Paulina de Anhalt-Bernburgo
| Paulina | |||||
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![]() Retrato por Karl Christian Kehrer, 1796 | |||||
| Princesa Consorte de Lipa | |||||
| Período | 2 de janeiro de 1796 a 5 de setembro de 1802 | ||||
| Predecessora | Título novo[a] | ||||
| Sucessora | Emília de Schwarzburg-Sondershausen | ||||
| Princesa Regente de Lipa | |||||
| Período | 5 de novembro de 1802 a 3 de julho de 1820 | ||||
| Monarca | Leopoldo II | ||||
| Dados pessoais | |||||
| Nascimento | 23 de setembro de 1769 Ballenstedt, Principado de Anhalt-Bernburgo | ||||
| Morte | 29 de dezembro de 1820 (51 anos) Detmold, Principado de Lipa | ||||
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| Marido | Leopoldo I, Príncipe de Lipa | ||||
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| Casa | Ascânia (por nascimento) Lipa (por casamento) | ||||
| Pai | Frederico Alberto, Príncipe de Anhalt-Bernburgo | ||||
| Mãe | Luísa Albertina de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Plön | ||||
Paulina Cristina Guilhermina de Anhalt-Bernburgo (nome completo em alemão: Pauline Christine Wilhelmined von Anhalt-Bernburg; Ballenstedt, 23 de setembro de 1769 – Detmold, 29 de dezembro de 1820) foi a esposa de Leopoldo I e a primeira Princesa Consorte de Lipa de 1796 até a morte do marido em 1802, além de regente durante a menoridade de seu filho Leopoldo II.
Paulina é principalmente lembrada como uma governante comprometida com questões sociais. Através de reformas significativas, Paulina aboliu a servidão por decreto principesco em 1809 e redigiu uma constituição que limitava o poder dos estados. Durante as Guerras Napoleônicas, seu alinhamento com os ideais pós-Revolução Francesa e admiração por Napoleão Bonaparte foram fundamentais para a preservação da independência do Principado.[1]
Biografia
Paulina nasceu em Ballenstedt, filha de Frederico Alberto, Príncipe de Anhalt-Bernburgo e de sua esposa Luísa Albertina de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Plön. Poucos dias após seu nascimento, sua mãe faleceu de sarampo. Ela tinha um irmão mais velho, Aleixo Frederico Cristiano (1767–1834), que foi Duque de Anhalt-Bernburg a partir de 1807. Desde cedo, notou-se que Paulina possuía uma mente aguçada.[2] Seu pai, o Príncipe Frederico Alberto, assumiu pessoalmente a educação de sua filha Paulina e de seu filho e herdeiro Aleixo. Ela era uma boa aluna e aprendeu francês, além de latim, história e política. Já aos treze anos de idade, ela auxiliava seu pai nos assuntos do governo. Primeiro, assumiu a correspondência em francês e, posteriormente, toda a correspondência entre a residência no Castelo de Ballenstedt e os escritórios do governo em Bernburg.[3] Sua educação foi fortemente influenciada pela ética cristã e pelas ideias do Iluminismo. Já na fase adulta, Paulina seguiu praticando os princípios que absorvera na juventude, inspirada nos ensinamentos de Johann Heinrich Pestalozzi e Jean-Jacques Rousseau.[2]
Em 2 de janeiro de 1796, a princesa Paulina de Anhalt-Bernburg casou-se com o Príncipe Leopoldo I de Lipa. O casamento foi celebrado em Ballenstedt e, em 21 de janeiro de 1796, o casal retornou a Detmold sob grandes aplausos da população. Leopoldo de Lipa havia pedido sua mão por vários anos, mas Paulina havia rejeitado repetidamente suas propostas. O casamento só ocorreu após uma melhora na saúde de Leopoldo. Anteriormente, ele havia sido colocado sob tutela por um curto período devido a confusão mental. Nos anos seguintes, Paulina falou positivamente sobre o casamento e sobre seu "amoroso"[4] marido. Em uma carta ao seu primo e confidente, Frederico Cristiano II, Duque de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Augustemburgo, ela confessou:
Nunca tomei uma decisão com tanta ponderação quanto esta. Jamais fui tão racional ao escolher. Meu amor, longe de distorcer a realidade, não serviu como uma lente de aumento diante de [...] Foi meu coração, ao conhecer melhor o Príncipe, que acabou se sobrepondo à razão. Ele é bom, nobre e justo; me ama, me valoriza e possui qualidades internas muito maiores do que aparenta.[5]

Paulina teve dois filhos: Leopoldo (nascido em 6 de novembro de 1796) e Frederico (nascido em 8 de dezembro de 1797). Um terceiro filho, uma menina chamada Luísa, faleceu pouco após o nascimento em 17 de julho de 1800.[6]
Leopoldo I faleceu em 4 de abril de 1802 e, em 18 de maio, Paulina assumiu a regência em nome de seu filho menor de idade, o futuro príncipe Leopoldo. No contrato de casamento entre Leopoldo e Paulina, datado de 1795, havia sido acordado que Paulina, como futura mãe, deveria assumir tanto a tutela quanto a regência de um príncipe menor de idade. Os estados do Principado de Lipa se opuseram ferozmente a essa regra. No entanto, não havia nenhum tutor masculino adequado disponível, e Paulina já havia demonstrado que seria uma regente competente. Seu governo durou quase duas décadas e é considerado um período significativo na história de Lipa.[4] Durante a regência de Paulina, em 27 de dezembro de 1808, ela determinou a abolição da servidão em Lipa, contrariando os Estados da Confederação do Reno e alinhando-se às mudanças pós-Revolução Francesa.[7]
| Convencidos de que a servidão, mesmo que tenha sido moderada como tem sido até agora neste país, sempre terá uma influência negativa sobre a moralidade, a diligência e a solvência dos camponeses, nós, como mãe da nação, e no interesse da prosperidade dessa classe de fiéis súditos, nos vemos movidos a seguir o exemplo de outros Estados membros da Confederação e a abandonar tal relação, [...] |
| Manifesto da Princesa Regente no preâmbulo do decreto que aboliu a servidão em Lipa[7] |
Paulina ocupou de 1818 até sua morte, em 1820, o cargo de Prefeita de Lemgo, coincidindo com o período em que governava Lipa. Após as Guerras Napoleônicas, a cidade estava fortemente endividada. Quando o prefeito Overbeck faleceu em 1817, não se encontrou um novo prefeito adequado, e os magistrados e cidadãos decidiram, em 4 de janeiro de 1818, pedir a Paulina que "assumisse por um período os cargos policiais e financeiros do governo da cidade sob sua direção imediata por um período de seis anos..."[8] Paulina respondeu no mesmo dia e, contrariando todas as expectativas, aceitou o convite. Localmente, ela foi representada pelo talentoso e dedicado advogado Kestner, atuando como Comissário. Ela conseguiu melhorar a situação financeira e social adotando medidas impopulares, mas sempre respeitando as regras parlamentares da cidade. Assim como em Detmold, em 1801, ela fundou uma asilos para os pobres e um clube de serviço sob sua própria direção.[9]
Paulina planejava retirar-se da vida pública em Lippehof, um palácio barroco construído em Lemgo em 1734,[9] mas faleceu em 29 de dezembro de 1820, poucos meses depois de ter transferido os assuntos do governo para seu filho Leopoldo II, em 3 de julho de 1820.[6]
Paulina e Napoleão

Há inúmeros indícios de que Paulina admirava Napoleão Bonaparte. Ela era grata por ele ter permitido que Lipa permanecesse independente. Sua opinião foi reforçada por sua correspondência com o diplomata altamente instruído Karl Friedrich Reinhard, que servia à França e era amigo de Goethe. Reinhard era um entusiasta da Revolução Francesa e atuava como embaixador na corte do Reino da Vestfália, em Cassel. Paulina continuou a acreditar que Napoleão venceria a guerra. Nem mesmo a notícia da derrota de Napoleão na Rússia foi capaz de abalar suas convicções. Ela se opôs à saída de Lipa da Confederação do Reno e defendeu que os soldados desertores do Exército Napoleônico fossem presos.[5]
O tenente prussiano Haxthausen, que trabalhava como diplomata russo, teria se comportado de maneira indevida com ela. Paulina reagiu mandando interná-lo em um hospício. Ele só foi libertado quando Lipa foi declarada inimiga após a Batalha de Leipzig e ocupada por tropas prussianas. O comandante prussiano, coronel von der Marwitz, relatou o episódio em uma carta à esposa e escreveu sobre Paulina: A Princesa Regente é uma canalha, e sempre foi fiel a Napoleão [...].[5]
Legado

O historiador Hans Kiewning escreveu uma biografia de Paulina na década de 1930, intitulada Fürstin Pauline zur Lippe, 1769–1820. Esta biografia é considerada a mais influente entre as positivas até hoje. Kiewning expressou sua admiração por Paulina com as seguintes palavras:
Além disso, não há muita dúvida de que Paulina superou de longe todos os governantes de Lipa que a precederam ou sucederam, e fez mais nome para si mesma fora das fronteiras de seu país durante sua vida do que qualquer um deles.[10]

A personalidade, a política e as reformas de Paulina têm sido objeto de diversos estudos e publicações. A bibliografia de Lipa atualmente lista cerca de 170 títulos focados na vida pessoal da princesa.[11] No entanto, a pesquisa histórica na segunda metade do século XX começou a questionar a visão acrítica sobre Paulina. Elizabeth Stolle, em sua contribuição para Lippischen Mitteilungen aus Geschichte und Landeskunde, 1969, levantou questões sobre a postura religiosa de Paulina, buscando uma compreensão mais profunda de seus interesses diaconais (suas ações de assistência aos pobres e caridade).[10]
Em uma pesquisa realizada pelo Lippische Landeszeitung no final de 2009, a Princesa Paulina foi eleita a figura mais significativa da história de Lipa, com 28% dos votos. O ex-presidente do estado Heinrich Drake ficou em segundo lugar, com 22%, enquanto o terceiro lugar foi empatado entre Armínio, vencedor da Batalha da Floresta de Teutoburgo, e o ex-chanceler Gerhard Schröder, ambos com 9% dos votos.[1]
Estátuas de Paulina podem ser encontradas nos terrenos do Lindenhaus em Lemgo e no parque de Bad Meinberg. Uma placa em sua homenagem está afixada em um edifício na Praça do Castelo em Detmold. Uma associação chamada "Filhas de Paulina" (Paulines Töchter), uma fonte mineral em Bad Salzuflen conhecida como "Fonte Paulina" (Paulinenquelle), e várias ruas em diversas cidades de Lipa também são dedicadas a sua memória. A Fundação Princesa Paulina (Fürstin-Pauline-Stiftung) em Detmold ainda existe e foca em ajudar jovens e idosos, administrando diversos centros de cuidados diurnos e buscando auxiliar pessoas necessitadas.[12]
Notas e referências
Notas
- ↑ Seu marido, Leopoldo, anteriormente Conde de Lipa-Detmold, foi elevado ao título de Príncipe de Lipa em 16 de novembro de 1789, após quitar uma dívida de seus ancestrais que impedia o reconhecimento de sua dignidade principesca. Isso fez com que Paulina, ao contrário de suas antecessoras, que eram apenas condessas consorte, se tornasse a primeira Princesa Consorte de Lipa.
Referências
- ↑ a b «Princess Pauline is at the top». Lippische Landes-Zeitung (em alemão). 304/2009. Detmold: Lippischer Zeitungsverlag Giesdorf. 31 de dezembro de 2009. Consultado em 4 de janeiro de 2010. Cópia arquivada em 3 de fevereiro de 2010
- ↑ a b Traute Prinzessin zur Lippe (1990s). «Zur Geschichte der Paulinenanstalt in Detmold». Heimatland Lippe
- ↑ Burkhard Meier. 200 Jahre Fürstin-Pauline-Stiftung. Heimatland Lippe. [S.l.: s.n.] p. H:62
- ↑ a b John Lederle (outubro de 2002). «Fürstin Pauline zur Lippe». Heimatland Lippe
- ↑ a b c Erich Knittel (1978). Heimatchronik des Kreises Lippe. Cologne: Archiv für deutsche Heimatpflege GmbH. 185 páginas
- ↑ a b Manfred Berger: Paulina de Anhalt-Bernburgo. Em: Biographisch-Bibliographisches Kirchenlexikon (BBKL).
- ↑ a b Dr. Wolfgang Bender (janeiro de 2009). «Fürstliche Großtat? Die Aufhebung der Leibeigenschaft in Lippe vor 200 Jahren». Heimatland Lippe. p. 20
- ↑ Karl Meier-Lemgo (1962). Geschichte der Stadt Lemgo. Col: Lippische Städte und Dörfer: Naturwissenschaftlicher und Historischer Verein für das Land Lippe. 1 (special issue) 2 ed. Lemgo: F. L. Wagner. pp. 190–191
- ↑ a b Karl Meier-Lemgo (1962). Geschichte der Stadt Lemgo. Col: Lippische Städte und Dörfer: Naturwissenschaftlicher und Historischer Verein für das Land Lippe. 1 (special issue) 2 ed. Lemgo: F. L. Wagner. p. 191–196
- ↑ a b Tobias Arand: Fürstin Pauline zur Lippe, in: Adelheid M. von Hauff (ed.): Frauen gestalten Diakonie, vol. 2: Vom 18. Jahrhundert bis zum 20. Jahrhundert, Stuttgart, 2006, p. 62 ff
- ↑ Hermann Niebuhr (1990). Eine Fürstin unterwegs, Reisetagebücher der Fürstin Pauline zur Lippe 1799-1818. Detmold: [s.n.] ISBN 3-923384-10-6
- ↑ Princess Pauline Foundation, viewed on 12 April 2010
Bibliografia
- Burkhard Meier (2002). Fürstin Pauline Stiftung, Von der ältesten Kinderbewahranstalt zum modernen Diakonieunternehmen. Detmold: [s.n.] ISBN 3-9807369-3-8
- Hermann Niebuhr (1990). Eine Fürstin unterwegs, Reisetagebücher der Fürstin Pauline zur Lippe 1799-1818. Detmold: [s.n.] ISBN 3-923384-10-6
Ligações externas
- Fundação Princesa Paulina (em alemão)
