Paula da Graça

Paula da Graça
Nascimentoséculo XVII
Morte1730
CidadaniaReino de Portugal
Ocupaçãoescritora, poetisa
Obras destacadasBondade das Mulheres Vendicada e Malícia dos Homens Manifesta

Paula da Graça é o nome pelo qual é conhecida uma escritora portuguesa que publicou no século XVIII o papel volante Bondade das Mulheres Vendicada e Malícia dos Homens Manifesta. Papel metrico, e apologetico, em que se defende a feminina innocencia, contra outro em que injustamente se argue a sua maldade, com o titulo de Malicia das Mulheres., um dos mais antigos documentos escritos por uma mulher portuguesa em defesa das mulheres.[1]

Só se conhece este texto de sua autoria, e existem dúvidas relativas à identidade da autora: desconhece-se se Paula da Graça era realmente o seu nome, ou apenas um pseudónimo, e mesmo se era uma mulher (apesar de ser pouco provável que não fosse). A sua naturalidade é descrita no panfleto como sendo Villa de Cabanas; no entanto, não parecem existir vilas com esse nome à época[nota 1]. Vive em Lisboa e é solteira por escolha própria, e presume-se que de idade avançada. Terá nascido no século XVII e morrido em 1730, e possuía um nível de conhecimento que apenas mulheres da elite portuguesa da época poderiam ter.[1][2][3]

Há investigadores que defendem que poderá ter sido aia da rainha Maria Ana da Áustria, uma vez que as edições deste panfleto de 1741 e 1743 são impressas na oficina tipográfica régia.[4]

Bondade das Mulheres Vindicada

Bondade das Mulheres Vendicada e Malícia dos Homens Manifesta no Wikisource em português.

Este panfleto, escrito em verso, surge por resposta ao autor do folheto de cordel Malícia das Mulheres, poema misógino atribuído a Baltazar Dias, autor do século XVI, que teria sido publicado pela primeira vez em 1640, com sucessivas edições - pensa-se que Paula da Graça escreva em resposta à edição de 1713.[1][2] O papel volante de Paula da Graça, publicado inicialmente em 1715, tem apenas 6 folhas e é composto por 72 quintilhas, com versos em redondilha maior de rima a/b/a/b/a, como a utilizada no poema de Baltazar Dias. De forma paralela ao poema a que responde, em que um homem aconselha outro relativamente ao tema do casamento, a autora dirige-se às mulheres e explica que irá refutar o folheto mencionado. Paula da Graça utiliza uma linguagem processual jurídica para contra-argumentar as acusações feitas às mulheres pelo autor, assumindo-se assim como procuradora das suas leitoras, e utiliza o humor para opôr os seus argumentos aos de Baltazar Dias.[2][4]

Nos versos dirige-se a uma jovem à qual dá conselhos relativos ao casamento (por contraponto a Malícia das Mulheres, onde um homem dá conselhos a outro homem), e aborda os seguintes temas, de entre outros:

  • o casamento como tirania e subjugação da mulher;
  • a desigualdade entre homens e mulheres no que diz respeito a poder económico;
  • os benefícios da vida celibatária para as mulheres.[1][2]

Ainda que não questione o casamento como determinação divina, possivelmente devido à leitura por três entidades censórias antes da publicação: a Inquisição, a Coroa e o Bispo, Paula da Graça afirma que a sujeição da esposa ao marido ocorre unicamente por vontade de Deus e não por uma inferioridade inerente à mulher.[2]

O papel foi editado pelo menos quatro vezes, em 1715, 1741, 1743 e 1793.[5]

Notas

  1. Segundo a autora Maria Antónia Lopes, citada, "nos séculos XVII e XVIII não existia nenhuma vila de Cabanas, porque Cabanas de Viriato (agora no concelho de Carregal do Sal) e Cabanas de Torres (atual concelho de Alenquer) eram freguesias mas sem título de vilas. Quando a Cabanas de Tavira, nem freguesia era nessa época.

Referências

Ver também

Ligações externas