António Pinto Quartin
| António Pinto Quartin | |
|---|---|
| Nascimento | 15 de janeiro de 1887 Rio de Janeiro |
| Morte | 7 de fevereiro de 1970 Lisboa |
| Cidadania | Portugal, Reino de Portugal |
| Ocupação | escritor |
António Tomás Pinto Quartin (Rio de Janeiro, 15 de Janeiro de 1887 — Lisboa, 7 de Fevereiro de 1970), mais conhecido por Pinto Quartin, foi um intelectual e ativista, defensor e divulgador da doutrina anarquista[1], autor de vários opúsculo sobre temática anarquista, que se notabilizou pela sua ligação ao movimento operário e como dinamizador de projetos culturais e jornalísticos como os periódicos O Protesto - Guerra Social (1908-1909) e Amanhã (1909). Foi ainda fundador e principal redator do jornal libertário Terra Livre (1913); Cultura Popular, boletim do ateneu popular (março de 1919) e chefe de redacção de A Batalha (1919), órgão da Confederação Geral do Trabalho. Foi também diretor da publicação periódica Amanhã [2] (1909) e colaborador na revista Renovação (1925-1926) [3].
Biografia
António Pinto Quartin nasceu no Brasil, filho de pais portugueses, Brás Leão Soares Quartin (Viana do Castelo, 1856 - 1899) e sua mulher Guilhermina Augusta Pinto de Castro (Viana do Castelo - ?), e irmão de Carmen Pinto Quartin e Orquídea Pinto Quartin. Foi seu padrinho de baptismo o primo-irmão de seu pai, António Tomás Quartin, 1.º e único Barão de Quartin[1].
Mantendo a nacionalidade brasileira acompanhou os pais quando estes se fixaram em Portugal[1], inscrevendo-se em 1905 no curso de Direito da Universidade de Coimbra. Em Coimbra aderiu ao ideário republicano, militando nas facções mais extremas.
Em 1907 foi expulso da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra por um ano e obrigado a exilar-se no Brasil por ter sido um dos participantes nas greves estudantis contra o governo de João Franco que ficaram conhecidas pela Questão Académica. O seu envolvimento nestes acontecimentos e a sua actividade política, em particular a escrita nos jornais, não permitiram a continuação dos estudos, passando a trabalhar como jornalista[1].
Em Lisboa, apesar da sua origem social burguesa, integrou-se nos meios intelectuais ligados à extrema-esquerda e ao republicanismo anarquista, sendo um dos principais dinamizadores da presença anarquista na imprensa, fundando, editando e dirigindo diversos periódicos anarquistas[1].
Foi jornalista, em 1908, do jornal O Século, onde foi responsável pela secção "Vida Operária", e a cuja redação retorna em 1915, após regressar a Portugal da sua segunda expulsão para o Brasil, a que foi sujeito em 1913, período em que colaborou na revista «A Vida», ao lado de José Oiticica e Francisco Viotti[1].
É que, em 1913, já em plena vigência do regime republicano, foi novamente expulso para o Brasil, acusado de ingerência na política portuguesa sendo cidadão brasileiro[1].
Nesta segunda expulsão foi acompanhado pela futura mulher, Deolinda Lopes Vieira, uma professora do ensino primário ligada às experiências pedagógicas do período da Primeira República Portuguesa, ao movimento feminista e às escolas anarquistas[4], com quem casou em Lisboa, na 1.ª Conservatória do Registo Civil, a 24 de junho de 1936.[5]
Viveu em Angola entre 1930 e 1936[6], colaborando na imprensa de Luanda e de Nova Lisboa[1].
Foi pai da pianista Orquídea Vieira Quartin, do desenhador Hélio Vieira Quartin (Lisboa, 21 de novembro de 1916 - Almada, Almada, 25 de dezembro de 2003) e da atriz Glicínia Vieira Quartin (Lisboa, 19 de dezembro de 1924 - Lisboa, 27 de abril de 2006)[1].
Obra publicada
Para além dos seus muitos textos jornalísticos, deu ainda à estampa diversas obras, de que são de destacar[1].:
- «Vítimas da Guerra» (conto antimilitarista), Lisboa, 1906;
- «Mocidade Vivei!», Clássica Editora, Lisboa, 1907 (livro proibido durante o regime salazarista);
- Eu e a Questão Universitária, Clássica Editora, s.d.;
- Falar é semear, s.d.;
- O Sindicalismo e os Intelectuais, s.d.:
- Ao Trabalhador Diferente, s.d.;
- Mulheres, s.d., s.l.;
- Trezentos Contos (peça de teatro satírica, em 4 quadros), Luanda, 1934[6];
- A Lenda e o Processo do Estranho Caso Pauling (novela), Luanda, 1935.
Foi também tradutor das seguintes obras[1].:
- de Réclus, «Ao Meu irmão Camponês, Lisboa 1908;
- de J. Cuenca, «Como Não Ser Anarquista», Lisboa, 1909;
- e «D. Elmassian», Lisboa, 1909.
Espólio
O seu espólio, que foi legado à Casa da Imprensa, está depositado, desde 1979 e consultável online, no Arquivo de História Social do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, contém correspondência e documentação de natureza pessoal, bem como panfletos, brochuras, jornais, revistas, e alguns objetos que foi acumulando, e integra milhares de relevantes documentos sobre o movimento sindical e anarquista em Portugal[7].
Reconhecimento
Pinto Quartin é lembrado na toponímia da cidade de Lisboa, tendo uma rua com o seu nome[8].
Referências
- ↑ a b c d e f g h i j k Almanaque Republicano.
- ↑ Daniel Pires (1996). «Ficha histórica: Amanhã : revista popular de orientação racional (1909)» (pdf). Dicionário da Imprensa Periódica Literária Portuguesa do Século XX (1900-1940) Lisboa, Grifo, 1996, pp. 64-65. Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 8 de Maio de 2014
- ↑ Jorge Mangorrinha (1 de Março de 2016). «Ficha histórica:Renovação : revista quinzenal de artes, litertura e atualidades (1925-1926)» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 18 de maio de 2018
- ↑ Deolinda Lopes Vieira Quartin Arquivado em 18 de dezembro de 2009, no Wayback Machine..
- ↑ «Livro de registo de casamentos da 1.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa (09-06-1936 a 11-10-1936)» 🔗. digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. fls. 24, assento 224
- ↑ a b «Carta de José Carvalho dos Santos dirigida a Pinto Quartim» 🔗. Arquivo de História Social do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. 5 de dezembro de 1934. Consultado em 29 de setembro de 2025
- ↑ «Fundo PQ - Espólio Pinto Quartin». Arquivo de História Social do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. 1934. Consultado em 29 de setembro de 2025
- ↑ «Código Postal da Rua Pinto Quartim». Código Postal. Consultado em 29 de setembro de 2025