Phyllomedusa

Phyllomedusa
Classificação científica
Reino: Animalia
Divisão: Cordados
Classe: Anfíbios
Ordem: Anura
Família: Phyllomedusidae
Género: Phyllomedusa
Distribuição geográfica

Sinónimos
Pithecopus Cope, 1866
Bradymedusa Miranda-Ribeiro, 1926

Phyllomedusa é um gênero de perereca da América Central e do Sul que vive na região entre a Costa Rica até o sul da Argentina. Esse gênero possui 32 espécies.[1] Em 2006, o gênero Phyllomedusa era composto por 28 espécies válidas, a maioria delas distribuídos em grupos de espécies: grupo P. burmeisteri; grupo P. hypochondrialis; grupo P. buckleyi; grupo P. perinesos e grupo P. tarsiana.

O grupo da espécies P. hypochondrialis foi redefinido por Caramaschi (2006) baseado em caracteres externos, osteologia e larvas, e considerou-se a ser composto por nove espécies: P. ayeaye, P. azurea, P. centralis, P. hypochondrialis, P. megacephala, P. nordestina, P. oreades, P. palliata e P. rohdei.[2][3] Ao se sentirem ameaçadas emitem um som característico, muito parecido com o de filhote de gatos.[carece de fontes?]

Reprodução

Neste gênero de pererecas, os ovos são depositados sobre uma superfície da folha, intercalados com cápsulas de geléia hidratante. Durante o processo de acasalamento, a perereca dobra a folha em torno de seus ovos utilizando seus membros, com um lacre de uma substância pegajosa (geléia) na parte inferior da folha dobrada para evitar que os ovos caiam. No final da incubação o lacre de geléia é liquefeito, que deixa os girinos cairem através do buraco previamente ligado. Estes ninhos são feitos acima da água, então quando isso ocorre (quebradura do lacre) a queda de girinos acontece no habitat apropriado e eles começam suas vidas aquáticas como filtradores.[4]

Secreção

Algumas espécies de Phyllomedusa produzem uma secreção de cera que reduz a perda de água por evaporação de seus corpos, impedindo assim que elas sequem.[5]

Alguns grupos indígenas da América do Sul utilizam as secreções de Phyllomedusa bicolor em xamânica nas práticas de caça. A substância, se diz, intoxica os índios que ingerem a cera, fazendo com que eles temporariamente melhorem suas capacidades sensoriais.[6][7] Essas secreções da pele são conhecidas como dermaseptin. Dermaseptin é uma classe de peptídeo antimicrobiano presente em pererecas do gênero Phyllomedusa.[8]

Classificação científica

O site Amphibian Species of the World, versão 6.2, considera a existência de 16 espécies de Phylomedusa:[9]

Nome científico e autoridade Imagem
Phyllomedusa bahiana Lutz, 1925
Phyllomedusa bicolor (Boddaert, 1772)
Phyllomedusa boliviana Boulenger, 1902
Phyllomedusa burmeisteri Boulenger, 1882
Phyllomedusa camba De la Riva, 1999
Phyllomedusa chaparroi Castroviejo-Fisher, Köhler, De la Riva, and Padial, 2017
Phyllomedusa coelestis (Cope, 1874)
Phyllomedusa distincta Lutz, 1950
Phyllomedusa iheringii Boulenger, 1885
Phyllomedusa neildi Barrio-Amorós, 2006
Phyllomedusa sauvagii Boulenger, 1882
Phyllomedusa tarsius (Cope, 1868)
Phyllomedusa tetraploidea Pombal and Haddad, 1992
Phyllomedusa trinitatis Mertens, 1926
Phyllomedusa vaillantii Boulenger, 1882
Phyllomedusa venusta Duellman and Trueb, 1967


Biopirataria

Essas espécies muitas vezes são alvo da biopirataria pois produzem secreções de substâncias que despertam interesses para o desenvolvimento de medicamentos, face à sua utilização medicinal entre índios da Amazônia, seringueiros, e mais recentemente por "curandeiros" nos centros urbanos.

Ver também

Referências

  1. Brandão, Reuber (6 de abril de 2010). «Pererecas das nascentes». Consultado em 25 de novembro de 2011 
  2. BOLETIM DO MUSEU NACIONAL - NOVA SÉRIE RIO DE JANEIRO - BRASIL- ISSN 0080-312X (ZOOLOGIA 524 18 DE DEZEMBRO DE 2006) ULISSES CARAMASCHI, CARLOS ALBERTO G. CRUZ e RENATO N. FEIO
  3. «Plazi TreatmentBank». publication.plazi.org (em inglês). Consultado em 30 de junho de 2025 
  4. Woehl Jr., Germano; Elza Nishimura Woehl. «Anfíbios da Mata Atlântica». Consultado em 25 de novembro de 2011 
  5. Bernarde, Paulo Sérgio; Rosimeyri Aparecida Santos (22 de maio de 2009). «Utilização medicinal da secreção ("vacina-do-sapo") do anfíbio kambô (Phyllomedusa bicolor) (Anura: Hylidae) por população não-indígena em Espigão do Oeste, Rondônia, Brasil» (PDF). Consultado em 25 de novembro de 2011 
  6. Baêta, D.; Caramaschi, U.; Cruz, C.A.G.; Pombal, J.P., jr. 2009: Phyllomedusa itacolomi Caramaschi, Cruz & Feio, 2006, a junior synonym of Phyllomedusa ayeaye (B. Lutz, 1966) (Hylidae, Phyllomedusinae). Zootaxa, 2226: 58-65. Abstract & excerpt
  7. The status of the amphibian nomina created by Merrem (1820) and Ritgen (1828).Dubois, A. 2009: Zootaxa, 2247: 1-36. Abstract & excerpt
  8. Dermaseptins from Phyllomedusa oreades and Phyllomedusa distincta - ANTI-TRYPANOSOMA CRUZI ACTIVITY WITHOUT CYTOTOXICITY TO MAMMALIAN CELLS [[1]]
  9. «Phyllomedusa Wagler, 1830 | Amphibian Species of the World». amphibiansoftheworld.amnh.org. Consultado em 30 de junho de 2025