Pedro da Silva, comendador de Avis

Pedro da Silva, comendador de Avis
Nascimento1450
Morte1512
CidadaniaReino de Portugal
Progenitores
Irmão(ã)(s)Francisco de Almeida, João de Almeida, 2.º conde de Abrantes, Diogo Fernandes de Almeida, prior do Crato
Ocupaçãocomendador, aristocrata, diplomata
Distinções
TítuloDom
 Nota: Para outros significados de Pedro da Silva, veja Pedro da Silva (desambiguação).

D. Pedro da Silva (c. 1450 - 1512) foi um fidalgo e diplomata português dos séculos XV e XVI, embaixador a Roma no ano de 1492.

Biografia

Embora a sua data exata de nascimento não seja conhecida, tendo em conta que seus pais casaram em 1442 e ser ele um dos últimos filhos na ordem de nascimento, é provável que tenha ocorrido por volta do ano de 1450.

Era filho segundogénito do 1.º conde de Abrantes. D. Lopo de Almeida e de sua mulher D. Brites da Silva, filha de Pedro Gonçalves Malafaia e de Isabel Gomes da Silva, da casa dos senhores de Vagos.[1] Sendo assim irmão do 1.º vice-rei da Índia portuguesa, D. Francisco de Almeida e primo irmão do famoso capitão de Safim, Nuno Fernandes de Ataíde.

Como filho segundo, não tendo herdado a casa dos pais, seguiu as carreiras diplomática e militar. Foi comendador-mor da Ordem de Avis e, nessa qualidade, também desempenhou missões diplomáticas, nomeadamente a de Embaixador a Roma no ano de 1492, representando o rei D. João II quando D. Rodrigo de Borja, como papa Alexandre VI, sucedeu a Inocêncio VIII.[2]. Igualmente acompanhou o rei D. Manuel I, em 1498, na sua viagem a Castela e Aragão[3].

Teve a distinção de as suas armas estarem pintadas no Livro do Armeiro-mor, na sua fl. 56 v, com a particularidade de usar em aliança os símbolos paternos e maternos, pois no escudo esquartelado estão as armas dos Almeidas (1.º e 4.º), que eram as do seu pai, e no 2.º e 3.º as armas dos Silvas, que pertenciam a sua avó materna, a acima referida Isabel Gomes da Silva, filha do 1.º senhor de Vagos.

Usou também o sobrenome (Silva) que lhe vinha por linha feminina, o que só acontecia em cerca de 20% das pessoas da nobreza da época, e menos em homens do que em mulheres; ou seja, correspondeu a um caso relativamente minoritário, em que se quis preservar num filho varão a memória da ascendência materna, e isso não só no brasão como no próprio apelido usado.[4]

Faleceu no ano de 1512. Como membro de uma Ordem Religiosa Militar não podia casar, pelo que não deixou descendentes legítimos, não se lhe conhecendo também descendência por via bastarda.[1]

Referências

  1. a b Freire, Anselmo Braamcamp (1921). Brasões da Sala de Sintra. Livro Segundo. Robarts - University of Toronto. Coimbra: Imprensa da Universidade. pp. 353–354. Consultado em 12 de janeiro de 2025 
  2. Resende, Garcia de. «Vida e Feitos D' El-Rey Dom João Segundo/CLXIV - Wikisource». pt.wikisource.org. Consultado em 12 de janeiro de 2025. E no mes de Julho deste anno de noventa e dous, faleceo o Papa Ynocencio oitavo, e socedeo em seu lugar o Papa Alexandre sexto, que era vice-canceler de naçam valenciano, e chamava-se Dom Rodrigo Borja; do que el-rey foy certeficado em Sintra a dezasete dias d' Agosto. E mandou-lhe sua embaixada por Dom Pedro da Silva comendador-mor d' Avis, 
  3. A Sé Velha de Coimbra, Maria de Lurdes Craveiro, Coimbra, 2011
  4. Aguiar, Miguel; Ferreira, Leandro (1 de janeiro de 2019). «A aristocracia e o poder: parentesco e reprodução social na nobreza medieval portuguesa (1385-1521)». Incipit 7 - Workshop de Estudos Medievais: 86-88. Consultado em 12 de janeiro de 2025. A tendência, num universo de 190 casos registados, é bem clara: cerca de 80% dos homens e mulheres utilizam o apelido paterno. As exceções, todavia, alertam-nos para as várias hipóteses de transmissão, ainda que marginais, que se apresentavam aos indivíduos. Há vários casos em que é o apelido materno que se prolonga, maioritariamente através das mulheres, mas também através dos homens – no caso dos varões, tal prática aplica-se maioritariamente aos secundogénitos ... Isso é claramente visível no caso das armas combinadas, que procuravam aliar os símbolos paternos e maternos ou de outro antepassado. São os casos de ... Pedro da Silva, filho de Lopo de Almeida e Beatriz da Silva, que aliava as armas paternas e maternas