Antônio Tibiriçá

Antônio Tibiriçá

Antônio Tibiriçá c. 1920.
Nascimento 1898
São Paulo, SP
Morte 1968 (70 anos)
São Paulo, SP
Ocupação cineasta, roteirista, produtor, ator

Antônio Queiroz Tibiriçá,[1] mais conhecido apenas como Antônio Tibiriçá (São Paulo, 1898 – São Paulo, 1968[2]), foi um cineasta, roteirista, produtor e ator brasileiro. Foi uma figura importante do cinema mudo brasileiro, por ter sido o primeiro a tratar o cinema como um produto comercial, explorando temas como a sexualidade e o crime para atrair o público, sendo também um dos mais bem sucedidos cineastas dessa época. Esses elementos podem ser vistos em filmes como O Crime da Mala e Vício e Beleza, ambos escritos e dirigidos por Tibiriçá.[3] Era pai da cantora Cida Tibiriçá.[1]

Biografia

Nascimento e juventude

Tibiriçá nasceu em 1898, em São Paulo. Ele era filho do agrônomo e político Jorge Tibiriçá e neto do governador Visconde de Parnaíba, e do político João Tibiriçá Piratininga. Para seguir os caminhos de seus parentes, estuda direito na Faculdade de Direito de São Paulo, formando-se em 1919. Exerceu a profissão de advogado por um curto período de tempo.[3]

Carreira

Vendo a oportunidade de seguir sua paixão pelo cinema, utiliza as facilidades econômicas e políticas de sua família e abre a Pátria Film. Escreve o roteiro do filme A Joia Maldita e convida o cineasta Luiz de Barros, já bastante conhecido na época, para dirigir.[4] Além de escrever, também produziu e atuou na fita, utilizando o pseudônimo Paulo Sullis.[3][5] Empolgado com o cinema, escreve mais um roteiro para Barros, este que se chamava Hei de Vencer, filme sobre aviação, que era muito do gosto de Tibiriçá. O sucesso do longa foi tanto que foi vendido ao distribuidor uruguaio Robert Natalini, para exibição em todo o mercado latino-americano.[6]

Como forma de retribuir Barros pelo sucesso, tem uma colaboração anônima em A Capital Federal. Funda a Íris-Film e logo dirige a fita Vício e Beleza, filme que aborda assuntos polêmicos, como as enfermidades sexuais. A película foi um sucesso estrondoso, tendo a bilheteria de 500 contos de réis, sendo esse o maior sucesso do cinema mudo brasileiro. Com o sucesso, é exibido também na Argentina, Uruguai e Chile, onde faz mais 300 contos.[7] Percebendo que temas polêmicos fazem muito sucesso, não perde tempo e dirige O Crime da Mala, filme baseado em um crime real acontecido no Rio de Janeiro.[3]

Com a chegada do cinema sonoro, Tibiriçá decide pausar sua carreira, voltando apenas em 1933 com o filme Honra e Ciúmes, utilizando cenas de O Crime da Mala, foi o primeiro filme brasileiro de ficção a ter som em película, com uma cena de uma festa com uma orquestra verdadeira e completa, com a regência do Maestro Vivas, nos estúdios da Cinédia. O longa foi um fracasso, o que fez Tibiriçá desistir do cinema e focar na literatura. Volta ao cinema apenas nos anos 50, com os filmes Liana, a Pecadora e Paixão Tempestuosa, ambos baseados em romances escritos por ele anteriormente, sendo o primeiro a estreia de Nair Bello nas telas do cinema.[3]

Morte

Faleceu aos 70 anos na cidade de São Paulo, no ano de 1968.[2]

Filmografia

  • A Joia Maldita, roteirista, produtor e ator
  • Hei de Vencer, roteirista e ator
  • A Capital Federal, contribuição anônima
  • Vício e Beleza, diretor e escritor
  • O Crime da Mala, diretor e escritor
  • Honra e Ciúmes, diretor
  • Liana, a Pecadora, diretor
  • Paixão Tempestuosa, diretor

Referências

  1. a b «"Brasil, São Paulo, Registro Civil, 1925-2023", Maria Apparecida Tibiriçã». FamilySearch. Consultado em 27 de Julho de 2025 
  2. a b Noronha, Jurandyr Dicionário Jurandyr Noronha de cinema brasileiro EMC Edições, 2008
  3. a b c d e RAMOS, Fernão Pessoa e MIRANDA, Luiz Felipe Enciclopédia do Cinema Brasileiro SENAC São Paulo, 2000
  4. «"UM "FILM" NACIONAL"». Biblioteca Nacional Digital. 1920. Consultado em 27 de Julho de 2025 
  5. BARROS, Luiz de Minhas memórias de cineasta Artenova, 1978
  6. «"Filmagem Brasileira"». Biblioteca Nacional Digital. 1926. Consultado em 27 de Julho de 2025 
  7. DA SILVA, Ingrid Hannah Salame. «Vício e Beleza e o gênero livre nos posados brasileiros dos anos 1920» 

Ligações externas