Chapim-montês

Chapim-montês
Subespécie kleinschmidti, Wigan, Inglaterra
Subespécie kleinschmidti, Wigan, Inglaterra

Canto registrado perto de Briansk, Rússia
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Passeriformes
Família: Paridae
Gênero: Poecile
Espécie: P. montanus
Nome binomial
Poecile montanus
(Conrad von Baldenstein [en], 1827)
Distribuição geográfica
Área de distribuição de Poecile montanus      Residente
Área de distribuição de Poecile montanus      Residente
Sinónimos
Parus montanus
No Reino Unido.

O chapim-montês (Poecile montanus)[1] é uma ave da ordem Passeriformes e da família Paridae. É uma espécie residente, comum e amplamente distribuída em regiões temperadas e subárticas da Europa e ao longo do Paleoártico. Sua plumagem é cinza-acastanhada e esbranquiçada, com uma "touca" e um "babador" pretos. É mais especializado em coníferas do que o chapim-palustre, o que explica sua reprodução em latitudes mais ao norte. É uma espécie residente, e a maioria das aves não realiza migração.

Taxonomia

O chapim-montês foi descrito em 1827 pelo naturalista suíço Thomas Conrad von Baldenstein [en] sob o nome trinomial Parus cinereus montanus.[2] A localidade-tipo são as florestas montanhosas do cantão dos Grisões, Suíça.[3] Atualmente, o chapim-montês é classificado no gênero Poecile, estabelecido pelo naturalista alemão Johann Jakob Kaup em 1829.[4] O nome do gênero, Poecile, vem do grego antigo para uma pequena ave não identificada, e o epíteto específico montanus é latim para "das montanhas".[5]

O gênero Poecile já foi tratado como um subgênero de Parus, mas análises taxonômicas moleculares, utilizando genes nucleares e mitocondriais, confirmam Poecile como um clado distinto. Dentro de Poecile, a maioria das espécies do Velho Mundo (incluindo o chapim-montês) forma um clado separado dos chapins do Novo Mundo.[6] Análises taxonômicas mostram que o chapim-montês é grupo-irmão do chapim-do-cáspio [en] (Poecile hyrcanus).[6][7]

São reconhecidas 14 subespécies:[8]

  • P. m. kleinschmidti (Hellmayr, 1900) – Grã-Bretanha
  • P. m. rhenanus (Kleinschmidt, 1900) – Noroeste da França até oeste da Alemanha, norte da Suíça e norte da Itália
  • P. m. montanus (Conrad von Baldenstein [en], 1827) – Sudeste da França até Romênia, Bulgária e Grécia
  • P. m. salicarius (Brehm, CL, 1831) – Alemanha e oeste da Polônia até nordeste da Suíça e Áustria
  • P. m. borealis (de Sélys-Longchamps, 1843) – Escandinávia até Ucrânia
  • P. m. uralensis (Grote [en], 1927) – Sudeste da Rússia europeia, oeste da Sibéria e Cazaquistão
  • P. m. baicalensis Swinhoe, 1871 – Centro-leste e leste da Sibéria, norte da Mongólia, norte da China e Coreia do Norte
  • P. m. anadyrensis (Belopolski [en], 1932) – Nordeste da Sibéria
  • P. m. kamtschatkensis Bonaparte, 1850 – Península de Camecháteca e norte das ilhas Curilas
  • P. m. sachalinensis (Lönnberg [en], 1908) – Sacalina e sul das ilhas Curilas
  • P. m. restrictus (Hellmayr, 1900) – Japão
  • P. m. songarus (Severtzov, 1873) – Sudeste do Cazaquistão até Quirguistão e noroeste da China
  • P. m. affinis Przevalski, 1876 – Centro-norte da China
  • P. m. stoetzneri (Kleinschmidt, 1921) – Nordeste da China

O chapim-do-sujuão [en] (Poecile weigoldicus) já foi considerado uma subespécie do chapim-montês, mas foi elevado ao status de espécie com base em uma análise filogenética de 2002 que comparou sequências de DNA do gene mitocondrial citocromo-b.[9][10] Os resultados do lócus único foram posteriormente confirmados por uma análise multilocus mais ampla publicada em 2017.[7]

Descrição

Subespécie Poecile montanus restrictus no Japão.

O chapim-montês mede 11,5 cm de comprimento, com envergadura de 17 a 20,5 cm e peso em torno de 11 g.[11] Possui uma cabeça grande, bico fino, uma "touca" preta longa e opaca que se estende até o manto e um "babador" preto. As laterais da face são brancas, as costas são cinza-acastanhadas e as partes inferiores são de tom bege. Os sexos têm aparência semelhante.[12]

No leste de sua distribuição, é muito mais pálido que o chapim-palustre, mas, à medida que se avança para o oeste, as várias raças tornam-se cada vez mais semelhantes, tanto que sua presença como ave reprodutora na Grã-Bretanha só foi reconhecida no final do século XIX, apesar de ser amplamente distribuída.

O chapim-montês distingue-se do chapim-palustre por uma "touca" marrom-fuliginosa em vez de preta brilhante com tons azulados; a coloração geral é semelhante, embora as partes inferiores sejam mais bege e os flancos nitidamente mais ruivos. As bordas bege-pálidas das secundárias formam uma mancha clara na asa fechada. As penas da touca e o babador preto sob o bico são mais longos, mas isso não é facilmente perceptível.[12]

O chamado mais comum é um nasal zee, zee, zee, mas as vocalizações variam consideravelmente. Ocasionalmente, emite uma nota dupla, ipsee, ipsee, repetida quatro ou cinco vezes.[13]

Comportamento e ecologia

Reprodução

Ovos, coleção do Museu de Wiesbaden [en], Alemanha.

O chapim-montês escava seu próprio ninho, podendo até perfurar cascas duras, geralmente em tocos podres ou árvores parcialmente deterioradas. A maioria dos ninhos é feita de material feltrado, como pelos, cabelo e lascas de madeira, mas às vezes penas são usadas. Os ovos são depositados diariamente, com uma ninhada típica de seis a nove ovos. Os ovos têm fundo branco e são marcados com pintas e manchas vermelho-acastanhadas, frequentemente concentradas na extremidade mais larga. Medem cerca de 15,8 x 12,3 mm e pesam 1,2 g. A incubação é feita apenas pela fêmea e dura de 13 a 15 dias. Os filhotes são cuidados e alimentados por ambos os pais, mas apenas a fêmea choca os jovens. Os filhotes deixam o ninho após 17 a 20 dias. Apenas uma ninhada é criada por temporada.[14]

Em um estudo com dados de anilhagem no norte da Finlândia, a taxa de sobrevivência de filhotes no primeiro ano foi de 0,58, e a taxa de sobrevivência anual de adultos foi de 0,64.[15] Para aves que sobrevivem ao primeiro ano, a expectativa de vida típica é de cerca de três anos.[16] A idade máxima registrada é de 11 anos, observada em uma ave na Finlândia e outra perto de Nottingham, na Inglaterra.[17][18]

Alimentação

As aves se alimentam de insetos, lagartas e sementes, semelhante a outros chapins. Esta espécie é parasitada pela pulga Dasypsyllus gallinulae [en].[19]

Conservação

O chapim-montês possui uma distribuição extremamente ampla, com uma população estimada entre 175 e 253 milhões de indivíduos maduros. Essa grande população parece estar diminuindo lentamente, mas não a um ritmo que justifique vulnerabilidade. Portanto, é classificado como espécie pouco preocupante pela União Internacional para a Conservação da Natureza.[1] No entanto, no Reino Unido, a população diminuiu 83% entre 1995 e 2017, acompanhada por uma contração de sua distribuição.[20] Esse declínio rápido é atribuído a três fatores: perda de habitat, competição por cavidades de nidificação com outros chapins, especialmente o chapim-azul, e predação de ninhos pelo pica-pau-malhado-grande.[21][22][23] Durante o mesmo período, o número de pica-paus-malhados-grandes quadruplicou.[20]

Referências

  1. a b c BirdLife International (2019). «Poecile montanus». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2019: e.T155139697A155139155. doi:10.2305/IUCN.UK.2019-3.RLTS.T155139697A155139155.enAcessível livremente. Consultado em 19 de novembro de 2021 
  2. von Baldenstein, Thomas Conrad (1827). «Nachrichten über die Sumpf-Meise (Mönchs-Meise) (Parus palustris Linn.)». In: Steinmüller, Johann Rudolf. Neue Alpina : eine Schrift der Schweizerischen Naturgeschichte Alpen- und Landwirthschaft gewiedmet (em alemão). 2. Winterthur: Steiner. pp. 30–36 [31] 
  3. Paynter, Raymond A. Jr, ed. (1986). Check-List of Birds of the World. 12. Cambridge, Massachusetts: Museum of Comparative Zoology. p. 77 
  4. Kaup, Johann Jakob (1829). Skizzirte Entwickelungs-Geschichte und natürliches System der europäischen Thierwelt (em alemão). c. 1. Darmstadt: Carl Wilhelm Leske. p. 114 
  5. Jobling, James A (2010). The Helm Dictionary of Scientific Bird Names. London: Christopher Helm. pp. 259, 311. ISBN 978-1-4081-2501-4 
  6. a b Johansson, Ulf S.; Ekman, Jan; Bowie, Rauri C. K.; Halvarsson, Peter; Ohlson, Jan I.; Price, Trevor D.; Ericson, Per G. P. (2013). «A complete multilocus species phylogeny of the tits and chickadees (Aves: Paridae)». Molecular Phylogenetics and Evolution. 69 (3): 852–860. Bibcode:2013MolPE..69..852J. PMID 23831453. doi:10.1016/j.ympev.2013.06.019 
  7. a b Tritsch, Christian; Martens, Jochen; Sun, Yue-Hua; Heim, Wieland; Strutzenberger, Patrick; Päckert, Martin (2017). «Improved sampling at the subspecies level solves a taxonomic dilemma – A case study of two enigmatic Chinese tit species (Aves, Passeriformes, Paridae, Poecile)». Molecular Phylogenetics and Evolution. 107: 538–550. Bibcode:2017MolPE.107..538T. PMID 27965081. doi:10.1016/j.ympev.2016.12.014 
  8. Gill, Frank; Donsker, David; Rasmussen, Pamela, eds. (2020). «Waxwings and their allies, tits & penduline tits». IOC World Bird List Version 10.1. International Ornithologists' Union. Consultado em 16 de abril de 2020 
  9. Salzburger, Walter; Martens, Jochen; Nazarenko, Alexander A.; Sun, Yua-Hue; Dallinger, Reinhard; Sturmbauer, Christian (2002). «Phylogeography of the Eurasian Willow Tit (Parus montanus) based on DNA sequences of the mitochondrial cytochrome b gene». Molecular Phylogenetics and Evolution. 24 (1): 26–34. Bibcode:2002MolPE..24...26S. PMID 12128026. doi:10.1016/S1055-7903(02)00266-X 
  10. Eck; Martens, J. (2006). «Systematic notes on Asian birds. 49. A preliminary review of the Aegithalidae, Remizidae and Paridae». Zoologische Mededelingen. 80–5: 1–63 [18–19] 
  11. Cramp & Perrins 1993, pp. 169, 184.
  12. a b Cramp & Perrins 1993, p. 161.
  13. Gosler, A.G.; Clement, P. (2007). «Family Paridae (Tits and Chickadees)». In: del Hoyo, J.; Elliott, A.; Sargatal, J. Handbook of the Birds of the World. 12: Picathartes to Tits and Chickadees. Barcelona, Spain: Lynx Edicions. pp. 662–750 [712–713]. ISBN 978-84-96553-42-2 
  14. Cramp & Perrins 1993, pp. 181-182.
  15. Orell, Markku; Belda, Eduardo J. (2002). «Delayed cost of reproduction and senescence in the willow tit Parus montanus». Journal of Animal Ecology. 71 (1): 55–64. Bibcode:2002JAnEc..71...55O. doi:10.1046/j.0021-8790.2001.00575.xAcessível livremente 
  16. «Willow Tit Poecile montanus». Bird Facts. British Trust for Ornithology. 16 de julho de 2010. Consultado em 19 de abril de 2020 
  17. «European Longevity Records: Willow Tit». Euring: European Union for Bird Ringing. Consultado em 19 de abril de 2020 
  18. «Ringing and Nest Recording Report: Longevity records for Britain & Ireland in 2018». Thetford: British Trust for Ornithology. Consultado em 20 de abril de 2020 
  19. Rothschild, Miriam; Clay, Theresa (1953). Fleas, Flukes and Cuckoos: A Study of Bird Parasites. London: Collins. 113 páginas 
  20. a b Harris; S.J.; Massimino; D.; Eaton; M.A; Gillings; S.; Noble; D.G; Balmer; D.E; Pearce-Higgins, J.W.; Woodcock, P. (2019). The Breeding Bird Survey 2018 (PDF). Col: BTO Research Report 717. Thetford: British Trust for Ornithology. ISBN 978-1-912642-05-2 
  21. Siriwardena, Gavin M. (2004). «Possible roles of habitat, competition and avian nest predation in the decline of the Willow Tit Parus montanus in Britain». Bird Study. 51 (3): 193–202. Bibcode:2004BirdS..51..193S. doi:10.1080/00063650409461354Acessível livremente 
  22. Lewis, Alex J.G.; Amar, Arjun; Chormonond, Elisabeth C.; Stewort, Finn R.P. (2009). «The decline of the Willow Tit in Britain» (PDF). British Birds. 102: 386–393 
  23. Parry, Wayne; Broughton, Richard K. (2018). «Nesting behaviour and breeding success of Willow Tits Poecile montanus in north-west England» (PDF). Ringing & Migration. 33 (2): 75–85. doi:10.1080/03078698.2018.1631610 

Fontes

  • Cramp, Stanley; Perrins, C.M., eds. (1993). «Parus montanus Willow Tit». Handbook of the Birds of Europe the Middle East and North Africa. The Birds of the Western Palearctic. VII: Flycatchers to Strikes. Oxford: Oxford University Press. pp. 168–186. ISBN 978-0-19-857510-8 

Ligações externas