Pfaffia jubata

Pfaffia jubata
Pfaffia jubata (Martius, 1826)
Pfaffia jubata (Martius, 1826)
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Filo: Streptophyta
Classe: Equisetopsida
Subclasse: Magnoliidae
Ordem: Caryophyllales
Família: Amaranthaceae
Gênero: Pfaffia (Martius, 1826)
Espécie: P. jubata
Nome binomial
Pfaffia jubata
(Martius, 1826) [1]
Sinónimos
Gomphrena jubata (Mart.)  Moq. basônimo[2]


Pfaffia jubata é uma planta herbácea pertencente a família Amaranthaceae, endêmica do Brasil, popularmente conhecida por marcela-branca, marcela- do-campo, corango-de-juba e, na língua carajá (inyrybè), por kytertenim.[3]

Etimologia

Pfaffia – uma homenagem ao físico e químico alemão, Johann Friedrich Pfaff (1774-1852).

Jubata – epíteto provém do latim jubatus, semelhante a uma crina. Uma referência a inflorescência muito vilosa.

Distribuição geográfica

Pfaffia jubata ocorre em campos secos de cerrado e campos rupestres, no norte (Rondônia e Tocantins), nordeste (Bahia e Ceará), centro-oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), sudeste (São Paulo e Minas Gerais) e no sul (Paraná) do Brasil, em altitudes que variam de 500 a 1.700 metros.[4][5]

Morfologia

Pfaffia jubata é uma herbácea a subarbustiva com 10 a 20 cm de altura, ereta ou ascendente, de caule ramoso, estriado e densamente viloso; a raiz é lenhosa; as folhas são lanceoladas a linear-lanceoladas, com 1,5 a 5 cm × 0,4 a 1,6 cm, sésseis, de ápice acuminado a cuspidado e base decurrente ou aguda, a face adaxial é densamente vilosa, flavescente a ferrugínea, a face abaxial é densamente tomentosa. Inflorescência em espiga, isolada, simples, terminal, de pedúnculo longo, com 6,5 a 15 cm de comprimento, piloso, com tricomas patentes, ferrugíneos, articulados e ráquis subinflada e vilosa. Bráctea mediana ovalada a ovalada-lanceolada, de ápice acuminado, uninervada, nervura proeminente, escura, vilosa, com 3,5 a 4 µm de comprimento, brácteas laterais ovaladas, ápice agudo a acuminado, uninervadas, nervura proeminente, escura, vilosa no ápice , com 4 a 5 µm de comprimento. Sépalas lanceoladas, trinervadas, sendo a principal proeminente, vilosas, de 6 a 7,5 µm de comprimento. O tubo estaminal é bem menor que as sépalas, de margem ciliada, com os filamentos laterais ciliados ou fimbriados, o filamento anterífero filiforme, anteras oblongas, com 1,5 a 2 µm comprimento. Ovário oblongo, 1,5 a 2 µm de comprimento, estigma capitado.[6]

Ecologia

Pfaffia jubata (Martius, 1826) ocorre em campos secos de cerrado e campos rupestres, em solos arenosos, entre 500 a 1.700 metros de altitude, em solos arenosos, em cinco províncias biogeográficas: Amazônica, Atlântica, Caatinga, Cerrado e Paraense.[5] Embora os campos rupestres, um ecossistema exclusivamente brasileiro, representem menos de 3% da área do Cerrado e da Caatinga, eles abrigam, de forma exclusiva, uma parte muito significativa das espécies vegetais desses biomas. Os efeitos do fogo sobre campo rupestre (em afloramentos rochosos e areia quartzítica) e sobre cerrado (formações de Cerrado em latossolo) constituem um fator natural determinante da vegetação, tendo estimulado o aparecimento recente e in situ de um grande número de adaptações por parte dos vegetais.[7] Pfaffia jubata apresenta órgãos subterrâneos de consistência tuberosa e síndrome de dispersão anemocórica. Seu sistema subterrâneo é na maior parte radicular, porém há também uma parte subterrânea caulinar, de tamanho variável, na qual ocorrem gemas endógenas e exógenas. O parênquima nas raízes não contém amido, mas drusas de oxalato de cálcio. A espécie apresenta brotação e floração rápida logo após a queimada dos campos.[8] Após a floração, a espécie permanece com os ramos e folhas por uns meses, depois desaparecendo também, permanecendo apenas a parte subterrânea.[9]

Referências

  1. Martinus, Karl Friedrich Philip von (1826). Nova genera et species plantarum. 2. Munique: Typis C. Wolf. pp. 148 p., il., 100 grav. 
  2. Moquin-Tandon, H. B. A. (1849). Candolle, Alphonse de, ed. Prodromus systematis naturalis regni vegetabilis, sive, Enumeratio contracta ordinum generum specierumque plantarum huc usque cognitarium, juxta methodi naturalis, normas digesta. 13. Paris: Victoris Masson. p. 389 
  3. Senna, L. R. «Pfaffia jubata». Flora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Consultado em 4 de julho de 2025 
  4. Marchioretto, M. S.; Miotto, S. T. S.; Siqueira, J. C. de (2009). Padrões de distribuição geográfica das espécies brasileiras de Pfaffia (Amaranthaceae). Rodriguésia. 60. [S.l.: s.n.] p. 667–681. doi:10.1590/2175-7860200960312 
  5. a b Marchioretto, Maria Salete (2008). Os gêneros Hebanthe Mart. e Pfaffia Mart. (Amaranthaceae) no Brasil. Tese (Tese de Doutorado). Porto Alegre, RS: Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS. 255 páginas 
  6. Marchioretto, M. S.; Miotto, S. T. S.; Siqueira, J. C. de (2010). «O gênero Pfaffia Mart. (Amaranthaceae) no Brasil». Hoehnea. 37 (3): 461–511. doi:10.1590/S2236-89062010000300004 
  7. Alves, R. J. V.; Kolbek, J. (2009). «Can campo rupestre vegetation be floristically delimited based on vascular plant genera?». Plant Ecology. 207 (1): 67–79. doi:10.1007/s11258-009-9654-8 
  8. Warming, Eugenius (1908). Lagoa Santa: Contribuição para a geographia phytobiologica. Belo Horizonte: Imprensa Official do Estado de Minas Geraes. 282 páginas 
  9. Menezes, N. L. de; Handro, W.; Mello Campos, J. F. B. de (1969). «Estudos Anatômicos em Pfaffia jubata Mart». São Paulo, Brasil: Departamento de Botânica da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, Universidade de São Paulo. Boletim da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras nº 331: Botânica. 24: 195–237. doi:10.11606/issn.2318-5988.v24i0p195-237