Perozamato

Perozamato
NacionalidadeImpério Sassânida
OcupaçãoNobre

Perozamato (em latim: Perozamatus) ou Perozamate (em armênio: Պերոզամատ, Perozamat) foi um suposto nobre parta do século III, ancestral da família Camsaracânio. Sua vida é citada exclusivamente por Moisés de Corene.

Nome

Perozamato (Perozamatus)[1] é a forma latina do armênio Perozamate (Պերոզամատ, Perozamat), que é formado por Peroz + -āmat (do persa médio -amad, "veio"[2]). Peroz (Պերոզ) derivou do persa médio Peroz (𐭯𐭩𐭫𐭥𐭰, Pērōz), "Vitorioso",[3] que derivou do persa antigo Pariauja (*Pariaujah; de *pari, "em torno", e *aujah, "força, poder").[4] Foi registrado em parta como Peroze (Pērōž), em persa novo como Piruz (پیروز, Pīrūz), em árabe como Firuz (فَيْرُوز, Fīrūz), em georgiano como Peroze / Peroz (პეროჟ / პეროზ, Pʼerož / Pʼeroz)[5][6] e em grego como Perozes (Περόζης / Περώζης, Perózēs / Perṓzēs).[7][8]

Vida

Dracma de Artaxer I (r. 224–242)

De acordo com Moisés de Corene, Perozamato vivia no século III. Anacronicamente, o cronista alegou que era contemporâneo do xainxá Artaxer I (r. 224–242) do Império Sassânida e do rei Cosroes II (r. 279/80–287), pai do futuro Tiridates IV (r. 298–330).[9][a] No relato, alega-se que Perozamato foi resgatado por Borzo quando garoto, do suposto massacre de sua família (a Casa de Carano) encomendado pelo xainxá em retaliação ao apoio deles ao Artabano IV (r. 208–224), uma afirmação contradita pela evidência epigráfica do período em questão.[10] Quando chegou à puberdade, supostamente foi estabelecido por Artaxer na posição de seu pai e foi colocado no comando do exército para fazer guerra contra os bárbaros. Diz-se que era um homem valente, adepto da guerra. Ao derrotar Vezurco Cacano,[b] o último deu-lhe sua filha em casamento. Perozamato teve várias mulheres, parentes de Artaxer, e muitos filhos poderosos que mantiveram regiões sob seu controle. Embora estimado por Artaxer, ele não podia vê-lo.[11] Na morte de Artaxer, não se submeteu a seu filho Sapor I (r. 240–270) e derrotou-o no curso de várias batalhas. Perozamato foi envenenado por um dos amigos do xainxá e foi sucedido por seu filho Camisares.[12]

Notas

[a] ^ A cronologia de Moisés de Corene exacerba os reinados dos xainxás do Império Sassânida. Artaxer I (r. 224–242), em particular, segundo o cronista, reinou até ao menos o reinado do imperador Carino (r. 283–285), a quem supostamente derrotou em combate. Por conseguinte, assumiu que Sapor I (r. 240–270), filho de Artaxer I, ascendeu pouco depois da suposta divisão da Armênia entre seu pai e o imperador Probo (r. 276–281).[13]
[b] ^ Moisés de Corene confundiu dois títulos como nomes próprios de um governante. Vezurco (Vezurcus; վզւրկ, vzurk) deriva do persa médio wuzurg, "grande". Cacano (Chachanus; խաքան, Xakʼan), ou grão-cã, é um título turcomano para "grão-senhor".[14]

Referências

Bibliografia

  • Ačaṙyan, Hračʻya (1942–1962). «Պերոզ». Hayocʻ anjnanunneri baṙaran [Dictionary of Personal Names of Armenians]. Erevã: Imprensa da Universidade de Erevã 
  • Fausto, o Bizantino (1989). Garsoïan, Nina, ed. The Epic Histories Attributed to Pʻawstos Buzand: (Buzandaran Patmutʻiwnkʻ). Cambrígia, Massachusetts: Departamento de Línguas e Civilizações Próximo Orientais, Universidade de Harvard 
  • Gignoux, Philippe (1986). «Faszikel 2: Noms propres sassanides en moyen-perse épigraphique». In: Schmitt, Rudiger; Mayrhofer, Manfred. Iranisches Personennamenbuch. Iranische namen in nebenüberlieferungen indogermanischer sprachen. Viena: Academia Austríaca de Ciências 
  • Justi, Ferdinand (1895). Iranisches Namenbuch. Marburgo: N. G. Elwertsche Verlagsbuchhandlung 
  • Moisés de Corene (2006). Thomson, Robert W., ed. History of the Armenians. Ann Arbor, Michigão: Caravan Books 
  • Moisés de Corene (1736). Mosis Chorenensis Historiæ Armeniacæ libri III. Londres: Tipografia de Charles Ackers 
  • Rezakhani, Khodadad (2017). ReOrienting the Sasanians: East Iran in Late Antiquity. Edimburgo: Imprensa da Universidade de Edimburgo 
  • Toumanoff, Cyril (1969). «The Third-Century Armenian Arsacids: A Chronological and Genealogical Commentary». Revue des Études Arméniennes. 6: 233–281