Pedro Nunes Batista Ferreira Tamarindo

Pedro Nunes Batista Ferreira Tamarindo
Dados pessoais
ApelidoCoronel Tamarindo
Nascimento1837
Inhambupe
Morte4 de março de 1897 (60 anos)
Canudos
Carreira militar
ForçaExército
HierarquiaCoronel

Pedro Nunes Batista Ferreira Tamarindo (Inhambupe, 1837Canudos, 4 de março de 1897) foi um militar do Exército Brasileiro com importante participação na Guerra de Canudos.[1]

Biografia

Militar do Exército brasileiro. Nascido na cidade de Inhambupe-BA, em 1837, faleceu em Canudos-BA em 4 de março de 1897.[1]

Tornou-se praça do Exército em 22 de setembro de 1855, tendo sido promovido a alferes em 02 de dezembro de 1860, a tenente em 18 de janeiro de 1868, a capitão em 15 de outubro de 1873, a major em 23 de janeiro de 1889, a tenente-coronel graduado em 8 de outubro de 1890, a efetivo em 21 de março de 1891 e finalmente a coronel em 7 de abril de 1892, por merecimento.[2]

Era benquisto entre os colegas, devido ao gênio afável e ao caráter franco. Tomou parte ativa na Campanha do Uruguai e na Guerra do Paraguai. Comandou o 9º Batalhão de Infantaria durante a terceira expedição militar contra o arraial de Canudos, em março de 1897.[2]

Participação no Combate

Arraial de Canudos

Após o comandante da expedição, Coronel Antonio Moreira César, ser ferido em combate no malfadado assalto ao arraial de Canudos, no dia 3 de março de 1897, o Coronel Tamarindo assumiu o comando. Sem ter condições de organizar as tropas, que desorganizadamente combatiam nas ruelas estreitas do arraial de Canudos, determinou a retirada. Após a morte de Moreira César, na madrugada do dia 4 de março, foi determinada a retirada definitiva das tropas, pondo fim à Terceira Expedição.

Na retirada os conselheiristas atacavam incessantemente as tropas, ocasionando ao final uma efetiva debandada.[3] Quando cruzava a galope o Córrego do Angico, o coronel Tamarindo foi morto por um tiro que o lançou para fora do cavalo. Suas últimas palavras, ditas ao engenheiro militar Alfredo do Nascimento, foram para que procurasse o Major Cunha Matos, que como mais graduado ficou no comando do que restara da tropa.[4]

O corpo do coronel Tamarindo foi deixado no campo de batalha, e posteriormente empalado pelos conselheiristas num galho seco de angico, desaprumado, os braços e as pernas pendidos, oscilando com o vento. O objetivo dos conselheiristas era utilizar o cadáver e crânios de outros combatentes mortos para causar medo em futuras tropas que voltassem a atacar o arraial. As caveiras foram alinhadas às margens do caminho, rodeadas de velhos trapos, esgarçados nos ramos dos arbustos e, de lado, o corpo do coronel Tamarindo.[5]

Permaneceu ali até três meses mais tarde, quando a quarta expedição seguia para Canudos, e se à margem da estrada que conduzia a Canudos. O objetivo era usar o cadáver do comandante, juntamente com outras cabeças de soldados mortos, para causar pavor e medo em outras tropas governistas que se dirigessem ao arraial.[5]

Referências

  1. a b Euclides da Cunha. Os Sertões: Campanha de Canudos. Edição, prefácio, cronologia, notas e ídices Leopoldo M. Bernucci. 2ª Ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001, p. 851
  2. a b Euclides da Cunha. Os Sertões: Campanha de Canudos. 2ª Ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001, p. 851
  3. Euclides da Cunha. Os Sertões: Campanha de Canudos. 2ª Ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001, p. 487
  4. Euclides da Cunha. Os Sertões: Campanha de Canudos. 2ª Ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001, p. 490
  5. a b Euclides da Cunha. Os Sertões: Campanha de Canudos. 2ª Ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001, p. 492

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Ligações externas