Persoonia longifolia

Persoonia longifolia
Perto de Nannup [en]
Perto de Nannup [en]
Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: Planta vascular
Clado: Angiosperma
Clado: Eudicotyledoneae
Ordem: Proteales
Família: Proteaceae
Gênero: Persoonia
Espécie: P. longifolia
Nome binomial
Persoonia longifolia
R.Br.[1]
Sinónimos[1]
  • Linkia articulata (R.Br.) Kuntze
  • Linkia longifolia (R.Br.) Kuntze
  • Persoonia articulata R.Br.
Casca
Flores

Persoonia longifolia[2] é uma espécie de planta com flores da família Proteaceae, endêmica do sudoeste da Austrália Ocidental. Trata-se de um arbusto ou pequena árvore caracterizada por sua folhagem pendente, flores amarelas e casca distintamente escamosa.

Descrição

Persoonia longifolia é um arbusto ereto ou pequena árvore que geralmente atinge de 1 a 5 metros de altura, normalmente com um único tronco principal. Sua casca é escamosa e semelhante a papel, de cor marrom ou acinzentada na superfície e roxo-avermelhada por baixo. Os ramos jovens são cobertos por pelos marrons a cor de ferrugem. As folhas têm formato linear a lanceolado, com a extremidade mais estreita voltada para a base, medindo de 80 a 200 mm de comprimento e de 2 a 16 mm de largura. As flores aparecem em grupos de até trinta, sustentadas por hastes de até 70 mm de comprimento próximas às extremidades dos ramos, cada flor com um pedicelo de 4 a 12 mm. As tépalas são amarelas e têm de 10 a 16 mm de comprimento. A floração ocorre de outubro a janeiro, e o fruto é uma drupa lisa, com 7,5 a 10 mm de comprimento e 6 a 7,5 mm de largura, amadurecendo a partir de julho e contendo uma única semente.[2][3][4][5][6]

Taxonomia e nomenclatura

Persoonia longifolia foi descrito pela primeira vez em 1810 por Robert Brown na publicação Transactions of the Linnean Society of London.[7][8] O nome da espécie vem dos termos em latim longus ("longo") e folium ("folha").[9] Dentro do gênero Persoonia, é classificado no grupo Lanceolata, que reúne 54 espécies estreitamente relacionadas, com flores semelhantes, mas folhagens muito distintas. Essas espécies frequentemente se cruzam onde duas delas coexistem.[3]

Distribuição e habitat

Persoonia longifolia é encontrado no sudoeste da Austrália Ocidental, a até 70 km da costa, entre Albany e as bordas sudeste de Perth.[2][4] Ocorre nas florestas de Eucalyptus marginata, Eucalyptus diversicolor, Corymbia calophylla e Eucalyptus jacksonii.

Ecologia

Persoonia longifolia regenera-se após incêndios a partir de brotos epicórmicos e do lignotúber, muitas vezes meses depois do evento.[6]

Um estudo sobre a fenologia dessa espécie concluiu que ela cresce, floresce e produz frutos no verão. Ramos jovens frequentemente sofrem danos causados por larvas da mariposa Ptyssoptera [en] e por aves como a cacatua-negra-de-cauda-vermelha (Calyptorhynchus banksii) e o periquito-de-colar-amarelo (Barnardius zonarius). A floração começa em outubro e termina em janeiro, com pico em novembro e dezembro. Os únicos polinizadores observados no estudo foram abelhas nativas e a abelha-europeia introduzida.[6]

Os frutos maduros caem entre o final de julho e setembro e são frequentemente consumidos por cangurus e o lagarto Tiliqua rugosa. Se não forem tocados por animais, a parte carnosa do fruto apodrece ou seca e encolhe. A germinação ocorre no final do inverno até o início da primavera, a partir de frutos da temporada anterior, mas o microclima parece ser um fator crucial na taxa de germinação. Mesmo quando ocorre, poucos sobrevivem, com a maioria das mudas sucumbindo à dessecação ou ao pastoreio.[6]

Estado de conservação

Essa espécie é classificada como "não ameaçada" pelo Departamento de Parques e Vida Selvagem do governo da Austrália Ocidental.[2]

Usos

Além de ser utilizada na restauração de áreas de mineração, P. longifolia é valorizado no comércio de flores de corte por sua aparência pendente e durabilidade. Também tem potencial no mercado de viveiros devido ao seu hábito simétrico, folhagem pendente e casca escamosa texturizada, embora estudos indiquem que a germinação das sementes requer pelo menos dezoito meses de enterramento no solo.[6]

Referências

  1. a b «Persoonia longifolia». Australian Plant Census. Consultado em 23 de setembro de 2020 
  2. a b c d «Persoonia longifolia». FloraBase (em inglês). Departamento de Ambiente e Conservação (florabase.dec.wa.gov.au) do Governo da Austrália Ocidental 
  3. a b Weston, Peter H. (2003). «Proteaceae subfamily Persoonioideae». Australian Plants. 22 (175): 62–78 
  4. a b Weston, Peter H. «Persoonia longifolia R.Br.». Australian Biological Resources Study, Department of Agriculture, Water and the Environment: Canberra. Consultado em 23 de setembro de 2020 
  5. Weston, Peter H. (1994). «The Western Australian species of subtribe Persooniinae (Proteaceae: Persoonioideae: Persoonieae)». Telopea. 6 (1): 95–98. Consultado em 2 de novembro de 2021 
  6. a b c d e Chia, Kerryn A.; Koch, John M.; Sadler, Rohan; Turner, Shane R. (2015). «Developmental phenology of Persoonia longifolia (Proteaceae) and the impact of fire on these events». Australian Journal of Botany. 63 (5): 415–425. doi:10.1071/BT14315 
  7. «Persoonia longifolia». APNI. Consultado em 23 de setembro de 2020 
  8. Brown, Robert (1810). «On the Proteaceae of Jussieu.». Transactions of the Linnean Society of London. 10 (1): 164. Consultado em 23 de setembro de 2020 
  9. Simpson DP (1979). Cassell's Latin Dictionary 5 ed. London: Cassell Ltd. ISBN 0-304-52257-0 

Ligações externas

  • Wheeler, Judy (2003). Common Trees of the South-West Forests. [S.l.]: Department of Conservation and Land Management (CALM). ISBN 0-7309-6961-4 
  • Powell, Robert (1990). Leaf and Branch: Trees and Tall Shrubs of Perth. Perth, Western Australia: Department of Conservation and Land Management (CALM). ISBN 0-7309-3916-2