Pedagogia da Indignação
| Pedagogia da Indignação | |
|---|---|
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| Autor(es) | Paulo Freire |
| Idioma | português |
| Gênero | Ensaio |
| Editor | Ana Maria Araújo Freire |
| Lançamento | 2000 |
Pedagogia da Indignação: Cartas Pedagógicas e Outros Escritos é um livro póstumo do educador Paulo Freire que reúne nove textos do autor, organizados por sua esposa e sucessora legal da obra de seu marido[1], Ana Maria Araújo Freire, que também faz uma apresentação na obra[2]. Foi publicada em fevereiro de 2000. [3]
Características
Na obra, Freire defende a ideia de que a globalização, bem como a tecnologia, são expressões humanas, frutos de sua curiosidade. Dessa forma, considera a educação como um espaço para veicular e problematizar temas como a democracia, a ética, a tecnologia e os meios de comunicação.[2]
O educador, desde a Pedagogia do Oprimido até a Pedagogia da Indignação, vincula-se com a solidariedade e com as experiências emancipatórias, menos competitivas e menos consumistas, enaltecendo uma perspectiva que vise o diálogo e da convivência entre indivíduos diferentes.[4] Freire, por intermédio de sua indignação, buscou estimular, com esperança, o confronto com as normas tradicionais de pensar, sentir e agir. [5]
O livro é dividido em duas partes. Na primeira, de título "Cartas pedagógicas", compreende-se pelos três últimos escritos de Freire, de janeiro a abril de 1997. Já na segunda parte, "Outros Escritos", há seis textos escritos entre 1992 a 1997.[2]
Cartas pedagógicas
O uso do gênero cartas foi utilizada como um recurso ético e estético para estabelecer um diálogo com os educadores e disseminar, assim, seus questionamentos sobre a educação e sobre a vida[6], mas também demonstrar sua indignação, sua raiva e sua impotência perante a alguns problemas, além da generosidade do seu amar. [7][3]
- Do espírito deste livro: Freire escreve essa carta aos pais, a fim de desenvolver um debate acerca da relação entre autoridade e liberdade[6], motivando o rompimento de uma ideologia em que se acredita na impossibilidade de mudar o mundo[3];
- Do direito e do dever de muda: o autor expõe a relação entre a utopia, desconhecedora dos condicionamentos reais e sem compreender o contexto, e a realidade, que, quando exagerada, gera o fatalismo dos alienados[6]. Dessa forma, Freire escreve sobre a necessidade e a importância dos sonhos, isto é, os projetos pelos quais o indivíduo luta, destacando o poder da militância[3]. Além disso, ao fomentar a inserção crítica das crianças, reflete também acerca da necessidade de que o jovem aprenda que sua autonomia deve respeitar a dos outros[8];
- Do assassinato de Galdino de Jesus dos Santos - índio pataxó: Freire traz a discussão do assassinato do indígena pataxó Galdino, realizado por jovens de Brasília[6] no dia 20 de abril de 1997[9]. O autor tem o desejo de instaurar uma ética universal que prese pela solidariedade humana tal que um valorize e inclua o outro, e, uma vez humano, não poderia ser reduzido a uma coisa, a um objeto, como no caso do assassinato[3].
Que coisa estranha, brincar de matar índio, de matar gente. Fico a pensar, mergulhado no abismo de uma profunda perplexidade, espantado diante da perversidade intolerável desses moços desgentificando-se, no ambiente em que decresceram em lugar decrescer. [10]
Outros Escritos
Nessa segunda parte, há os seis textos[6]:
- Descobrimento da América, abril de 1992;
- Alfabetização e Miséria, fevereiro de 1996;
- Desafios da Educação de Adultos Ante a Nova Reestruturação Tecnológica, abril de 1996;
- Alfabetização em Televisão, agosto de 1996;
- Educação e Esperança, dezembro de 1996;
- Denúncia, Anúncio, Profecia, Utopia e Sonho, 1977 [11].
Ver também
Referências
- ↑ Silveira, Jacira Cabral da (25 de março de 2021). «Paulo Freire, um sujeito naturalmente feliz, apesar de tudo». Jornal da Universidade. Consultado em 8 de abril de 2025
- ↑ a b c Pimentel, A. L. C.; Xerez, A. S. P.; Castro, F. M. F. M. O pensamento de Paulo Freire expresso na obra Pedagogia da Indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. Olhar de Professor, [S. l.], v. 24, p. 1–21, 2021. DOI: 10.5212/OlharProfr.v.24.16723.013. Consultado em 7 de abril de 2025.
- ↑ a b c d e Borges, Valdir (2021). «Pedagogia da indignação e a indignação da Pedagogia». Paulo Freire: (Re)leituras e práticas. [S.l.]: Editora Fi. pp. 17–46
- ↑ «100 Anos de Paulo Freire, segundo a ex-aluna Debora Mazza». Unicamp. 17 de setembro de 2021. Consultado em 8 de abril de 2025
- ↑ Do Valle, Júlio César Augusto et al. Freire, P.(2014). Pedagogia da Indignação: Cartas Pedagógicas e Outros Escritos. Revista Internacional de Educación para la Justicia Social, v. 4, n. 1. Consultado em 8 de abril de 2025.
- ↑ a b c d e Romão, José Eustáquio (20 de junho de 2000). «Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos». EccoS – Revista Científica (1): 108–116. ISSN 1983-9278. doi:10.5585/eccos.v2i1.213. Consultado em 23 de abril de 2025
- ↑ Freire, P. Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. 2. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2015.
- ↑ Oliveira, Elaine de (10 de setembro de 2022). «Resumo de Pedagogia da Indignação». Revista Pedagogia Social UFF (1). ISSN 2527-0974. doi:10.22409/rpsuff.v14i1.347. Consultado em 23 de abril de 2025
- ↑ «Jovens do socioeducativo farão curta-metragem sobre indígena Galdino | Metrópoles». www.metropoles.com. 21 de outubro de 2024. Consultado em 7 de abril de 2025
- ↑ Freire, Paulo (14 de abril de 2018). «Terceira Carta: Do assassinato de Galdino Jesus dos Santos "" índio pataxó (2000)». InSURgência: revista de direitos e movimentos sociais (2). ISSN 2447-6684. doi:10.26512/insurgncia.v3i2.19778. Consultado em 23 de abril de 2025
- ↑ Freire, Paulo (1997). «Denúncia, anúncio, profecia, utopia e sonho». Consultado em 23 de abril de 2025
