Paulo de Viveiros Afonso

Paulo de Viveiros Afonso (Affonso no original) nasceu na segunda metade do século XVII e provavelmente morreu na primeira metade do século XVIII. Vaqueiro associado à Casa da Torre,[1] pouco se sabe de sua biografia. Desde meados de 1700 ocupou as corredeiras, canais e ilhas pouco acima da grande cachoeira do São Francisco que passou a se chamar Cachoeira de Paulo Afonso desde então.[2] Instalou uma fazenda de gado chamada Tapera do lado da Bahia, pouso e travessia de rebanhos na Estrada Real das Boiadas[3] em direção à Ribeira do Pajeú na Capitania de Pernambuco. Pela Tapera passavam estradas margeando o Rio São Francisco para Juazeiro-BA a oeste e Itabaiana-SE a leste; atravessando o rio havia uma estrada para Penedo-AL e Olinda-PE.[4]
Teve sesmaria reconhecida por Alvará de 03 de outubro de 1725 concedido pelo Vice-rei do Brasil em Salvador Vasco Fernandes César de Menezes - Visconde de Sabugosa,[5] o primeiro da sequência de concessões de terras de seus vizinhos: Jacintho Barbosa do Porto da Folha, Silvestre da Silva de Viveiros e Francisco Viveiros de Castro, todos moradores do Rio de São Francisco.[6]
Sua fazenda se desenvolveu como um arraial chamado Tapera de Paulo Afonso, ponto estratégico para atravessar o Rio São Francisco, seus barqueiros eram afamados pela perícia com as canoas.[7] Em 1869 Richard Burton registrou que o lugarejo era uma vila de pescadores, criadores e agricultores de vazante que se auto denominavam "taperistas".[8]


Paulo de Viveiros Afonso também deixou seu nome na Ferrovia Paulo Afonso construída em 1882 que ligava Piranhas-AL a Petrolândia-PE,[9] no Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso que forma um conjunto de quatro usinas e no município de Paulo Afonso na Bahia, cujo atual Bairro Centenário está no lugar da antiga Tapera de Paulo Afonso.


Referências
- ↑ Bandeira, Moniz (2000). O feudo: a Casa da Torre de Garcia d'Avila : da conquista dos sertões à independência do Brasil. [S.l.]: Civilização Brasileira. Consultado em 8 de outubro de 2025
- ↑ Junior, Jaime D. L. Guimarães (1 de janeiro de 1951). Anais Pernambucanos | Volume 5 (1701-1739). [S.l.: s.n.] Consultado em 8 de outubro de 2025
- ↑ «Guia de caminhantes». objdigital.bn.br. Consultado em 8 de outubro de 2025
- ↑ «ACERVO Curaçaense: João Mattos e a Descrição Histórica e Geográfica de Curaçá; conheça a obra». Lugori. 10 de janeiro de 2025. Consultado em 8 de outubro de 2025
- ↑ Barros, Borges de (1933). «Anais do Arquivo Público da Bahia». Imprensa Oficial da Bahia. Anais do Arquivo Público da Bahia. Volume XXII. XXII (XXII): 35. Consultado em 14 de outubro de 2025
- ↑ Freire, Felisbello (1906). Historia territorial do Brazil. Harvard University. [S.l.]: Rio de Janeiro : Typ. do "Jornal do Commercio" de Rodrigues & C. Consultado em 8 de outubro de 2025
- ↑ Silva, Ignacio Accioli de Cerqueira e (1835–1852). «Memorias historicas e politicas da provincia da bahia (v.1)». Consultado em 8 de outubro de 2025
- ↑ «Explorations of the Highlands of the Brazil by Richard Francis Burton». www.burtoniana.org. Consultado em 8 de outubro de 2025
- ↑ «Volta -- Estações Ferroviárias do Estado de Pernambuco». www.estacoesferroviarias.com.br. Consultado em 8 de outubro de 2025