falsas e perversas. Ou negam que o Filho tenha uma natureza distinta própria, além da do Pai, e fazem daquele a quem chamam de Filho ser Deus, exceto pelo nome, ou negam a divindade do Filho, dando-lhe uma existência separada e fazendo com que sua esfera de essência fique fora da do Pai, de modo que sejam separáveis um do outro. [...] O verdadeiro Deus, então, é "O Deus". [5]
Texto de origem e traduções
| Grego Koinê | Ἐν ἀρχῇ ἦν ὁ Λόγος, καὶ ὁ Λόγος ἦν πρὸς τὸν Θεόν, καὶ Θεός ἦν ὁ Λόγος.[6] |
| transliteração do Grego | En archē ēn ho Lógos, kai ho Lógos ēn pros ton Theón, kai Theós ēn ho Lógos. |
| Grego para o Português | No início era a Palavra, e a Palavra estava com (em direção a) O Deus, e Deus era a Palavra. |
| -------grego alternado | (início: original, fundação, fonte, princípio) (Palavra: razão, dizer) (com: em direção a, enfrentando) |
| Peshitta Siríaca | ܒ݁ܪܺܫܺܝܬ݂ ܐܺܝܬ݂ܰܘܗ݈ܝ ܗ݈ܘܳܐ ܡܶܠܬ݂ܳܐ ܘܗܽܘ ܡܶܠܬ݂ܳܐ ܐܺܝܬ݂ܰܘܗ݈ܝ ܗ݈ܘܳܐ ܠܘܳܬ݂ ܐܰܠܳܗܳܐ ܘܰܐܠܳܗܳܐ ܐܺܝܬ݂ܰܘܗ݈ܝ ܗ݈ܘܳܐ ܗܽܘ ܡܶܠܬ݂ܳܐ ܀ |
| Transliteração do Siríaco | brīšīṯ ʾiṯawhi huaʾ milṯāʾ, whu milṯāʾ ʾiṯauhi hwāʾ luaṯ ʾalāhāʾ; wʾalāhāʾ iṯauhi hwāʾ hu milṯāʾ, |
| Copta Saídico | ϨΝ ΤЄϨΟΥЄΙΤЄ ΝЄϤϢΟΟΠ ΝϬΙΠϢΑϪЄ, ΑΥШ ΠϢΑϪЄ ΝЄϤϢΟΟΠ ΝΝΑϨΡΜ ΠΝΟΥΤЄ. ΑΥШ ΝЄΥΝΟΥΤЄ ΠЄ ΠϢΑϪЄ |
| Transliteração do Copta | Hn teHoueite neFSoop nCi pSaJe auw pSaJe neFSoop nnaHrm pnoute auw neunoute pe pSaJe.[7] |
| Vulgata Latina | In principio erat Verbum et Verbum erat apud Deum et Deus erat Verbum |
| Latim para o Português | Em princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus (ao lado de) e Deus era o Verbo. |
| -------Latim alternado | (ao lado de: por; ao lado de, perto, próximo a) |
João 1:1 em versões em Inglês
- Século XIV: "and God was the word" / "e Deus era a palavra" – Bíblia de Wycliffe
- 1808: "and the Word was a god" / "e a Palavra era um deus" – Thomas Belsham The New Testament, in an Improved Version, Upon the Basis of Archbishop Newcome's New Translation: With a Corrected Text, London.
- 1822: "and the Word was a god" / "e a Palavra era um deus" – The New Testament in Greek and English (A. Kneeland, 1822.)
- 1829: "and the Word was a god" / "e a Palavra era um deus"– The Monotessaron; or, The Gospel History According to the Four Evangelists (J. S. Thompson)
- 1864: "the LOGOS was God" / "e o LOGOS era Deus" – A New Emphatic Version (right hand column)
- 1864: "and a god was the Word" / "e um deus era a Palavra" – The Emphatic Diaglott by Benjamin Wilson (left hand column interlinear reading)
- 1879: "and the Word was a god" / "e a Palavra era um deus" – Das Evangelium nach Johannes (J. Becker, 1979)
- 1885: "and the Word was a god" / "e a Palavra era um deus" – Concise Commentary on The Holy Bible (Robert Young, 1885)
- 1911: "and [a] God was the word" / "e [um] Deus era a palavra" – The Coptic Version of the New Testament in the Southern Dialect, by George William Horner
- 1924: "the Logos was divine" / "e Logos era divino" – The Bible: James Moffatt Translation, by James Moffatt.
- 1935: "and the Word was divine" / "e a Palavra era divina" – The Bible: An American Translation, by John M. P. Smith and Edgar J. Goodspeed.
- 1958: "and the Word was a god" / "e a Palavra era um deus"– The New Testament of Our Lord and Saviour Jesus Anointed (J. L. Tomanec, 1958);
- 1966, 2001: "and he was the same as God" / "e ele era o mesmo que Deus" – Good News Bible
- 1970, 1989: "and what God was, the Word was" / "e o que Deus era, a Palavra era" – The New English Bible and The Revised English Bible.
- 1975: "and the Word was a god" / "e a Palavra era um deus" – Das Evangelium nach Johannes (S. Schulz, 1975);
- 1978: "and godlike sort was the Logos" / "e um tipo de deus era o Logos" – Das Evangelium nach Johannes, by Johannes Schneider, Berlin
- 1985: "So the Word was divine" / "E a Palavra era divina" - The Original New Testament, by Hugh J. Schonfield.
- 1998: "and what God was the Word also was" / " e o que Deus era a Palavra também era" – This translation follows Professor Francis J. Moloney, The Gospel of John, ed. Daniel J. Harrington.
João 1:1 em versões em Português
- "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" - Almeida Revista e Atualizada (ARA)
- "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" - Almeida Revista e Corrigida (ARC) [8]
- "No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus." - Nova Versão Internacional (NVI) [9]
- "No começo aquele que é a Palavra já existia. Ele estava com Deus, e era Deus." - Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH) [10]
- "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus, e o Verbo era Deus." - Bíblia de Jerusalém
- "No princípio era a Palavra, e a Palavra estava voltada para Deus, e a Palavra era Deus." - Tradução Ecumênica da Bíblia (TEB)
- "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus." - Bíblia Ave Maria
- "No princípio, aquele que é a Palavra de Deus já existia. A Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus." - Bíblia Viva
- "No princípio existia a palavra, e a palavra estava com o Eterno, e a palavra era divina" - Bíblia Israelita com estudos judaicos
- "No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era um deus" - Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas [11]
Discussões sobre a Tradução
Existem duas questões que tem afetado a forma de tradução do versículo: 1) teologia e 2) aplicação correta das regras gramaticais. A ausência do artigo definido para a palavra "Deus" quando aplicada ao Logos, é entendida por alguns como normal na gramatica grega e por outros como uma ausência proposital, que diferenciava a qualidade do verbo. A teologia comum de alta Cristologia em que Jesus é Deus pode levar alguém a crer que a forma correta de traduzir o versículo é a tradução tradicional. A teologia oposta, de que Jesus é subordinado a Deus como seu principal agente, pode levar à conclusão de que "... um deus" ou "... divino" é a tradução correta.
David A. Redd citou que "do ponto de vista da história da igreja primitiva, a heresia surgiu quando houve um mal-entendido a respeito dos artigos gregos, do predicativo do sujeito e da ordem gramatical das palavras. A heresia do Sabelianismo na igreja primitiva interpretava João 1:1c como "e o Verbo era Deus". A heresia do Arianismo na igreja primitiva interpretava como "e o Verbo era um Deus". [12]
Alguns intérpretes usam a regra de Colwell , que diz que um predicado definido que precede o verbo "ser" geralmente não tem artigo definido. Essa formulação provisória aborda se um predicativo do sujeito definido usa um artigo definido, mas não determina se um predicativo do sujeito é definido[13]. Ernest Cadman Colwell não aborda em detalhes como identificar se um predicado anartroso é definido, indefinido ou qualitativo, o que precisa ser determinado pelo contexto. O próprio Colwell confirma que usa base teológica para sua tradução ao dizer: "A ausência do artigo não torna o predicado indefinido ou qualitativo quando precede o verbo; ele é indefinido nesta posição apenas quando o contexto o exige. O contexto não faz tal exigência no Evangelho de João, pois esta afirmação não pode ser considerada estranha no prólogo do evangelho, que atinge seu clímax na confissão de Tomé."[14]
Philip Harner avaliou que muitos dos predicados anartros que precedem verbos de ligação que EC Colwell identificou como definidos eram na verdade qualitativos. Isto desafia os resultados de EC Colwell, que reconheceu que estes dependiam da precisão das suas determinações para cada predicado anartro e que a dificuldade do desafio significava que alguns erros eram inevitáveis.
Jason BeDuhn (Professor de Estudos Religiosos na Universidade do Norte do Arizona) critica a Regra de Colwell como metodologicamente falha e “não uma regra válida da gramática grega”[15]
Murray J. Harris afirma que, quando E.C. Colwell aplicou sua regra a João 1:1c, ele assumiu que um predicativo do sujeito não poderia ser simultaneamente definido e qualitativo. O autor do Evangelho de João poderia facilmente ter resolvido a incerteza em torno do predicado ser definido, se essa fosse sua intenção. Isso reforça a ideia de que o predicado tem uma natureza qualitativa, independentemente de ser definido ou indefinido. [16] Ele ainda acrescenta que "[É] evidente que na tradução “o Verbo era Deus”, o termo Deus está sendo usado para denotar sua natureza ou essência, e não sua pessoa. Mas no uso normal do inglês, “Deus” é um nome próprio, referindo-se à pessoa do Pai ou corporativamente às três pessoas da Divindade . Além disso, “o Verbo era Deus” sugere que “o Verbo” e “Deus” são termos conversíveis, que a proposição é recíproca. Mas o Verbo não é nem o Pai nem a Trindade. Este segundo theos também poderia ser traduzido como 'divino', pois a construção indica "um sentido qualitativo para theos". [16]
Outras criticas a escolha de Cowell vão pela sua confissão de uso do contexto para aplicação da regra, o que sujeitaria a diversas interpretações diferentes. Cowell por exemplo, usou a confissão de Tomé em Joao 20:28 como exemplo. Entretanto, a teologia antitrinitaria entende que Tomé exclamou ao Deus Pai, citado como Deus de Jesus e dos discípulos em João 20:17. E que João escreveu seu livro para provar que Jesus era o Filho de Deus e não Deus em sua conclusão em João 20:31.
Daniel B. Wallace afirma que "O uso do theos anartro (a ausência do artigo definido antes do segundo theos ) deve-se ao seu uso como um substantivo qualitativo, descrevendo a natureza ou essência do Verbo, que compartilha a essência do Pai, embora diferissem em pessoa: ele enfatiza: "A construção que o evangelista escolheu para expressar essa ideia foi a maneira mais precisa que ele poderia ter afirmado que o Verbo era Deus e, ainda assim, era distinto do Pai" [17]
John L. McKenzie (estudioso bíblico católico) escreveu que ho Theos é Deus o Pai, e acrescenta que João 1:1 deveria ser traduzido como "o Verbo estava com Deus [=o Pai], e o Verbo era Deus" [18]
No periódico Journal of Theological Studies de outubro de 2011, Brian J. Wright e Tim Ricchuiti argumentam que o artigo indefinido na tradução copta de João 1:1 tem um significado qualitativo. Muitas ocorrências desse tipo para substantivos qualitativos são identificadas no Novo Testamento copta, incluindo 1 João 1:5 e 1 João 4:8 . Além disso, o artigo indefinido é usado para se referir a Deus em Deuteronômio 4:31 e Malaquias 2:10. [19]
Comentários dos Pais da Igreja
- Crisóstomo: “Enquanto todos os outros evangelistas começam com a Encarnação, João, passando pela Concepção, Natividade, educação e crescimento, fala imediatamente da Geração Eterna, dizendo: No princípio era o Verbo.” [20]
- Agostinho: “A palavra grega “logos” significa tanto Palavra quanto Razão. Mas nesta passagem é melhor interpretá-la [como] Palavra; referindo-se não apenas ao Pai, mas à criação das coisas pelo poder operante da Palavra; enquanto a Razão, embora não produza nada, ainda é corretamente chamada de Razão.” [20]
- Basílio de Cesareia: “Esta Palavra não é uma palavra humana. Pois como poderia haver uma palavra humana no princípio, quando o homem recebeu o seu ser por último? Não havia então nenhuma palavra do homem no princípio, nem mesmo dos Anjos; pois toda criatura está dentro dos limites do tempo, tendo o seu início de existência do Criador. Mas o que diz o Evangelho? Chama o próprio Unigênito de Verbo.” [20]
- Crisóstomo: "Mas por que, omitindo o Pai, ele passa imediatamente a falar do Filho? Porque o Pai era conhecido por todos; embora não como Pai, mas como Deus; enquanto o Unigênito não era conhecido. Como era apropriado então, ele se esforça primeiro para inculcar o conhecimento do Filho naqueles que não o conheciam; embora, ao discorrer sobre Ele, não fique totalmente em silêncio sobre o Pai. E visto que ele estava prestes a ensinar que o Verbo era o Filho Unigênito de Deus, para que ninguém pensasse que esta era uma geração passível (παθητὴν), ele menciona o Verbo em primeiro lugar, a fim de destruir a suspeita perigosa e mostrar que o Filho era de Deus impassivelmente. E uma segunda razão é que Ele deveria nos declarar as coisas do Pai (João 15:15). Mas ele não fala do Verbo simplesmente, mas com a adição do artigo, a fim de distingui-lo de outras palavras. Pois a Escritura chama As leis e os mandamentos de Deus são palavras; mas esta Palavra é uma certa Substância, ou Pessoa, uma Essência, que procede impassivelmente do próprio Pai."
- Basílio de Cesareia: “Por que então o Verbo? Porque nascido impassivelmente, a Imagem daquele que gerou, manifestando todo o Pai em si mesmo; não abstraindo nada dele, mas existindo perfeito em si mesmo.”
- Crisóstomo: “Observe a sabedoria espiritual do Evangelista. Ele sabia que os homens honravam mais o que era mais antigo e que, honrando o que é anterior a tudo, o concebiam como Deus. Por isso, ele menciona primeiro o princípio, dizendo: No princípio era o Verbo.”
- Agostinho: "Ou, No princípio, como se dissesse, antes de todas as coisas."
- Basílio de Cesareia: “O Espírito Santo previu que surgiriam homens que invejariam a glória do Unigênito, subvertendo seus ouvintes com sofismas; como se, por ter sido gerado, Ele não existisse; e antes de ser gerado, Ele não existisse. Para que ninguém ousasse então balbuciar tais coisas, o Espírito Santo diz: No princípio era o Verbo.”
- Concílio de Éfeso : "Por isso, em um lugar a Sagrada Escritura o chama de Filho, em outro de Verbo, em outro de Resplendor do Pai; nomes distintos destinados a proteger contra a blasfêmia. Pois, visto que teu filho é da mesma natureza que tu, a Escritura, desejando mostrar que a Substância do Pai e do Filho é uma só, apresenta o Filho do Pai, nascido do Pai, o Unigênito. Em seguida, como os termos nascimento e filho transmitem a ideia de impassibilidade, chama o Filho de Verbo, declarando por esse nome a impassibilidade de seu nascimento. Mas, visto que um pai para nós é necessariamente mais velho que seu filho, para que não penses que isso se aplica também à natureza divina, chama o Unigênito de Resplendor do Pai; pois o resplendor, embora originário do sol, não lhe é posterior. Entende, então, que Resplendor revela a coeternidade do Filho com o Pai; Verbo prova a impassibilidade de seu nascimento; e Filho, como transmitindo Sua consubstancialidade."
- Orígenes: “O verbo ser tem um duplo significado, às vezes expressando os movimentos que ocorrem no tempo, como outros verbos fazem; às vezes a substância daquela coisa da qual é predicado, sem referência ao tempo. Por isso também é chamado de verbo substantivo.” [20]
- Hilário de Poitiers: “Considera, pois, o mundo, compreende o que está escrito sobre ele. No princípio, Deus fez o céu e a terra. Portanto, tudo o que foi criado foi feito no princípio, e tu queres conter no tempo aquilo que, por estar por ser feito, está contido no princípio. Mas, eis que, para mim, um pescador iletrado e inculto é independente do tempo, não limitado pelas eras, avança para além de todos os começos. Pois o Verbo era, é o que é, e não está limitado por nenhum tempo, nem nele começou, visto que não foi feito no princípio, mas era.” [20]
- Alcuíno: “Para refutar aqueles que inferiram do nascimento de Cristo no tempo que Ele não era da eternidade, o Evangelista começa com a eternidade do Verbo, dizendo: No princípio era o Verbo.” [20]
- Hilário de Poitiers: “Desde o princípio, Ele está com Deus: e embora independente do tempo, não é independente de um Autor.”
- Orígenes: “Vale a pena notar que, embora se diga que a Palavra veio [foi feita] para alguns, como para Oséias, Isaías, Jeremias, com Deus ela não foi feita, como se não estivesse com Ele antes. Mas, tendo a Palavra sempre estado com Ele, diz-se, e a Palavra estava com Deus: pois desde o princípio não estava separada do Pai.” [20]
- Crisóstomo: “Ele não disse: estava em Deus, mas estava com Deus: mostrando-nos aquela eternidade que Ele tinha de acordo com a Sua Pessoa.”
- Teofilacto de Ocrida: “Sabélio é refutado por este texto. Pois ele afirma que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são uma só Pessoa, que às vezes apareceu como o Pai, às vezes como o Filho, às vezes como o Espírito Santo. Mas ele é manifestamente confundido por este texto, e o Verbo estava com Deus; pois aqui o Evangelista declara que o Filho é uma Pessoa, Deus Pai outra.”
- Teofilacto de Ocrida: “Ou combine-o assim. Do Verbo estar com Deus, segue-se claramente que há duas Pessoas. Mas estas duas são de uma só Natureza; e portanto procede-se: No Verbo estava Deus: para mostrar que o Pai e o Filho são de uma só Natureza, sendo de uma só Divindade.”
Referências
- ↑ LINDEBERG. Carter. Uma breve história do cristianismo. São Paulo: Loyola, 2008. pág. 26
- ↑ Joel B. Green, Scot McKnight, I. Howard Marshall (1992). Dictionary of Jesus and the Gospels: A Compendium of Contemporary Biblical Scholarship. [S.l.]: InterVarsity Press. p. 369. ISBN 978-0-8308-1777-1
- ↑ Lindars, Edwards & Court 2000, p. 41–42.
- ↑ Tertuliano. "Capítulo 2". Contra Praxeus
- ↑ «Philip Schaff: ANF09. The Gospel of Peter, The Diatessaron of Tatian, The Apoc: 0329=323 - Christian Classics Ethereal Library». www.ccel.org. Consultado em 10 de novembro de 2025
- ↑ The Greek English New Testament. Christianity Today. 1975
- ↑ Sahidica 2.01. J. Warren Wells. 2007.January.28 http://www.biblical-data.org/coptic/Sahidic_NT.pdf
- ↑ «Bíblia Online - Leia, Pesquise e Estude a Bíblia em Diversos Idiomas». Bíblia Online. Consultado em 10 de novembro de 2025
- ↑ «Bíblia Online - Leia, Pesquise e Estude a Bíblia em Diversos Idiomas». Bíblia Online. Consultado em 10 de novembro de 2025
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- ↑ «João 1 | Bíblia on-line | Tradução do Novo Mundo». JW.ORG. Consultado em 10 de novembro de 2025
- ↑ David A. Reed. "Quão semita era João? Repensando o contexto helenístico de João 1:1." Anglican Theological Review, outono de 2003, vol. 85, número 4, p. 709.
- ↑ Philip B., Harner, Philip B. (1973) (1973). «"Nomes predicativos anartros qualitativos: Marcos 15:39 e João 1:1"» (PDF). digidownload. Consultado em 10 de novembro de 2025
- ↑ Ernest Cadman Cowell, Uma regra definitiva para o uso do artigo no Novo Testamento grego, Journal of Biblical Literature, 52 (1933): 12-21
- ↑ BeDuhn, Jason (29 de abril de 2003). Truth in Translation: Accuracy and Bias in English Translations of the New Testament (em inglês). [S.l.]: Bloomsbury Publishing PLC. Consultado em 10 de novembro de 2025
- ↑ a b Harris, Murray J. (2008). Jesus como Deus: O uso de Theos no Novo Testamento em referência a Jesus . Wipf & Stock Publishers. pp. 62–63
- ↑ Wallace, Daniel B. (1996). Greek Grammar Beyond the Basics: An Exegetical Syntax of the New Testament (em inglês). [S.l.]: Harper Collins. Consultado em 10 de novembro de 2025
- ↑ John L. McKenzie (1995). O Dicionário da Bíblia (edição reimpressa). Touchstone, Nova Iorque: Simon and Schuster. p. 317.
- ↑ Wright, BJ; Ricchuiti, T. (01/10/2011). "De 'Deus' (θεός) para 'Deus' (Noute): Uma nova discussão e proposta sobre João 1:1C e a versão copta saídica do Novo Testamento". O Jornal de Estudos Teológicos . 62 (2): 494–512.doi : 10.1093
- ↑ a b c d e f g Thomas, Aquinas; Pattison, Mark; Newman, John Henry (1874). Catena aurea: commentary on the four Gospels, collected out of the works of the Fathers: Volume 6, St. John. [S.l.]: Oxford : J. Parker. Consultado em 10 de novembro de 2025