Paulo Marques (escritor)
| Paulo Marques | |
|---|---|
| Nascimento | 13 de outubro de 1857 Pelotas |
| Morte | 30 de julho de 1884 Rio de Janeiro |
| Cidadania | Brasil |
| Ocupação | jornalista, escritor, poeta |
Paulo Marques de Oliveira Filho, (Pelotas, 13 de outubro de 1857 - Rio de Janeiro, 30 de julho de 1884), foi um jornalista, romancista, teatrólogo e membro da Sociedade Fênix de Literatura do Rio de Janeiro.
Biografia
Filho de Paulo Marques de Oliveira e Antonia Bernardina de Oliveira. Foi militar durante quatro anos, entre 1877 e 1880 como descrito numa carta particular, quando se supõe que teve contato com o Positivismo, tão em moda no meio militar de então.[1][2]
Aparece na capa do número de julho de 1878, como um dos redatores da Revista da Sociedade Fênix Literária (Rio de Janeiro), em que conforme o site do CEDAP, na revista:[1][2]
Verifica-se muito da influência positivista entre os autores, sendo este tema recorrente. A Escola Militar é uma das referências de alguns autores como Tito Amaral e Lauro Sodré, e até mesmo a presença do exército na revista parece ser relevante, apesar de ser uma revista literária, podemos perceber isso pela própria influência positivista, disseminada na época nas escolas militares.
Essa ligação com a Escola Militar, também é citada no estudo crítico de Homero Campista sobre o romance de estreia de Paulo Marques de 1880:[1][2]
Recebi o romance Os verdadeiros mistérios do Rio de Janeiro, que me foi enviado por seu autor, o inteligente acadêmico da Escola Militar, o Sr. Paulo Marques, para que eu realizasse uma apreciação crítica. (A Discussão, 6 de dezembro de 1881, p. 2).
Do romance Os verdadeiros mistérios do Rio de Janeiro, o crítico carioca acrescenta que:[1][2]
A par de defeitos, uns graves, ligeiros outros, há no primeiro volume do romance do Sr. Paulo Marques, verdadeiras belezas artísticas. (...) O escritor algumas vezes toma por si a palavra, para defender ou atacar teorias. Faz brilhante e eloquentemente. (...) O seu primeiro romance é indício de que pode vir a ser excelente escritor. É o que sinceramente lhe deseja quem pede-lhe vênia para inscrever-se no número dos admiradores de seu talento. (A Discussão, 6 de dezembro de 1881, p. 2).
Além de poesias esparsas, escreveu os romances Alaísa e Verdadeiros mistérios do Rio de Janeiro, ambos em 1880, e o seu mais importante, Vênus ou o dinheiro, inicialmente publicado em folhetim no jornal Onze de Julho, de Pelotas e após em livro, com uma nota de Francisco de Paula Pires, necrológio de Albino Costa e juízo crítico sobre a escola realista.[1][2]
Deixou inédito, confiado à Biblioteca Pública Pelotense, o romance A Canalha. Sua comédia chamada Por causa de um chapéu de sol foi encenada na mesma cidade em dezembro de 1881.[1][2]
Foi redator da Tribuna Literária em 1882, colaborou no Arauto das Letras de Pelotas, e na Revista da Sociedade Fênix Literária e Tribuna do Comércio do Rio de Janeiro. É considerado o escritor mais representativo do naturalismo do chamado Grupo Pelotense. Leu e releu Zola, e movido por um estilo fervoroso, compôs o romance mais atrevido de quantos se publicaram no Rio Grande do Sul chamado Vênus ou o Dinheiro, dado à estampa pela primeira vez no jornal Onze de Julho, e em livro após a morte do autor, que se deu precocemente aos 27 anos no Rio de Janeiro, para onde se transferira.[1][2]
Sacramento Blake faz menção ao seu romance, o qual teria deixado inédito, de nome A canalha.[1][2]
Obras
- 1880 - Alaísa, romance, Rio de Janeiro;
- 1880 - Verdadeiros Mistérios do Rio de Janeiro, romance, Rio de Janeiro;
- 1881 - Por causa de um chapéu de sol, teatro;
- 1885 - Vênus ou o Dinheiro, romance, Pelotas: Livraria Americana;
- 1885 - Necrológio de Albino Costa e juízo crítico sobre a escola realista, Typ. da Livraria Americana, Pelotas;
Referências
- ↑ a b c d e f g h COUTINHO, Afrânio; SOUSA, J. Galante de. Enciclopédia de literatura brasileira. São Paulo: Global.
- ↑ a b c d e f g h MOURA, Reinaldo Araújo de. O alvorecer do Naturalismo na prosa do Rio Grande do Sul: Paulo Marques e Vênus ou o dinheiro (1881). Dissertação defendida na Universidade Federal do Rio Grande, 24 nov. 2009.