Banana (República Democrática do Congo)

| Nome oficial |
(fr) Banana |
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| País | |
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| Províncias | |
| Altitude |
0 m |
| Coordenadas |
| Estatuto |
cidade portuária (d) |
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Banana, também chamada de Porto de Banana, é uma cidade que abriga um porto marítimo na província do Congo Central, na República Democrática do Congo, na costa atlântica. A cidade está inteiramente situada na península da Ponta da Banana, uma língua de terra com 3 km de comprimento e 100 a 400 m de largura, que é cercada pela enseada de Banana, no leste, e pelo oceano Atlântico, no oeste. Fica a cerca de 10 km a sul de Muanda, à qual está ligada pela Rodovia N1, que é totalmente pavimentada na sua rota e que corre ao longo da costa.[1]
História
A cidade se desenvolveu como um porto no século XIX, principalmente como parte do tráfico de escravos. Henry Morton Stanley chegou a Banana em 1879, no início de uma expedição exploratória financiada por Leopoldo II da Bélgica. Após a Conferência de Berlim (1884-1885), as potências europeias reconheceram a reivindicação de Leopoldo à Bacia do Congo e, em uma cerimônia em Banana em 1885, o rei anunciou o estabelecimento do Estado Livre do Congo, liderado por ele mesmo, dando início ao período de colonização europeia.[2]
Porto de Banana foi estabelecida como capital do Distrito de Banana em 7 de janeiro de 1886. Em 23 de abril de 1886, Leopoldo II da Bélgica decretou que a sede do tribunal de primeira instância ficaria em Banana.[3]
No início, a navegação marítima concentrou-se em Banana, uma vez que Boma era considerada inacessível a navios pesados.[4] Banana era o principal porto de onde os bens produzidos na colônia eram exportados para a Europa e onde os direitos de exportação eram cobrados.[4] Dos produtos exportados, os mais valiosos eram marfim, amêndoas de palma, óleo de palma e borracha. Durante os meses de janeiro, fevereiro e março de 1890, 25 navios oceânicos chegaram a Banana e 30 partiram, em comparação com oito chegadas e dez partidas para Boma.[4]
O Estado Livre do Congo fundou uma escola de treinamento naval em Banana, e a Cruz Vermelha de Boma construiu um sanatório onde os colonos doentes podiam recuperar a saúde à beira-mar. Em 1898, o distrito de Banana tinha um total de 95 europeus em 25 casas. O Estado Livre do Congo foi anexado pela Bélgica em 1908 como Congo Belga. Em 1910, os distritos ocidentais de Banana, Boma, Matadi e Cataratas foram consolidados em uma unidade administrativa, Baixo Congo (actual Congo Central).[5]
O artigo da Encyclopædia Britannica Décima Primeira Edição (1911) sobre a crença folclórica em lobisomens observou que "Diz-se que o povo de Banana se transforma por meios mágicos, compostos de embriões humanos e outros ingredientes, mas em sua forma de leopardo eles não podem causar mal à humanidade sob pena de reter para sempre a forma de besta.".[6][7]
Economia
A economia da cidade sustenta-se no Complexo Portuário de Banana-Muanda-Quitona, que consiste em uma zona de cais (especificamente em Porto de Banana) de 75 m e profundidade de 5,18 m, com guindastes para movimentação de carga e alguns molhes.[8] Os terminais especificamente localizados em Porto de Banana são especializados na atracagem de balsas de transporte de passageiros e veículos, dispondo de um acesso rodoviário pela Rodovia N1, que a liga a Muanda.[8] Não há grandes instalações ou edificações em Banana além do porto, uma vez que estas estão localizadas na cidade muito maior de Muanda.[8] Banana é, assim, uma cidade operária de estivadores, marinheiros, militares e trabalhadores estaleiros.[8]
Existe também uma base naval da Marinha da República Democrática do Congo, que é parcialmente mantida com assistência chinesa; é a única base naval em águas marinhas do país.[9]
Referências
- ↑ «Review of the Implementation Status of the Trans African Highways and the Missing Links: Volume 2: Description of Corridors» (PDF). Estocolmo: African Development Bank/United Nations Economic Commission For Africa. 14 de agosto de 2003. Consultado em 8 de maio de 2019. Cópia arquivada (PDF) em 28 de janeiro de 2007
- ↑ Guy Vanthemsche (30 de abril de 2012). Belgium and the Congo, 1885-1980. [S.l.]: Cambridge University Press. ISBN 978-0-521-19421-1
- ↑ André-Bernard Ergo (2013). «Voyage en Congolie : Bas Congo». L'État Indépendant du Congo (PDF). [S.l.]: L'Harmattan. Cópia arquivada (PDF) em 22 de janeiro de 2022
- ↑ a b c Société royale belge de géographie (1890). «Banana». Bruxelles. Bulletin / Société belge de géographie (em francês)
- ↑ René Lemarchand (1964). Political Awakening in the Belgian Congo. [S.l.]: University of California Press
- ↑ Northcote Whitridge Thomas. «Lycanthropy». Encyclopædia Britannica (edição de 1911). p. 149
- ↑ Simon Garfield (20 de outubro de 2020). «What We Know And Can Agree On: Wikipedia At 20; What does the future hold for the internet's most popular "information ecosystem"?». Cópia arquivada em 20 de outubro de 2020
- ↑ a b c d «Growing recognition of ports' contribution to economic potential». 4IR Skills. 12 de junho de 2025
- ↑ Jean-Jacques Wondo (23 de maio de 2018). «Joseph Kabila continues to over-equip his regime militarily for the upcoming political deadlines». Cópia arquivada em 25 de setembro de 2018