Pica-pau-incandescente-vermelho

Pica-pau-incandescente-vermelho
Fêmea
Fêmea
Macho

Macho

Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Piciformes
Família: Picidae
Género: Dinopium
Espécie: D. psarodes
Nome binomial
Dinopium psarodes
(Lichtenstein, AAH, 1793)
Sinónimos
Dinopium benghalense psarodes

Brachypternus ceylonus (Legge, 1880)

Pica-pau-incandescente-vermelho (Dinopium psarodes)[2] é uma espécie de ave da família Picidae. É endêmica do Sri Lanka, ausente apenas no extremo norte.[3] Por vezes, é considerada uma subespécie do pica-pau-incandescente-indiano.[4][5]

Filogenia

Pintura de John Gerrard Keulemans, identificada como Brachypternus ceylonus, datada de 1878.
Macho de forma híbrida vermelho-alaranjada, presumivelmente filhote. A cor laranja é visível, indicando hibridização.

Considerada uma espécie endêmica desde a época de William Vincent Legge,[5] foi inicialmente classificada no gênero Brachypternus como B. ceylonus.[4] Mais tarde, foi agrupada como subespécie do pica-pau-incandescente-indiano (Dinopium benghalense), sob o nome D. benghalense psarodes. Um estudo conduzido por Sampath S. Seneviratne, Darren E. Irwin e Saminda P. Fernando elevou-a ao status de espécie plena.[4]

Esse estudo revelou que o pica-pau-incandescente-vermelho hibridiza com o pica-pau-incandescente-indiano. A hibridização é mais comum ao norte de uma linha que vai do distrito de Trincomalee [en] até a base da lagoa de Puttalam [en] e ao sul de uma linha entre o distrito de Mullaitivu [en] e o distrito de Mannar [en].[5][4] Fora dessa zona, a hibridização é menos frequente, com o pica-pau-incandescente-indiano predominando ao norte e o pica-pau-incandescente-vermelho ao sul.[4][5] Trata-se de um caso de inferioridade híbrida, em que as espécies puras têm maior sucesso que os híbridos.[5]

É uma das três espécies de pica-paus de cor vermelha encontradas apenas no Sri Lanka e nas Filipinas. É também a única espécie vermelha do gênero Dinopium.[5] As outras espécies vermelhas são o pica-pau-sultão-do-ceilão [en] (Chrysocolaptes stricklandi) do Sri Lanka e o pica-pau-sultão-de-lução [en] (C. haematribon) das Filipinas (exceto o pica-pau-sultão-de-faces-amarelas [en] (C. xanthocephalus), que é majoritariamente amarelo).[5] Esse traço análogo (um traço compartilhado por convergência evolutiva, indicando que evoluíram de forma semelhante independentemente devido a pressões evolutivas similares) sugere que alguma pressão evolutiva no Sri Lanka e nas Filipinas levou seus pica-paus endêmicos a desenvolverem a cor vermelha. Não são reconhecidas subespécies.[3]

Descrição

Cabeça de uma fêmea, mostrando claramente as manchas na testa e píleo frontal, listras entre o olho e a nuca, e manchas na garganta.

Mede cerca de 28 cm de comprimento.[3] Predominantemente carmesim, com bordas traseiras das asas pretas. As partes inferiores são brancas com marcas pretas difusas. O peito e o pescoço são pretos, com manchas brancas na garganta e listras brancas no peito. Uma faixa ocular preta se estende até a nuca e se difunde na parte superior do dorso, com listras brancas entre o olho e o pescoço. Possui um píleo vermelho, mas nas fêmeas a testa e o píleo frontal são pretos com manchas brancas. O olho fica camuflado na faixa ocular preta. O bico, de tamanho moderado, é cinza e forma uma ponta rombuda. Os filhotes são mais opacos, com marcas menos definidas; os machos têm manchas brancas no píleo, enquanto as fêmeas têm poucas ou nenhuma mancha.[3] Híbridos podem ser majoritariamente vermelhos com tons de laranja ou amarelo (mais próximos do pica-pau-incandescente-vermelho) ou majoritariamente amarelos com vermelho ou laranja (mais próximos do pica-pau-incandescente-indiano).

Habitat

Seus habitats naturais incluem florestas subtropicais ou tropicais secas, florestas úmidas de terras baixas e florestas de mangue, além de ambientes artificiais como jardins residenciais. Pode ser avistado a até 1500 m de altitude. É mais comum na zona seca, mas prefere ambientes úmidos.[3]

Comportamento e ecologia

Vocalização e sons

Sua vocalização é um relincho agudo, menos musical e mais estridente que o do D. benghalense. Pode ser um ritmo contínuo como "woik-woik-wik-wi-ti-ti-t-t t-t-trrrrrr!" ou um repetitivo "woik-tri-tri-tri-tri-tri-tri-tri-!", que dura cerca de três segundos.[3][2][6] Seu tamborilar é monótono, durando de 0,8 a 1,5 segundos.[3]

Forrageamento

Dieta

Sua principal fonte de alimento são formigas, com preferência pelo gênero Camponotus, além de formigas do gênero Meranoplus e pupas e larvas de formigas Oecophylla smaragdina.[3] Outros invertebrados consumidos incluem aranhas, lagartas, gorgulhos e besouros. Ocasionalmente, alimenta-se de frutas, como fonte de fibra alimentar e outros nutrientes.[3]

Comportamento de forrageamento

Utiliza a cauda como apoio para escalar árvores e voa em um padrão ondulante de bater asas e planar. Invade ninhos foliares de formigas Oecophylla smaragdina nas árvores, mas desce ao solo para acessar ninhos de formigas terrestres.[3] Forrageia sozinho, em pares ou em grupos familiares, frequentemente unindo-se a bandos de forrageamento multiespécies, como outros pica-paus do gênero Dinopium.[3]

Reprodução

Fêmea escavando uma cavidade para ninho ou forrageando.
Escalando uma árvore.

Escava buracos para ninhos em alturas variadas. Essas cavidades, construídas apenas por pica-paus, membros da família Megalaimidae e outros Piciformes, servem como locais de nidificação para outras aves que utilizam cavidades, como papagaios, que não conseguem escavar suas próprias.[5] Às vezes, reproduz-se duas vezes por temporada, mas geralmente põe apenas uma ninhada. O período de reprodução vai de dezembro a setembro, com picos entre agosto e setembro e de fevereiro a junho. Cada ninhada contém dois a três ovos.[3]

Conservação

Está classificado como espécie pouco preocupante na Lista Vermelha da IUCN, devido a uma população estável, embora de tamanho desconhecido, e por ser comum a localmente comum em sua área de distribuição relativamente pequena. Não foram identificados declínios ou ameaças.[7] É muito comum, sendo um dos endêmicos "frequentes" no Sri Lanka, junto com a galinha-selvagem do Sri Lanka, o lorito-cingalês [en] e o barbichas-cingalês [en].[2] É a espécie de pica-pau mais comum no Sri Lanka.[2][8]

Referências

  1. International), BirdLife International (BirdLife (1 de outubro de 2016). «IUCN Red List of Threatened Species: Dinopium psarodes». IUCN Red List of Threatened Species. Consultado em 22 de fevereiro de 2021 
  2. a b c d Wijeyaratne, Gehan (2020). A Naturalist's Guide to the Birds of Sri Lanka. [S.l.]: John Beaufoy Publishing. ISBN 9781913679002 
  3. a b c d e f g h i j k l Del Hoyo, Josep; Collar, Nigel; Christie, David (4 de março de 2020). «Red-backed Flameback (Dinopium psarodes)». Birds of the World (em inglês). doi:10.2173/bow.bkrfla2.01 
  4. a b c d e Fernando, S.P.; Irwin, D.E.; Seneviratne, S.S. (2016). «Phenotypic and genetic analysis support distinct species status of the Red-backed Woodpecker (Lesser Sri Lanka Flameback: Dinopium psarodes) of Sri Lanka». The Auk. 133 (3): 497–511. doi:10.1642/AUK-15-233.1 
  5. a b c d e f g h Wildlife and Nature Protection Society (24 de fevereiro de 2021), From Woodies to Plovers: an untold story of our national identity. Dr Sampath S. Seneviratne, consultado em 14 de abril de 2025 
  6. «Red-backed Flameback - eBird». ebird.org (em inglês). Consultado em 21 de fevereiro de 2021 
  7. International), BirdLife International (BirdLife (1 de outubro de 2016). «IUCN Red List of Threatened Species: Dinopium psarodes». IUCN Red List of Threatened Species. Consultado em 22 de fevereiro de 2021 
  8. «Woodpeckers of Sri Lanka». AmazingLanka.com (em inglês). 23 de maio de 2015. Consultado em 22 de fevereiro de 2021 

Ligações externas