Peirópolis
Peirópolis | |
|---|---|
| Distrito do Brasil | |
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| Localização | |
| Mapa de Peirópolis | |
| Coordenadas | 🌍 |
| Estado | Minas Gerais |
| Município | Uberaba |
| Características geográficas | |
| População total (2020) | 349 hab. |
Peirópolis é um distrito rural pertencente ao município de Uberaba, em Minas Gerais. Situa-se a uma distância de 20 km do centro urbano de Uberaba, sendo acessado principalmente pela rodovia BR-262.[1]
Na região, ocorrem dois sítios paleontológicos: Peirópolis, e Serra da Galga, ambos apresentando ricas faunas de vertebrados e invertebrados do Cretáceo Superior do Brasil. Os depósitos fossilíferos estão localizados em rochas da Formação Marília, Grupo Bauru, e Bacia do Paraná, e são compostos por fósseis de crocodilomorfos, dinossauros e outros répteis, além de anfíbios. Desde 2007, é considerado um dos sítios geológicos do Brasil.[2]
História
Peirópolis desenvolveu-se devido à atuação do empresário Federico Peiró (1859-1915), um imigrante espanhol que se estabeleceu na localidade em 1896.[3] Devido à abundância de rocha calcária na região, Peiró iniciou a construção de caieiras para a extração e queima de cal virgem, utilizando o ramal ferroviário local para escoar os materiais produzidos na área para outras regiões.[4] Na época, a vila era conhecida como "Paineiras" e se destacou como um pequeno centro econômico e religioso com forte influência do espiritismo, doutrina à qual Peiró se converteu.[5] A pequena estação local chamada originalmente de "Cambará", era operada pela "linha do Catalão", e fazia parte da rota entre os municípios de Conquista e Uberaba pertencente à Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, a primeira ferrovia a chegar ao Triângulo Mineiro em 1889.[6]
Em 1924, anos após o falecimento de Peiró, a comunidade local renomeou o bairro como "Peirópolis", em reconhecimento à sua contribuição para o desenvolvimento da região. Com o declínio da exploração de calcário nas décadas seguintes, somado a um fatídico acidente ferroviário ocorrido na região no ano de 1970, as operações do ramal ferroviário para Peirópolis foram encerradas.[7]

Paleontologia

Em meados da década de 1940, a descoberta de fósseis de animais extintos trouxe nova notoriedade à região, quando o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) recebeu informações de que ossos fossilizados haviam sido encontrados durante as obras de retificação de um ramal local da Companhia Mogiana. A serviço do DNPM, o paleontólogo gaúcho Llewellyn Ivor Price (1905-1980) visitou o local em 1946 e, a partir de então, conduziu escavações sistemáticas na região.[8]
Price pesquisou as terras do Triângulo Mineiro e de municípios paulistas vizinhos até 1974. No intervalo de 1949 a 1961, centenas de fósseis do Cretáceo Superior foram encontrados, incluindo dinossauros do grupo dos titanossauros.[9] Na época, todo o acervo de fósseis coletado por ele e sua equipe foi destinado ao Museu de Ciências da Terra, no Rio de Janeiro.[10]
Em 1991, a Prefeitura Municipal de Uberaba empreendeu a restauração do prédio da estação e outras estruturas adjacentes com o objetivo de criar o "Centro de Pesquisas Paleontológicas Llewellyn Ivor Price". No ano seguinte, sob a supervisão do geólogo Luiz Carlos Borges Ribeiro, o centro foi inaugurado. A antiga estação ferroviária foi transformada em um laboratório de preparação de fósseis e abriga um museu paleontológico, aberto ao público, que é vinculado à Fundação Cultural de Uberaba. Além disso, outras construções próximas foram adaptadas como residências para pesquisadores.[11]
Anos mais tarde, precisamente durante as obras de duplicação da rodovia BR-050, entre Uberaba e Uberlândia, em 2004 foram identificados fósseis do Uberabatitan ribeiroi, reconhecido como o maior dinossauro brasileiro. Três indivíduos da espécie foram encontrados na Serra da Galga, e a escavação, concluída em 2006, demandou a remoção manual de aproximadamente 300 toneladas de rochas do Cretáceo e Paleogeno.[12] Em 2011, a mesma área revelou novos achados, incluindo um fêmur de 1,4 metro do Uberabatitan.[13]
No período de 2022 a 2023, Peirópolis foi integrado ao inventário geológico de Uberaba e ao mapa geológico patrimonial do Geoparque de Uberaba. Durante este processo, foram identificados 31 geossítios e locais de geodiversidade da área.[14]
Complexo Cultural e Científico de Peirópolis – CCCP

Entre 2003 e 2004, o Ministério da Ciência e Tecnologia concedeu financiamento para a construção da sede da Rede Nacional de Pesquisas Científicas em Paleontologia em Peirópolis, com o objetivo de preservar os sítios fossilíferos locais e promover a divulgação da paleontologia.[15] O projeto, entretanto, enfrentou problemas e nunca foi efetivamente implantado.[16]
Posteriormente, suas instalações passaram a ser utilizadas para exposições científicas, atividades educativas voltadas a crianças e estudantes de Uberaba e região, além de servir como sede da Associação dos Amigos do Sítio Paleontológico de Peirópolis (AASPP). O edifício também passou a abrigar um auditório para palestras, salas para oficinas e réplicas em tamanho real de animais extintos encontrados na região.[17]
Em 2010, foi criado o Complexo Cultural e Científico de Peirópolis (CCCP), por meio de parceria entre a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais. O complexo integrou a infraestrutura do distrito, que ficou composta por três núcleos musealizados: o Centro de Pesquisas Paleontológicas “Llewellyn Ivor Price” (CPPLIP), o Museu dos Dinossauros e o edifício da AASPP, este último transformado na sede administrativa do CCCP. Em conjunto, esses núcleos passaram a concentrar atividades de pesquisa, ensino, extensão e preservação do patrimônio paleontológico, incluindo mostras de caráter musealizado.[18]
Centro de Pesquisas Paleontológicas “Llewellyn Ivor Price” (CPPLIP)
O CPPLIP realiza pesquisas paleontológicas na região de Peirópolis, apoiando a catalogação e preservação de fósseis, análises paleobiológicas e estudos taxonômicos. O centro participa de projetos de ensino e extensão, divulgação científica e proteção de sítios fossilíferos. Também oferece formação prática a estudantes de graduação, pós-graduação e ensino básico, por meio de atividades em escavações, laboratórios e coleções técnicas.[19]
Museu dos Dinossauros

Instalado na antiga estação ferroviária do distrito, o museu apresenta fósseis originais, réplicas e dioramas em tamanho real que ilustram a fauna e a flora da região na época em que viveram. O espaço inclui laboratórios para pesquisa, exposições internas e externas e um jardim com réplicas de animais em tamanho real.[20]
Em seu acervo, destacam-se fósseis e réplicas do dinossauro gigante Uberabatitan ribeiroi, do crocodilomorfo Uberabasuchus terrificus, do terópode Abelisaurus comahuensis e do Maniraptora, além de outros dinossauros, vertebrados e plantas fósseis.[21]
Ver também
- Sítios paleontológicos do Brasil
- Sítio geológico
Referências
- ↑ vverner (13 de maio de 2021). «Peirópolis». Visite Uberaba. Consultado em 25 de dezembro de 2024. Cópia arquivada em 25 de dezembro de 2024
- ↑ Luiz Ribeiro e Ismar Carvalho (2007). «Uberaba, Terra dos dinossauros do Brasil» (PDF). Sítios Geológicos e Paleontológicos do Brasil 28. Consultado em 23 de dezembro de 2014
- ↑ Silva, Karen Pereira Freitas; Pereira, Laura de Barros (13 de julho de 2021). «Da ferrovia ao museu, uma viagem pelas memórias que constroem as identidades de Peirópolis (1970-2018)». Epígrafe (2): 360–389. ISSN 2318-8855. doi:10.11606/issn.2318-8855.v10i2p360-389. Consultado em 26 de dezembro de 2024
- ↑ «Page 642 - Uberaba-200 anos no coracao do Brasil». app.codiub.com.br. Consultado em 25 de dezembro de 2024
- ↑ «Sacramento: religiosidade e fenômenos mediúnicos». Correio.news. 28 de julho de 2020. Consultado em 25 de dezembro de 2024. Cópia arquivada em 25 de dezembro de 2024
- ↑ «Peirópolis -- Estações Ferroviárias do Estado de Minas Gerais». www.estacoesferroviarias.com.br. Consultado em 8 de junho de 2023. Cópia arquivada em 25 de dezembro de 2024
- ↑ «A Estação Paineiras e o fatídico acidente de trem em 1970». web.archive.org. 27 de dezembro de 2024. Consultado em 27 de dezembro de 2024
- ↑ Minas, Estado de (21 de julho de 2014). «Peirópolis, no Triângulo Mineiro, pode ganhar título de geoparque». Estado de Minas. Consultado em 25 de dezembro de 2024. Cópia arquivada em 25 de dezembro de 2024
- ↑ RIBEIRO, José Hamilton Revista Globo Rural ed. 296 jun/2010 O dinossauro-zebu
- ↑ NOEL, Francisco Luiz Revista Problemas Brasileiros (ed. 383 set-out/2007) Em Minas, um ninho de dinossauros
- ↑ «Repositório Institucional de Geociências: Mapa do patrimônio geológico do Geoparque Uberaba: terra de gigantes». web.archive.org. 31 de março de 2024. Consultado em 25 de dezembro de 2024
- ↑ ...
- ↑ ...
- ↑ «Geoparque de Uberaba é reconhecido pela UNESCO como geoparque mundial». SGB. Consultado em 27 de dezembro de 2024
- ↑ Folha de S. Paulo 09/05/2005 Sem revisão, rede nacional de paleontologia tem R$ 4,3 milhões
- ↑ Boletim Informativo da Sociedade Brasileira de Paleontologia ano 19, nº 48 Rede Nacional de Pesquisa em Paleontologia
- ↑ «Museu dos Dinossauros». www.uftm.edu.br. Consultado em 20 de janeiro de 2025
- ↑ «UFTM - Universidade Federal do Triângulo Mineiro». www.uftm.edu.br. Consultado em 30 de setembro de 2025. Cópia arquivada em 20 de agosto de 2024
- ↑ «Conheça o Museu dos Dinossauros de Peirópolis, em Minas Gerais». CNN Brasil. 21 de dezembro de 2021. Consultado em 30 de setembro de 2025
- ↑ Silva, Maria Betânia Moreira Carvalho; Junior, Pedro Donizete Colombo (21 de novembro de 2023). «Descortinando o Museu dos Dinossauros: Narrativa Interpretativa Para Além de sua Exposição». Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências: e44582–27. ISSN 1984-2686. doi:10.28976/1984-2686rbpec2023u11111137. Consultado em 30 de setembro de 2025
- ↑ «UFTM». Museu do Cerrado. Consultado em 30 de setembro de 2025
