Phaenomys ferrugineus
Phaenomys ferrugineus[1]
| |||||||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Estado de conservação | |||||||||||||||||
![]() Vulnerável (IUCN 3.1) [2] | |||||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||||
| |||||||||||||||||
| Nome binomial | |||||||||||||||||
| Phaenomys ferrugineus (Thomas, 1894) | |||||||||||||||||
Phaenomys ferrugineus é uma espécie de mamífero da família Cricetidae. É a única espécie descrita para o gênero Phaenomys. Endêmico do Sudeste Brasil, onde pode ser encontrada na Serra do Mar nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo.[2]
A espécie foi descrita pelo naturalista britânico Oldfield Thomas, em 1894, a partir de espécimes coletados na Serra dos Órgãos, no estado do Rio de Janeiro. Desde então um número baixíssimo de indivíduos foram registrados e observados em seu habitat natural, o que torna o conhecimento de sua ecologia e comportamento bem limitado.
Phaenomys ferrugineus, tem como habitat as florestas ombrófilas densas de altitude, em regiões montanhosas da Serra do Mar e Mantiqueira, podendo ser encontrado principalmente nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. A espécie é considerada rara e possui distribuição geográfica restrita, o que torna seu estado de conservação preocupante.
Descrição morfológica
O corpo do Phaenomys ferrugineus mede entre 120 e 160mm. Entretanto a cauda é maior que o corpo medindo algo em torno de 187 e 220mm.
A pelagem é castanho-avermelhada (ferrugínea), sendo mais escura (em tons ferrugíneos) na região dorsal, as laterias do animal tem tons mais claros e ventre com tons de branco com amarelo claro. Os pelos do dorso e das laterais tem base acizentada, enquanto os do ventre e das superfícies internas dos membros são inteiramente brancos, o que cria um região bem definida entre as regiões. As superfícies das patas exibem tons ferrugíneos, com pelos de base clara. As orelhas são escuras, com parte proximal revestida por pelos semelhantes ao do dorso. A cauda é de cor cinza-escura uniforme, com pelos curtos que não cobrem as escamas. O Phaenomys ferrugineus possui quatro pares de mamas distribuídos na região peitoral, pós-axial, abdominal e inguinal.
Internamente, apresenta 12 vertebras torácicas, 7 lombares, 4 sacrais e seis ossos no esterno. A segunda vertebra do pescoço tem uma projeção óssea baixa e alongada, que não chega a tocar a vertebra seguinte. Entretanto a segunda vertebra tem uma projeção bem cumprida (característica comum à roedores sigmodontídeos), cerca de duas vezes e meia maior que a terceira vertebra. As últimas vertebras possuem projeção superiores laterais curtas e largas, em forma de asa e projeções superiores baixas, largas e inclinadas para frente.
O crânio apresenta formato subretangular e alongado, com cristas frontais bem desenvolvidas que se estendem até a região supraorbital, interrompendo-se antes da sutura coronal. Diferente do padrão comum em sigmodontíneos, essas cristas percorrem a lateral das órbitas, delimitando uma depressão mediana no osso frontal. A região interorbital é larga e as órbitas, reforçadas por lacrimais evidentes,pouco se projetam além da base craniana. Parietais alongados e um interparietal amplo reforçam o aspecto compacto do crânio.
Na região rostral, observam-se fissuras nasolacrimais amplas e conchas nasais bem formadas. Os forames incisivos são extensos e alcançam as raízes anteriores do primeiro molar. Os arcos zigomáticos são robustos e o processo hamular, muito desenvolvido, reduz significativamente as aberturas adjacentes. O palato é liso e curto, com fileiras de forames pareados, e a fossa mesopterigóide, em forma de lira, penetra até o plano do terceiro molar. As capsulas timpânicas são pequenas, com canal carotídeo e forame estapedial bem definidos, separadas por um basioccipital largo e carenado.
A mandíbula é forte e exibe ampla área de inserção para o músculo pterigoideo medial, além de incisivos e molares robustos. Os incisivos são opistodontes, com fissura dentária curta e reta. Os molares são braquiodontes e cristados, comm cúspides opostas em M1/m1 e alternância gradual nos dentes posteriores. O procíngulo de M1 é largo, com dois cônulos desiguais, e o cíngulo de esmalte delimita as flexuras labiais e linguais. Nos molares inferiores, destacam-se o mesolofídeo e o hipolofídeo bem desenvolvidos, enquanto m3 apresenta formato sigmoide e estrutura mais simples, com cíngulo anterolabial saliente.
Distribuição e habitat
O Phaenomys ferrugineus é uma espécie de roedor, endêmica do Brasil, que pode ser encontrado na Mata Atlântica em florestas úmidas de altitude, entre 900 e 1600 metros acima do nível do mar, no sudeste do Brasil. A ocorrência da espécie foi confirmada na Serra dos Órgãos (Rio de Janeiro), Serra da Bocaina (São Paulo), e em Teresópolis, com potenciais ocorrências também em Minas Gerais.
O habitat em questão é composto por vegetação densa e úmida, o que favorece o modo de vida arborícola.
Ecologia e comportamento
Devido à raridade da espécie, e poucos avistamentos na natureza, Pouco se sabe sobre o comportamento e os hábitos da espécie. Entretanto a morfologia de Phaenomys ferrugineus, indica que seja uma espécie predominantemente arborícola. O comportamento alimentar não foi diretamente observado, mas assim como outros sigmodontídeos florestais, acredita-se que se alimente de frutas, sementes e pequenos invertebrados.
Conservação
O Phaenomys ferrugineus é considerado ameaçado de extinção, devido à sua distribuição geográfica limitada, do pequeno número de registros conhecidos e da degradação da Mata Atlântica, habitat da espécie.
Estudos recentes mostram a importância de novas coletas e analises genéticas, a fim de compreender a sua posição filogenética dentro dos sigmodontídeos e assim embasar estratégias de conservação.
Referências
- ↑ Musser, G.G. (2005). «Superfamily Muroidea». In: Wilson, D.E.; Reeder, D.M. Mammal Species of the World 3º ed. Baltimore: Johns Hopkins University Press. ISBN 978-0-8018-8221-0. OCLC 62265494
- ↑ a b Bonvicino, C.; Percequillo, A. (2008). Phaenomys ferrugineus (em inglês). IUCN 2014. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN. 2014. Página visitada em 30 de dezembro de 2014..
3. PARDIÑAS, Ulyses FJ et al. Nuevos datos morfológicos y una hipótesis filogenética para Phaenomys (Rodentia, Cricetidae). Mastozoología neotropical, v. 21, n. 2, p. 251-261, 2014.https://www.scielo.org.ar/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0327-93832014000200006
4. Guia dos Roedores do Brasil, com chaves para gêneros baseadas em caracteres externos / C. R. Bonvicino, J. A. Oliveira, P. S. D’Andrea. - Rio de Janeiro: Centro Pan-Americano de Febre Aftosa - OPAS/OMS, 2008. 120 p.: il. (Série de Manuais Técnicos, 11)
5. Distribuição geografica de Phaenomys ferrugineushttps://www.researchgate.net/publication/262552149_On_the_geographical_distribution_of_Phaenomys_ferrugineus_Thomas_Rodentia_Muridae
6. Panorama geral sobre Phaenomys ferrugineus
https://www.researchgate.net/publication/314207194_Phaenomys_ferrugineus
