Pilcha

Moacir Milionário pilchado, no Desfile Farroupilha em 2006

Pilcha é a indumentária tradicional da cultura gauchesca, utilizada por homens e mulheres de todas as idades. Tanto no Rio Grande do Sul[1] quanto em Santa Catarina[2] e Paraná, é considerada por lei, traje de honra e de uso preferencial inclusive em atos oficiais públicos, desde que se observe as recomendações ditadas pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG).[3] É a expressão da tradição, da cultura e da identidade própria do gaúcho, motivo de grande alegria e celebração em memória do pago.

A origem vem da roupa típica dos espanhóis. Mais concretamente da região de Andaluzia. Depois, foi ampliando com coisas típicas de cada região.

História

A origem da indumentária gaúcha data entre os séculos XVII e XVIII e é resultado da união de influências históricas, sociais e culturais adaptadas à realidade, ocupação e trabalho campeiro. Historicamente a indumentária gaúcha pode ser dividida em quatro fases, existindo para cada uma a peça feminina correspondente.[4]

O vestido de prenda foi criado na fundação do 35 CTG a partir de 1948 pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) com o propósito de representar a figura feminina gaúcha em harmonia com o traje masculino dos peões. Inspirado em elementos culturais herdados de povos como os açorianos e indígenas, o vestido tornou-se o traje oficial da mulher gaúcha.[5]

Estilo

Peão

O traje do peão inclui a bombacha, geralmente feita de jeans ou tecidos mistos, com tonalidades que vão do claro ao escuro. As estampas costumam ser discretas, podendo ser lisas, listradas ou em xadrez suave. A camisa apresenta cores neutras e é são feitas em materiais como algodão, tricoline, linho ou viscose. O lenço no pescoço, uma peça fundamental no traje, tem geralmente as cores branca, vermelha, verde ou em xadrez miúdo. Estampas floridas não são recomendadas, e o uso da cor preta é somente para ocasiões de luto. As botas devem ser confeccionadas em couro nas cores preta ou marrom. O colete em mangas de cor única deve ser abotoado na parte frontal e possuir fivela para ajuste. A guaiaca, de preferência lisa, pode ter uma ou duas fivelas e deve incluir um bolso destinado ao relógio. Já o chapéu deve seguir os modelos tradicionais, respeitando o formato das "copas" típicas da indumentária gaúcha, evitando o estilo cowboy.[6][4]

Prenda

O traje da prenda deve ser composto, preferencialmente, por um vestido de peça única. As mangas podem ser lisas ou suavemente franzidas, mas nunca volumosas, sendo finalizadas com detalhes como fitas, bordados ou pequenos babados. O comprimento ideal é longo, podendo variar até três quartos ou à altura do cotovelo em eventos mais solenes. Os ombros e o busto devem permanecer cobertos. O vestido pode conter rendas, bordados e apliques, desde que não seja excessivamente ornamentado. Os tecidos recomendados são lisos, com estampas delicadas ou xadrez discreto. As cores indicadas para as meias-calças, para jovens e senhoras são branco ou bege. Os calçados, sejam sapatos ou sapatilhas, devem seguir as tonalidades da cor preta, branca ou bege, com salto médio de até cinco centímetros ou salto baixo. Os cabelos devem estar semi presos ou trançados, adornados com fitas, tiaras ou flores discretas, sem brilho. É desaconselhado o uso exagerado de maquiagem, como sombras e batons vibrantes, cílios artificiais e esmaltes em cores não tradicionais.[4][5]

Ver também

Referências

  1. «Lei Nº 8.813, de 10 de Janeiro de 1989.». Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. 10 de janeiro de 1989. Consultado em 1 de outubro de 2025. Cópia arquivada em 1 de outubro de 2015 
  2. «LEI PROMULGADA Nº 1.124, de 09 de dezembro de 1991. Dispõe sobre o uso de Traje Tradicional no Estado de Santa Catarina» 🔗. Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Consultado em 9 de agosto de 2013. Arquivado do original em 1 de outubro de 2015 
  3. Almeida, Marcus Vinicius (6 de novembro de 2007). Rossi, Marcos, ed. «Pilcha gaúcha pode ser considerada traje oficial - Notícias». Agência Câmara de Notícias. Consultado em 27 de agosto de 2025 
  4. a b c Belles, Leandro (20 de setembro de 2022). «Como a indumentária retrata a história do povo gaúcho». Zero Hora. Consultado em 1 de outubro de 2025 
  5. a b Reolon, Cleici Naira Rios; Oliveira, Natálie Pacheco (26 de dezembro de 2019). «A MODA DO VESTIDO DE PRENDA: DO SURGIMENTO ATÉ OS DIAS ATUAIS». Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul (157). ISSN 2595-7031. Consultado em 1 de outubro de 2025 
  6. Ademir. «DIRETRIZES ATUALIZADA PARA A PILCHA DO GAÚCHO». coxixogaucho.com. Consultado em 27 de junho de 2018 

Ligações externas