Galegos
![]() Gaiteiros galegos (2008) | |
![]() Diáspora galegaGaiteiros galegos (2008) | |
| População total | |
|---|---|
| c. 3.2 milhões[a] | |
| Regiões com população significativa | |
| 2 397 613[b][1] | |
| | 991 588[1] |
| | 833 205[1] |
| | 300 419[1] |
| | 272 401[1] |
| 355 063[1] | |
| 147 062[2] | |
| 46 882[3] | |
| 38 554[2] | |
| 35 369[2] | |
| 31 077[2] | |
| 30 737[2] | |
| 16 075[2] | |
| 14 172[2] | |
| 13 305[2] | |
| 10 755[2] | |
| 9 895[2] | |
| Línguas | |
| galego, castelhano | |
| Religiões | |
| Dados entre eleitores na Galícia[4] | |
| Grupos étnicos relacionados | |
| Portugueses, asturianos, espanhóis. | |
Os galegos são um grupo nacional, cultural e etnolinguístico que habitam primariamente a Galiza, região autónoma espanhola no extremo noroeste da Península Ibérica. A sua língua nativa e histórica é o galego. Porém, Madrid tem, pela castelhanização colocado a língua galega em perigo, sendo hoje o castelhano amplamente falado na Galiza, além do galego.
A Comunidade Autónoma da Galiza, um conceito estabelecido na Constituição espanhola de 1978, é composta por quatro províncias: Corunha (em língua galega e oficialmente A Coruña,[5] em reintegrado A Corunha ou Corunha,[6] em castelhano La Coruña), Lugo, Ourense (em galego e oficialmente Ourense,[5] em reintegrado Ourense, em castelhano Orense) e Pontevedra.
No Estatuto de Autonomia da Galiza de 1981 é reconhecida nacionalidade histórica. Na Sociedade das Nações foi reconhecida nacionalidade europeia em 1933.[7]
Outras áreas de língua galega estão localizadas nas províncias espanholas de Leão e Zamora nas comunidades autónomas de Castela e Leão, das Astúrias e da Estremadura (xalimego).
População
O organismo estatístico regional da Galiza é o Instituto Galego de Estatística (IGE). Segundo o grupo, em 2008 a população total foi de 2 783 000. As línguas oficiais são o galego e o espanhol. O conhecimento da língua espanhola é obrigatório de acordo com a constituição espanhola e praticamente universal.[8] Quanto à fala do galego, após muitos anos de declínio, atualmente, cerca de 82% da população da Galiza fala galego e cerca de 61% da população tem-no como língua materna.
Além disso, a Galiza apresenta uma distribuição populacional bastante desigual, com uma maior concentração de habitantes nas áreas costeiras e nas principais cidades, como Vigo, Corunha e Santiago de Compostela, enquanto o interior da região tende a ser mais rural e menos povoado. Esta dinâmica influencia não só a economia e os serviços públicos, mas também a preservação e o uso do galego, que tende a ser mais dominante nas zonas rurais, ao passo que nas áreas urbanas o castelhano predomina em contextos formais e educativos. O envelhecimento da população é outro fator relevante, refletindo tendências demográficas semelhantes às do conjunto de Espanha, com uma proporção crescente de idosos e uma taxa de natalidade relativamente baixa.
Cultura
Celtismo
De raízes célticas, a cultura galega é rica e remonta à época pré-romana. Na Galiza, aproximadamente a metade dos topónimos não latinos transmitidos desde a antiguidade nas obras dos autores e geógrafos clássicos (Pompónio Mela, Plínio, Ptolemeu, etc.), ou nas inscrições epigráficas romanas, resultaram ser de origem celta.[9][10] Há historiadores que, sem negar essas raízes culturais, acreditam que foram usadas politicamente para afirmar as realidades nacionais da Galiza e de Portugal, em particular no século XIX.[11]
De qualquer forma, "celta" é um termo polissêmico como "latino" pode ser, e os laços entre Galiza e Irlanda foram historicamente destacados pela cultura irlandesa, desde o Lebor Gabála Érenn até as peregrinações do St. James Gate em Dublin ou o exílio após a Fuga dos Condes no século XVI.[12][13] Santiago tornou-se, segundo o Bispo Thomas Strong (tio de Thomas White, fundador do Colégio dos Irlandeses de Compostela) a «verdadeira capital do povo irlandês no exílio».[14] Dois séculos mais tarde, esta tradição influiu no Rexurdimento e levou à consideração do mito fundador por vários intelectuais galegos (Vicetto, Murguía etc.) e a sua inclusão no hino Os Pinos de Pascual Veiga e Pondal.[15]
Portugal e a Galiza
A similaridade entre as culturas portuguesa e galega é marcante e perceptível, ao ponto de muitos estudiosos não identificarem uma divisão nítida entre os dois povos irmãos. No caso da língua, por exemplo, sabe-se que as duas (portuguesa e galega) partilham uma origem comum relativamente recente no galego-português, também chamado de galaico-português, e muitos linguistas ainda consideram o galego e o português contemporâneos como dois dialetos de uma mesma língua, corrente na qual se insere o movimento reintegracionista.[16][17]
Com base em tais semelhanças, as relações culturais entre Portugal e a Galiza têm-se vindo a fortalecer nos últimos anos e este movimento histórico de reaproximação já produz frutos concretos, refletindo-se, nomeadamente, no reconhecimento por parte da UE do Patrimônio Imaterial Galego-Português.
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Entretanto, vertentes pró-castelhanas, as quais afirmam que o galego é um idioma mais antigo que o português, têm uma postura diferente, considerando que o português é uma «mistura» do galaico-português medieval com aos dialectos árabes que se falavam no território português (ao sul da Península Ibérica), e portanto, idioma de mesma raiz, mas distinto do galego. Assim, separar de tal formas estas duas línguas revela-se intrinsecamente incorreto também pela factualidade da aproximação linguística das português e do galego.
Algo é certo, a riqueza literária do galaico-português, evidente nas cantigas de amigo, de amor, e de escárnio e maldizer, mostra que já no século XIII existia uma tradição poética sofisticada que transcende fronteiras modernas e reforça a unidade histórica e cultural destas línguas.
Migrações
Como outras regiões da Espanha, a Galiza tem sido um paradigma da emigração em massa. A emigração galega foi notável para outras partes do país, Portugal, resto da Europa e América do Sul.
Ao contrário de outras regiões espanholas (País Basco e Catalunha) — mais ricas e urbanizadas —, a Galiza manteve-se relativamente fraca, dominada pela agricultura e vilas rurais. Além do mais, o seu setor agrícola continua a ser um dos mais atrasados em Espanha. Por essas e outras razões, a Galiza era um exportador de mão de obra para o resto da Espanha. Entre 1900 e 1981, a saída líquida de pessoas da Galiza foi mais do que 825 000 pessoas. Na realidade, a cidade com o segundo maior número de população galega é Buenos Aires, na Argentina, onde imigração da Galiza era tão maciça que todos os espanhóis são agora conhecidos como gallegos (em espanhol, galegos). Durante o governo de Franco houve uma nova onda de emigração da Galiza a outros países europeus, nomeadamente França, Suíça e Reino Unido.
Estima-se que haja, atualmente, cerca de 10 milhões de descendentes ao redor do mundo.
No Brasil
O gentílico «galego» é atribuído em certas regiões brasileiras a pessoas brancas de cabelos e olhos claros[18] e na Galiza há, de facto, uma percentagem de louros algo maior por causas históricas. Houve também uma grande miscigenação dos descendentes de galegos no Brasil e em outros países do mundo com os locais.
Notas e referências
Notas
- ↑ Soma dos habitantes da Espanha nascidos na Galiza (cerca de 2.8 milhões), mais os espanhóis que vivem no exterior e estão inscritos no censo eleitoral (CERA) como eleitores em um dos quatro círculos eleitorais galegos.
- ↑ Não incluindo galegos nascidos fora da Galícia
- ↑ somando 32,1% de praticantes e 45,6% de não praticantes
- ↑ somando 5,4% de agnósticos e 9,2% de ateus
Referências
- ↑ a b c d e f «Instituto Nacional de Estadística». Ine.es. Consultado em 4 de fevereiro de 2016. Cópia arquivada em 3 de março de 2016
- ↑ a b c d e f g h i j «INE – CensoElectoral». Ine.es. Consultado em 4 de fevereiro de 2016. Cópia arquivada em 8 de agosto de 2022
- ↑ Internacional, La Região (30 de julho de 2015). «Miranda visita Venezuela para conocer las preocupaciones de la diáspora gallega». La Região Internacional. Consultado em 12 de dezembro de 2017. Cópia arquivada em 3 de julho de 2017
- ↑ «MACROBARÓMETRO DE OCTUBRE 2019. PREELECTORAL ELECCIONES GENERALES 2019. GALICIA» (PDF). Centro de Investigaciones Sociologicas. Outubro de 2019. Consultado em 26 de março de 2025
- ↑ a b «BOE.es - BOE-A-1998-5184 Ley 2/1998, 3 de marzo, sobre el cambio de denominación de las provincias de La Coruña y Orense.». www.boe.es. Consultado em 9 de abril de 2022
- ↑ Maragoto, Eduardo (20 de dezembro de 2020). «Do ideário de Ricardo Carvalho Calero ao reintegracionismo do século XXI». Boletín da Real Academia Galega (em galego) (381): 239–259. ISSN 2605-1680. doi:10.32766/brag.381.795. Consultado em 9 de abril de 2022
- ↑ «80 anos dende que Galicia é, oficialmente, nación». Praza Pública (em galego). 13 de setembro de 2013. Consultado em 9 de abril de 2022
- ↑ «Título preliminar - Constitución Española». www.congreso.es (em espanhol). Consultado em 21 de abril de 2017
- ↑ Curchin (2008) pp. 109, 130-131.
- ↑ Vallejo (2009) pp. 272-273.
- ↑ «Celtas e castrejos na Península Ibérica – questões sobre a identidade nacional e o substrato proto-celta». www.academia.edu. Consultado em 9 de abril de 2022
- ↑ «Irish Society of the Friends of St.James » Practical Information». web.archive.org. 7 de outubro de 2011. Consultado em 9 de abril de 2022
- ↑ «Lebor Gabála Érenn: The Book of Invasions». www.maryjones.us. Consultado em 9 de abril de 2022
- ↑ «Thomas White | Real Academia de la Historia». dbe.rah.es. Consultado em 9 de abril de 2022
- ↑ Castro, Fernanda (22 de novembro de 2013). «Breogán: o herói celta de Leabhar Gabhala Eireann ao poema de Eduardo Pondal». Breogán: o herói celta de Leabhar Gabhala Eireann ao poema de Eduardo Pondal. Consultado em 9 de abril de 2022
- ↑ cfr. pág 1775, Díaz Pardo (2007)
- ↑ Associaçom Galega da Língua,. Ortografia galega moderna : confluente com o portuguães no mundo. Santiago de Compostela: [s.n.] ISBN 978-84-16545-08-7. OCLC 1003248390
- ↑ «Significado / definição de galego no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa». www.priberam.pt. Consultado em 5 de fevereiro de 2016

