Pedra de Xangô

| Tipo | |
|---|---|
| Parte de |
Parque da Pedra de Xangô (d) |
| Material | |
| Vandalismo | |
| Altura |
8 m |
| Estatuto patrimonial |
bem tombado ou registrado pela FGM (d) () |
| Localização | |
|---|---|
| Áreas protegidas |
| Coordenadas |
|---|
A Pedra de Xangô[nota 1] é uma formação rochosa de oito metros de altura e, aproximadamente, 30 metros de perímetro e 8 metros de altura, localizada na Avenida Assis Valente, no bairro de Cajazeiras X, em Salvador, Bahia, Brasil. É lugar sagrado para religiões de matriz africana, a exemplo do candomblé e da umbanda,[2] como também patrimônio cultural municipal tombado pela Fundação Gregório de Mattos (FGM), designado "Pedra de Xangô e Área Considerada Sítio Histórico do Antigo Quilombo Buraco do Tatu".[3][4]
O monumento é importante tanto pela questão religiosa quanto pela questão histórica. Antes conhecida como Pedra do Buraco da Onça e Pedra do Buraco do Tatu, ali foi localidade de vivência de povos indígenas, com grande influência tupinambá.[5] Além disso, é um marco na história de resistência daqueles que sofreram com a escravidão em Salvador, pois, segundo a tradição oral, servia como passagem e esconderijo de quilombolas perseguidos.[6] Geologicamente, trata-se de um afloramento rochoso relativo ao Cinturão Salvador-Esplanada (CSE) e qualificado como rocha metamórfica gnáissica.[1]
Em 2005, a Pedra de Xangô por pouco não foi implodida para dar lugar à construção da Avenia Assis Valente, contudo, graças à resistência promovida pelas organizações dos terreiros de candomblé, a formação rochosa foi preservada.[2][7] Como resultado movimento do povo de santo, em 2016, o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Salvador (PDDU) contemplou a criação do Parque Pedra de Xangô, do Parque em Rede Pedra de Xangô e da Área de Proteção Ambiental Municipal Vale da Avenida Assis Valente e do Parque em Rede Pedra de Xangô,[8] com a finalidade de preservar todas as áreas verdes ainda existentes no entorno. Em um projeto coordenado pela Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), com efetiva participação da comunidade local, especialmente de representantes de religiões de matriz africana, a construção deste parque também faz parte da salvaguarda, do primeiro espaço de lazer da área, e também de novo marco identitário da região de Cajazeiras.
Em maio de 2017, o monumento foi reconhecido como patrimônio cultural do município.[8] Em dezembro de 2018, fruto de intolerância religiosa, o lugar sagrado foi vandalizado quando ali atiraram de 100 quilogramas de sal.[9] Em julho de 2021, foi celebrada a primeira cerimônia de casamento religioso afro-brasileiro no lugar.[9] Inaugurado em maio de 2022[9] e com uma área de 67.163,06 metros quadrados, o Parque da Pedra de Xangô permitiu proteger o monumento sagrado, que está envolvido por uma vegetação remanescente de Mata Atlântica, reforçando, assim, o caráter sagrado do local. O equipamento apresenta-se como uma contribuição para a melhoria das condições socioambientais da região de Cajazeiras.[8]
Religiosos de diversos segmentos de matriz africanas se reúnem uma vez por ano para a Caminhada da Pedra de Xangô, atividade que acontece tradicionalmente no segundo domingo de fevereiro. O evento sempre é aberto com a realização do tradicional Ipadê de Exu, numa saudação para abrir as atividades. Os participantes seguem em caminhada pela avenida Assis Valente até o monumento, onde é depositado o tradicional “Amalá de Xangô”, prato dedicado ao orixá, composto por quiabo, carne de boi, azeite, frutas e outros vegetais.[10] O trajeto é marcado pelo som dos atabaques, cânticos, rodas de capoeira e milho branco. A caminhada busca chamar a atenção da sociedade para o tema da justiça e do combate à intolerância religiosa.[11][12]
Ver também
- Cultura afro-brasileira
- Cultura de Salvador
- Lista de bens tombados em Salvador
- Lista de terreiros de candomblé em Salvador
Notas
Referências
- ↑ a b «Patrimônio». www.pedradexango.com.br. Consultado em 24 de março de 2025
- ↑ a b Barreto, Luciano (5 de maio de 2022). «Pedra de Xangô conserva ancestralidade e cultura afro-brasileira em Salvador». Panorama da Bahia. Consultado em 21 de março de 2025
- ↑ «Bens Tombados». fgm.salvador.ba.gov.br. Consultado em 24 de março de 2025
- ↑ Município de Salvador, Decreto nº 28434, de 5 de maio de 2017. Aprova os Tombamentos do Monumento Afro Religioso, conhecido por: "Pedra Sagrada do Antigo Quilombo Buraco do Tatu", "Pedra de Xangô", "Pedra de Nzazi" e "Pedra de Sogbo" e também da Área Considerada Remanescente de Antigo Quilombo, bens culturais situados na Fazenda Grande II e Cajazeiras..
- ↑ Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (7 de fevereiro de 2020). «Caminhada da Pedra de Xangô chega ao seu 11º ano de realização». Consultado em 21 de março de 2025
- ↑ iwwa (10 de maio de 2022). «Parque Pedra de Xangô». Salvador da Bahia. Consultado em 21 de março de 2025
- ↑ «Parque Pedra de Xangô é inaugurado em Salvador». www.correio24horas.com.br. Consultado em 24 de março de 2025
- ↑ a b c Fundação Mario Leal Ferreira. «Prefeitura inaugura Parque Pedra de Xangô em Cajazeiras». Fundação Mario Leal Ferreira. Consultado em 21 de março de 2025
- ↑ a b c «Símbolo de ancestralidade e 1° do Brasil com nome de orixá: Parque da Pedra de Xangô é inaugurado nesta quarta em Salvador». G1. 4 de maio de 2022. Consultado em 24 de março de 2025
- ↑ Prefeitura Municipal de Salvador. «Caminhada da Pedra de Xangô terá sua 16ª edição neste domingo (9)». Prefeitura Municipal de Salvador. Consultado em 21 de março de 2025
- ↑ Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado da Bahia. «Caminhada da Pedra de Xangô mobiliza grande público e valoriza diversidade religiosa». Consultado em 21 de março de 2025
- ↑ «Tradicional caminhada no Parque Pedra de Xangô reúne religiosos de matrizes africanas em Salvador». G1. 12 de fevereiro de 2023. Consultado em 21 de março de 2025
Bibliografia
- Município de Salvador, Decreto nº 28434, de 5 de maio de 2017. Aprova os Tombamentos do Monumento Afro Religioso, conhecido por: "Pedra Sagrada do Antigo Quilombo Buraco do Tatu", "Pedra de Xangô", "Pedra de Nzazi" e "Pedra de Sogbo" e também da Área Considerada Remanescente de Antigo Quilombo, bens culturais situados na Fazenda Grande II e Cajazeiras..
- Silva, Maria Alice Pereira da (2017). «Pedra de Xangô: um lugar sagrado afro-brasileiro na cidade de Salvador». Salvador: Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal da Bahia (Dissertação). Consultado em 25 de março de 2025
Ligações externas
- Plataforma digital "Pedra de Xangô: forças da natureza"
- «A Sacred Leaf Garden in Pedra de Xangô» (em inglês). Informações do Cities4Forests.