Pornócrates

Pornócrates
AutorFélicien Rops
Data1878
TécnicaPintura em guache e aquarela
Dimensões75 cm × 48 cm 
LocalizaçãoMusée provincial Félicien Rops, Namur

Pornócrates, Pornokratès, La dame au cochon ou A Dama com o Porco é uma pintura de 1878 do artista belga Félicien Rops. Ela faz parte do acervo do Musée provincial Félicien Rops em Namur, na Bélgica.

A obra tem 75 cm de altura e 48 cm de largura e foi executada em guache e aquarela, realçada com pastel sobre papel. Reproduções da obra (água-forte, heliogravura e água-tinta, alguns coloridos) também estão em coleções de outros museus, como o LACMA, o Museu Nacional de Arte Ocidental de Tóquio e o Rijksmuseum de Amsterdã.

Descrição

Pornócrates é considerada a obra mais conhecida de Rops.[1] Ela foi pintada quando o artista tinha 45 anos e vivia em Paris com Léontine Duluc e sua irmã Aurélie, com ambas as quais teve filhos.[2] O título da obra pode ser traduzido como "a governante da fornicação". De acordo com uma carta de Rops, a pintura foi feita "em um apartamento superaquecido, cheio de odores diversos, onde o opopanax e o ciclame me deram uma leve febre propícia à produção ou mesmo à reprodução".[3] A obra retrata uma mulher, nua, vista de lado, conduzindo um porco por uma coleira. A mulher, descrita como uma cortesã, está quase totalmente despida, usando apenas longas luvas de seda preta, uma venda nos olhos, um chapéu com plumas, sapatos e meias pretas, e uma faixa de seda dourada e azul – acessórios que apenas acentuam sua nudez.[4] Acima do porco, de cauda dourada, três putti alados fogem, aparentemente em choque ou horror. Rops se refere a eles como "Três amores – amores antigos – desaparecem em lágrimas".[3]

Significado da obra

Existem diversas interpretações para a obra. A mulher pode ser vista como uma figura feminina poderosa, conduzida pelo porco, que pode ser entendido como a imagem de um homem em um estado bestial, submisso e ignorante, mantido sob controle pela mulher. O porco de cauda dourada também pode ser visto como uma alegoria do luxo, ou mesmo como um animal do demônio,[1] um símbolo da fornicação, que guia a mulher em sua cegueira. De qualquer forma, a obra representa a visão de Rops sobre a mulher de seu tempo: uma femme fatale cada vez mais assertiva, impiedosa e sedutora.[5] "Ela era o animal humano retratado de forma viciosa por Félicien Rops como 'Pornokrates', a governante da 'Pornocracia' de Proudhon, uma criatura cegamente guiada por um porco, o símbolo de Circe, o representante bestial de todo o mal sexual".[6]

Friso com as Artes

A mulher e o porco caminham sobre um palco de mármore,[7] com um friso que retrata quatro alegorias das artes: escultura, música, literatura e pintura. As belas-artes são representadas por figuras masculinas clássicas e acinzentadas, com expressões desesperadas. Isso pode ser interpretado como a vitória da sensualidade e do erotismo da arte criada por Rops e seus contemporâneos do movimento decadentista, em contraste com o tédio da arte acadêmica da época.[4]

O título também pode se referir ao conceito de pornocracia, um período da história do papado durante a primeira metade do século X, em que os papas eram fortemente influenciados por uma família aristocrática corrupta, os Teofilactos. Pierre-Joseph Proudhon publicou seu panfleto antifeminista La Pornocratie ou les femmes dans les temps modernes em 1875, três anos antes de Rops trabalhar em sua Pornócrates.

Um dos primeiros proprietários da obra foi o jurista e colecionador de arte belga Edmond Picard.[8] Pornócrates foi recebida com indignação e escândalo durante a exposição de 1886 do Cercle des XX, um grupo de arte ao qual Rops pertencia.[8]

Galeria

Referências

  1. a b Leblanc, Véronique (1997). «Pornocratès, 1878. In "Félicien Rops: life and work", published by Stichting Kunstboek.». Musée provincial Félicien Rops Namur. Cópia arquivada em 22 de maio de 2009. A referência à Antiguidade é óbvia, primeiro no título, que evoca a Grécia pós-Alexandrina e suas prostitutas, depois na composição, que transforma essa mulher numa deusa atemporal que passa, indiferente ao desespero dos “amores antigos”. Música, poesia, pintura, as artes acadêmicas, lamentam, congeladas em pedra, enquanto uma mulher moderna, onipotente e sardônica, triunfa. Os adornos com que ela é enfeitada enfatizam sua nudez e a tornam ainda mais perversa. Em sua marcha conquistadora, é o porco que dita o ritmo. Na obra de Rops e de muitos de seus contemporâneos, esse animal possui uma forte carga diabólica e erótica. Ele é uma “criatura do diabo” porque mantém obstinadamente os olhos fixos no chão, jamais olhando para o céu, e é a “besta sexual” porque, segundo a tradição, é o único de sua espécie a copular por prazer e não apenas para reprodução. 
  2. «Félicien Rops: Pornokratès». Le Soir (em francês). 3 de março de 2016. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  3. a b Carta de Félicien Rops para H. Liesse, 1879.
  4. a b Karl Meersman (14 de maio de 2015), Felicien Rops Pornocrates, consultado em 8 de dezembro de 2025 
  5. «Félicien Rops: Pornocrates (1878); Musée Félicien Rops, Namur». Félicien Rops. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  6. Dijkstra, Bram (1986). Idols of perversity : fantasies of feminine evil in fin-de-siècle culture. Internet Archive. [S.l.]: New York : Oxford University Press. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  7. «Félicien Rops - The Techniques - Pornokratès». www.museerops.be. Consultado em 8 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 4 de novembro de 2009 
  8. a b «Pornokratès ou La Femme au cochon». www.numeriques.be. Consultado em 8 de dezembro de 2025 

Ligações externas