Porto Gentil

Porto Gentil
Nome oficial
(fr) Port-Gentil
Nome local
(fr) Port-Gentil
Geografia
País
Província
Capital de
Coordenadas
Demografia
População
154 632 hab. ()
Gentílico
Port-gentillais
Port-gentillaise
Funcionamento
Geminação
Wenzhou (a partir de )
Identificadores
TGN

Porto Gentil (em francês: Port-Gentil) é a segunda maior cidade do Gabão, capital da província de Ogoué Marítimo e do departamento de Bendjé, além de importante porto marítimo para o país.

No censo realizado em 1993 possuía 79.225 habitantes, saltando para cerca de 100.000 habitantes nas estimativas de 2005 e 154.632 habitantes de acordo com o censo de 2013.[1]

Geografia

A cidade está localizada na ilha deltaica de Mandji, no delta do rio Ogoué. O Cabo Lopes, onde localiza-se a cidade, é o ponto mais ocidental do Gabão.

História

A missão católica de Porto Gentil em 1920, durante o período da África Equatorial Francesa

Em 1473, o navegador português Lopo Gonçalves navegou perto do Cabo Lopes.[2] Em 1722, piratas liderados por Bartholomew Roberts travaram uma batalha na Baía do Cabo Lopes contra a Marinha Real Britânica.[3] O encontro terminou com a morte de Roberts.[3]

Em 1º de junho de 1862, o rei Denis Rapontchombo, do reino de Orungu, assinou o Tratado do Cabo Lopes e do Rio Nazaré com a França, concedendo à França o controle do território.[2] O povoado foi estabelecido na Ilha de Mandji, no delta do rio Ogoué, pelos franceses em 1873.[2] O povoado foi usado como base para as expedições de Pierre Savorgnan de Brazza ao interior, e em 1894 foi instalado um posto alfandegário.[2] Os principais produtos comercializados no porto eram inicialmente borracha e marfim, gradualmente complementados por madeira, particularmente angouma para compensado.[2]

Até 1915 a cidade se chamava "Mandji".[2] A partir dessa data, a localidade recebeu o nome do administrador colonial francês Émile Gentil.[2] Neste período, Porto Gentil sofria muito com a concorrência de outros entrepostos comerciais europeus na África subsaariana, além das casas comerciais francesas na própria colônia do Congo Francês.[2]

Após a Primeira Guerra Mundial, tornou-se um porto fortemente especializado na exportação de madeira, mas seu crescimento foi acelerado somente depois que a Elf Aquitaine iniciou a exploração de petróleo na região.[2] A primeira agência bancária da cidade foi inaugurada pelo Banco da África Ocidental Britânica (BBWA) em 1928.[2]

Cena de rua de Porto Gentil, em 2007

Entre outubro e novembro de 1940, Porto Gentil foi um dos portos estratégicos da Batalha do Gabão da Segunda Guerra Mundial entre a França de Vichy e a França Livre. As tropas da França Livre tiveram sucesso na empreitada e Porto Gentil foi o último local a ser libertado no Gabão.[4]

A população, que era de 4.500 habitantes em 1947, cresceu para 21.000 em 1960.[2] Uma refinaria de petróleo foi instalada pela SOGARA na década de 1960,[2] e a produção de gás natural foi iniciada em 1968.[2]

Após a ascenção ao poder da família de Omar Bongo na década de 1960, Porto Gentil tornou-se um centro político da oposição ao regime conservador da família Bongo.[2] Em 1990, a morte suspeita do líder da oposição Joseph Rendjambé, chefe do Partido do Progresso Gabonês e natural de Porto Gentil,[5] desencadeou violentos tumultos na localidade, enquanto o resto do país permaneceu relativamente calmo.[5]

Em 2009, a cidade esteve mais uma vez no centro dos protestos nacionais após o resultado das eleições presidenciais dar vitória a Ali Bongo, filho de Omar Bongo.[5] Os confrontos entre opositores e o exército resultaram oficialmente em 3 mortes.[6]

A cidade foi escolhida para ser uma das sedes do Campeonato Africano das Nações de 2017.[7] Para isto, o Estádio de Porto Gentil foi construído, e muitas infraestrutruras urbanas e sociais foram reabilitadas.[8] Três anos depois do evento futebolístico, Porto Gentil abrigou uma das etapas do campeonato ciclístico de estrada Tropicale Amissa Bongo de 2020.[9]

Economia

Selo postal de 1968 da inauguração da refinaria SOGARA, marco econômico máximo de Porto Gentil

É um dos principais centros industriais e logísticos do país.[10] Conta com indústrias madeireiras, alimentares, químicas e uma refinaria de petróleo — a SOGARA (Sociedade Gabonesa de Refinagem).[5] Seu movimentado porto é especializado no embarque de hidrocarbonetos e de produtos primários, sendo a principal porta de entrada e saída de mercadorias do centro-sul gabonês.[10]

Infraestruturas

Cidade de grande importância logística para a nação, além de seu porto, possui o Aeroporto Internacional de Porto Gentil, o segundo mais movimentado do país.[11] Por via rodoviária, possui uma única ligação pela rodovia RN8.

Nas estruturas desportivas, possui o Estádio de Porto Gentil.[12]

Referências

  1. «Gabon». World Gazetteer. Consultado em 13 de abril de 2013. Cópia arquivada em 30 de junho de 2013 
  2. a b c d e f g h i j k l m n Marie Pernice (junho de 2025). «Port-Gentil dans Petroleum de Bessora : une « ville-pétrole » ?». Association pour l'Étude des Littératures africaines (APELA). Études littéraires africaines (59): 123–136 
  3. a b Aubrey Burl (2006). Black Barty: Bartholomew Roberts and his pirate crew 1718–1723. [S.l.]: Sutton Publishing. ISBN 0-7509-4312-2 
  4. Éliane Ebako (2004). Le ralliement du Gabon à la France libre: Une guerre franco-française, septembre–décembre 1940 (PhD thesis). [S.l.]: Universidade de Paris IV 
  5. a b c d Mathilde Debain (2009). «Chronique d'une victoire assurée. Retour sur la campagne présidentielle de 2009 au Gabon». Politique africaine (em francês). 3 (115): 27-46. Consultado em 3 de dezembro de 2018 
  6. «Gabon: l'opposition accuse le pouvoir de cacher le bilan réel des violences». ladepeche.fr. 7 de setembro de 2009 
  7. «La Françafrique, une réalité implacable au Gabon !». Info241.com. 16 de setembro de 2015 
  8. Charly Hessoun (9 de abril de 2015). «Can 2017 : le Gabon abritera la 31è édition». La Nouvelle Tribune. Consultado em 16 de janeiro de 2026 
  9. «Etapas da Tropicale Amissa Bongo de 2020». Tropicale Amissa Bongo. Consultado em 9 de fevereiro de 2020. Cópia arquivada em 15 de março de 2019 
  10. a b João Gabriel Galdea (18 de abril de 2021). «Como é a vida no Gabão, país que era colado na Bahia há milhões de anos». Correio 24 Horas 
  11. Harro Ranter. «ASN Aircraft accident Embraer EMB-120ER Brasilia ZS-PYO Port Gentil Airport (POG)». aviation-safety.net. Consultado em 20 de agosto de 2018 
  12. «CAN 2017: Port-Gentil stadium almost completedThe Gabon». Consultado em 23 de janeiro de 2017. Arquivado do original em 23 de janeiro de 2017