Por um Feminismo Afro-Latino-Americano

Por um Feminismo Afro-Latino-Americano
Capa do livro Por um Feminismo Afro Latino Americano.
Autor(es)Lélia Gonzalez
Idiomaportuguês
PaísBrasil Brasil
Assuntofeminismo
antirracismo
Gêneroensaios
Arte de capaElisa von Randow
EditoraZahar
EditorFlavia Rios e Márcia Lima
Formatobrochura
Lançamento2020
Páginas376
ISBN978-85-3781-889-3

Por um Feminismo Afro-Latino-Americano é um livro brasileiro que apresenta uma coletânea de textos produzidos por Lélia Gonzalez entre as décadas de 1970 e 1990, período de atuação da autora em movimentos sociais e pela redemocratização.[1][2]

Organizado por Flávia Rios e Márcia Lima, foi lançado em 2020 pela editora Zahar. Reúne um panorama da obra de Gonzalez e destaca os anseios democráticos do Brasil e de outros países da América Latina e do Caribe. Além disso, aborda temáticas como as lutas por independência dos países africanos e as reivindicações por igualdade racial nos Estados Unidos.[3][4]

Estrutura e ideias presentes no livro

O livro se divide em ensaios, intervenções e diálogos.[3][4][5][2] Dois grandes pilares subsidiam a leitura: a trajetória da intelectual negra e as contribuições que levaram Gonzalez a sugerir a emergência de um feminismo afro-latino-americano.[5]

Com o mesmo nome de um de seus ensaios, apresentado em 1988 na Bolívia, "Por um Feminismo Afro-Latino-Americano" discute a situação das mulheres em uma sociedade patriarcal a partir da intersecção entre racismo, classe e sexismo.[2][6]

A autora também traz as contradições dos feminismos latino-americanos, inclusive ressaltando a exclusão de mulheres de origem indígena e negra.[6]

Lélia Gonzales se apoia em conceitos da psicanálise Jaques Lacan para tratar da alienação, a infantilização e o colonialismo no feminismo.[6]

Ao longo do livro, Gonzales diz que o racismo nas Américas pode ser dividido entre aquele que existe nos Estados Unidos - que é mais escancarado, com barreiras sociais rígidas - e no Brasil - onde há o mito da democracia racial e o racismo acontece por denegação, o que contribui para um sistema de perpetuação e dominação deste sistema ideológico.[6]

Para a autora, a eficácia da estrutura do racismo está na divisão racial do trabalho e nas formações socioeconômicas do capitalismo.[6]

Um dos principais conceitos presentes na obra é o de Améfrica–amefricano–amefricanidade-afro-latino-americano, que contextualiza o Brasil em uma perspectiva global e em relação a América Latina, além de questionar o imperialismo norte-americano.[6]

Apesar de serem textos dos anos 70 a 90, as ideias presentes neles se aproximam de estudos mais recentes dos feminismos interseccional (que lida com raça e classe) e decolonial (que trabalha com questões econômicas e de grupos dominadores). A autora também está na vanguarda quando discute questões territoriais, especialmente o brasileiro.[2]

Referências

  1. «Por um feminismo afro-latino-americano». Companhia das Letras. N.d. Consultado em 26 de abril de 2023 
  2. a b c d Mercier, Daniela (25 de outubro de 2020). «Lélia Gonzalez, onipresente». El País Brasil. Consultado em 16 de abril de 2025 
  3. a b Coutinho, Joana Aparecida (14 de dezembro de 2022). «Por um Feminismo Afro-Latino-Americano» (PDF). Reoriente: estudos sobre marxismo, dependência e sistemas-mundo. 2 (1): 187–191. ISSN 2764-104X. doi:10.54833/issn2764-104X.v2i1p187-191. Consultado em 6 de abril de 2024 
  4. a b Machado, Cauê Fraga (3 de setembro de 2021). «Por um Feminismo Afro-Latino-Americano: Ensaios, Intervenções e Diálogos» (PDF). Mana. 27 (2). 375 páginas. ISSN 0104-9313. doi:10.1590/1678-49442021v27n2r802. Consultado em 6 de abril de 2024 
  5. a b Adriano, Nilma Alves; Lourenço, Ana Paula Pires (set–dez 2021). «Lélia Gonzalez e o feminismo afro-latino-americano» (PDF). O Público e o Privado. 19 (40). ISSN 2238-5169. doi:10.52521/19.7459. Consultado em 7 de abril de 2024 
  6. a b c d e f Morais, Maira Luana (31 de julho de 2021). «Lélia Gonzalez, a intérprete do Brasil. Resenha do livro Por um Feminismo afro-latino-americano». Opiniães (18): 577–584. ISSN 2525-8133. doi:10.11606/issn.2525-8133.opiniaes.2021.189018. Consultado em 16 de abril de 2025