Pinga-Fogo

 Nota: Se procura outras acepções, veja Pinga Fogo.

Pinga-Fogo foi um programa de televisão veiculado pela extinta TV Tupi São Paulo.

História

Estreou no ano de 1963 (um ano antes do começo da ditadura militar) como um programa de debate político, se celebrizando por isso.[1] O formato durou até 1967 e trouxe inúmeros políticos aos estúdios da Tupi no Sumaré: Carlos Lacerda, Miguel Arraes, Milton Campos, Luis Carlos Prestes e Júlio de Mesquita Filho, dono do jornal O Estado de S. Paulo.[2]

Mudança de formato e a entrevista com Chico Xavier

Com os efeitos do AI-5, o programa mudou de formato,[2] perdendo muitos de seus convidados políticos. Ante tal proibição, o programa começou a discutir outros temas.[1]

Marcou a história da televisão no Brasil ao entrevistar Francisco Cândido Xavier em 28 de julho de 1971. A convite da produção do programa, o médium foi ao ar ao vivo em rede nacional, coisa pouco comum para as emissoras televisivas à época.[3] O programa, com previsão inicial para uma hora de duração, acabou por se estender por mais de três horas. Alcançou a maior audiência já registrada na história da TV brasileira, com 75% dos televisores brasileiros ligados no programa.[4][5]

A impressionante repercussão junto à audiência levou a emissora a repetir o convite, indo ao ar, na noite de 21 de dezembro do mesmo ano, uma edição especial de fim de ano com o médium. Desta vez, o programa acabou por estender-se por mais de 4 horas. A audiência estimada foi de 20 milhões de brasileiros.

Em ambas as ocasiões, o médium respondeu à queima-roupa perguntas de alguns dos jornalistas mais conceituados do meio à época, como Saulo Gomes, Reali Júnior, Helle Alves, Herculano Pires, Freitas Nobre, Vicente Leporace, Durval Monteiro, além do escritor católico João de Scantimburgo e do espírita Hernani Guimarães Andrade. Foram abordados temas como espiritismo, mediunidade, caridade, sexo, pena de morte, aborto, chegada do homem a Lua, transplante de órgãos, bebê de proveta, homossexualidade, cremação dos mortos e muitos outros.[6]

À data da segunda entrevista, quatro emissoras associadas, lideradas pela Tupi de São Paulo, exibiam o programa ao vivo, sendo que outras emissoras exibiam atrasado por videotape, dentre os quais a Tupi do Rio, onde era exibido com duas semanas de atraso face a São Paulo.[7]

O regresso

Em outubro de 1978, as 23 emissoras da Tupi anunciaram o regresso do Pinga-Fogo, mas, segundo um colunista do Jornal do Brasil, não tinha nada a ver com a versão "autentica". A principal diferença entre as duas versões foi a censura, que não havia na primeira versão do programa. O único apresentor que sobrava da versão original era Almir Guimarães.[2] A TV Borborema, sua afiliada em Campina Grande, criou um programa comm fórmula idêntica em 1979, Confidencial.[8] O Pinga-Fogo terminou em 1980, com a crise financeira que culminou com o fechamento da emissora.

Características

O programa, que exibia entrevistas e variedades, encerrava a programação noturna das terças-feiras da emissora. Entre os entrevistados, existiam convidados de todas as áreas, mas sobretudo da política.

Notas

  1. a b A TELA SEM BRILHO DA TELEVISÃO BRASILEIRA (em inglês). [S.l.]: Jornal do Brasil 
  2. a b c O GATO QUE NÃO ARRANHA. [S.l.]: Jornal do Brasil 
  3. [1] Registro do fato histórico, acessado no dia 19-01-2010
  4. «Cópia arquivada». Consultado em 3 de abril de 2013. Arquivado do original em 26 de setembro de 2013 
  5. http://www.consciesp.com.br/pla_2arquivos/pinga_fogo.pdf
  6. http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI124246-15228,00-CHICO+XAVIER+E+A+ALMA+DO+BRASIL.html
  7. A MAGIA DO ALÉM. [S.l.]: Jornal do Brasil 
  8. NA PARAÍBA, A FORÇA DO ANTIGO TELEJORNALISMO. [S.l.]: Jornal do Brasil 

Bibliografia

  • GOMES, Saulo (org.). Pinga-fogo com Chico Xavier. Catanduva (SP): InterVidas, 2009. 256p. fotos. ISBN 978-85-60960-00-2