Pleurotomariidae
| Pleurotomariidae | |
|---|---|
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| Entemnotrochus rumphii | |
| Classificação científica | |
| Reino: | Animalia |
| Filo: | Mollusca |
| Classe: | Gastropoda |
| Subclasse: | Vetigastropoda |
| Ordem: | Pleurotomariida |
| Superfamília: | Pleurotomarioidea |
| Família: | Pleurotomariidae Swainson, 1840 |
| Gêneros | |
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Pleurotomariidae é uma família de moluscos gastrópodes marinhos proposta por Swainson em 1840[1] e conhecidos pelo nome comum, em inglês, de slit shells.[2] Inclui espécies bentônicas de águas profundas.[3]
Características da concha
A principal característica de um caramujo da família Pleurotomariidae reside na lateral externa da abertura de sua concha, o que lhes deu a denominação de slit shells (conchas com fenda).[2] Trata-se de um canal, mais ou menos alargado, que se abre na última volta e que se apresenta como uma cicatriz nas voltas anteriores, na medida em que o manto cresce e o cobre com substância calcária. A região desta cicatriz se chama selenizona.[4] O aspecto da concha é cônico (ou como o de um pião tradicional ou turbante), possuindo interior nacarado e superfície com relevo geralmente bem aparente, mais ou menos reticulado, e coloração em tons de creme, com desenhos difusos em rosa ou alaranjado, mais raramente em vermelho. Em alguns exemplares o umbílico é aprofundado. Possuem opérculo córneo, redondo e plano. As dimensões de algumas espécies superam 20 centímetros, enquanto as menores não chegam a 5 centímetros.[5] A maior espécie conhecida é Entemnotrochus rumphii,[6] do oceano Pacífico, podendo atingir acima de 25 centímetros.[7]
Existe uma superfamília de Gastropoda, Scissurelloidea, também dotada de conchas com fendas, similares às de Pleurotomariidae, porém estas conchas não ultrapassam dimensões de um centímetro, quando desenvolvidas.
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Exemplar de Perotrochus atlanticus, onde são visíveis a cicatriz de crescimento, selenizona, de sua fenda lateral, em voltas anteriores, e seu opérculo. -
Relevo da superfície da concha de Perotrochus caledonicus.
Hábitos, habitat, descrição do animal, gêneros, distribuição e registro fóssil
São habitantes dos bentos e paredões de abismos marinhos, geralmente da zona mesopelágica para baixo, daí advindo sua raridade em coleções e altos preços pagos por muitos exemplares,[5] além de muitas espécies serem frágeis para a conservação.[8] O canal da borda da concha é usado para permitir que as águas residuais de sua excreção escapem da câmara do manto.[2][3]
Pleurotomariidae são predados por crustáceos e peixes, mas são notavelmente resistentes ao ataque. Eles secretam um líquido branco, quando em perigo, para repelir predadores. Se alimentam principalmente de Porifera e completam sua dieta com Crinoidea e Octocorallia. Também se alimentam de tecidos mortos de peixes e mariscos,[9] ajuntando e filtrando estes detritos orgânicos nas areias macias da região em que habitam.[2]
Animal primitivo, com duas longas brânquias. Pé, dispositivo de locomoção ventral, grande e amplo. Tentáculos bem desenvolvidos, com os olhos em sua base. Probóscide ampla. Rádula com grande número de dentes (histricoglossa). Sexos separados, com a fecundação ocorrendo na água.[10] As espécies viventes pertencem aos gêneros Entemnotrochus (C. É. Bayle; P. Fischer, 1885), Perotrochus (P. Fischer, 1885), Mikadotrochus (W. A. Lindholm, 1927) e Bayerotrochus (Harasewych, 2002); muitos anteriormente classificados no gênero Pleurotomaria (Defrance, 1826), agora apenas registrado como fóssil.[1]
Os Pleurotomariidae estão continuamente presentes no registro fóssil desde o Cambriano e alcançando maior diversidade numérica e morfológica, dominando a fauna de gastrópodos de águas rasas, durante o Paleozóico e Mesozoico. O primeiro exemplar vivo, da espécie Perotrochus quoyanus (descrito por P. Fischer & A. C. Bernardi, em 1856, através de um exemplar de coleção[11]),[7] foi descoberto em meados do século XIX, no Atlântico ocidental;[12] mais precisamente em 1879 por William Healey Dall, na expedição "Blake".[13] As duas principais zonas de dispersão de espécies ficam na costa oeste do oceano Pacífico, da Nova Zelândia ao Japão, e na costa oeste do oceano Atlântico, região do Caribe e costa leste da América do Sul, com cerca de 30 espécies viventes ao redor do mundo.[14] Uma espécie, Bayerotrochus africanus (Tomlin, 1948), foi encontrada em 1931 ao longo da Província de Natal, na África do Sul.[7]
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Exemplar vivo de Bayerotrochus midas, fotografado em Florida Keys. -
Concha fóssil de Pleurotomaria anglica.
Gêneros
- Bayerotrochus Harasewych, 2002
- Entemnotrochus Fischer, 1885
- † Mamoeatomaria Begg & Grant-Mackie, 2006[15]
- Mikadotrochus Lindholm, 1927
- † Obornella Cox, 1959
- Perotrochus Fischer, 1885
- † Pleurotomaria Sowerby, 1821
- † Trochotoma Eudes-Deslongchamps, 1842
Referências
- ↑ a b «Pleurotomariidae» (em inglês). World Register of Marine Species. 1 páginas. Consultado em 25 de março de 2016
- ↑ a b c d «Pleurotomariidae» (em inglês). Gladys Archerd Shell Collection. 1 páginas. Consultado em 25 de março de 2016
- ↑ a b ABBOTT, R. Tucker; DANCE, S. Peter (1982). Compendium of Seashells. A color Guide to More than 4.200 of the World's Marine Shells (em inglês). New York: E. P. Dutton. p. 18. 412 páginas. ISBN 0-525-93269-0
- ↑ Pieroni, Vittorio. «Rasatomaria gentilii: un nuovo gasteropode Pleurotomariidae fossile, scoperto nelle rocce Triassiche della Rasa di Varese» (em italiano). Biologia Marina. 1 páginas. Consultado em 28 de abril de 2016
- ↑ a b FERRARIO, Marco (1992). Guia del Coleccionista de Conchas (em espanhol). Barcelona, Espanha: Editorial de Vecchi. p. 57. 220 páginas. ISBN 84-315-1972-X
- ↑ «Pleurotomariidae» (em inglês). Worldwide Conchology. 1 páginas. Consultado em 27 de março de 2016
- ↑ a b c OLIVER, A. P. H.; NICHOLLS, James (1975). The Country Life Guide to Shells of the World (em inglês). England: The Hamlyn Publishing Group. p. 16. 320 páginas. ISBN 0-600-34397-9
- ↑ Dance, S. Peter (2002). Smithsonian Handbooks: Shells. The clearest recognition guides available (em inglês). London, England: Dorling Kindersley. p. 31. 256 páginas. ISBN 0-7894-8987-2
- ↑ SOUTHWARD, Alan J.; TYLER, P. A.; YOUNG, Craig M.;FUIMAN, Lee A. (2002). Advances in Marine Biology: "Pleurotomarioidean gastropods" (em inglês). [S.l.]: Academic Press. p. 42. 308 páginas. ISBN 9780120261420
- ↑ RIOS, Eliézer (1994). Seashells of Brazil (em inglês) 2ª ed. Rio Grande, RS. Brazil: FURG. p. 20. 492 páginas. ISBN 85-85042-36-2
- ↑ «The case history of the Pleurotomariids» (PDF) (em inglês). Hawaiian Shell News (Wayback Machine). Agosto de 1971. 1 páginas. Consultado em 5 de janeiro de 2023
- ↑ «Pleurotomarioidean gastropods» (em inglês). National Center for Biotechnology Information. 1 páginas. Consultado em 25 de março de 2016
- ↑ «Slit shells are more than just an ancient group of mollusks» (PDF) (em inglês). Coral Reef Photos. 1 páginas. Consultado em 26 de março de 2016. Arquivado do original (PDF) em 7 de abril de 2016
- ↑ «Pleurotomariidae» (PDF) (em inglês). WMSDB - Worldwide Mollusc Species Data Base. 1 páginas. Consultado em 25 de março de 2016
- ↑ Begg J. G. & Grant-Mackie J. A. (2006). "Mamoeatomaria, a new name for the Triassic gastropod Mamoea Begg & Grant-Mackie, 2003, pre-occupied (Mollusca: Gastropoda: Pleurotomariidae)". Journal of the Royal Society of New Zealand 36(4): 1175-8899. doi:10.1080/03014223.2006.9517807.
Ligações externas
- Espécies de Pleurotomariidae.
- Perotrochus atlanticus (Brasil) no Flickr, por Pei-Jan Wang.
- Perotrochus vicdani (Filipinas) no Flickr, por Pei-Jan Wang.
- Entemnotrochus rumphii (Taiwan) no Flickr, por Pei-Jan Wang.
- Mikadotrochus hirasei (Taiwan) no Flickr, por Pei-Jan Wang.
- Mikadotrochus salmianus (Taiwan) no Flickr, por Pei-Jan Wang.
- Mikadotrochus gotoi (Filipinas) no Flickr, por Pei-Jan Wang.
- Bayerotrochus westralis (Austrália) no Flickr, por Pei-Jan Wang.
- Bayerotrochus teramachii (Taiwan) no Flickr, por Pei-Jan Wang.
- Bayerotrochus tangaroanus (Nova Zelândia) no Flickr, por Andrea Nappus.
