Paul-Émile Botta
| Paul-Émile Botta | |
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| Morte | 29 de março de 1870 (67 anos) |
Paul-Émile Botta (6 de dezembro de 1802 – 29 de março de 1870)[1] foi um arqueólogo francês nascido na Itália que atuou como cônsul em Mossul (então no Império Otomano, atual Iraque) a partir de 1842 e descobriu as ruínas da antiga capital assíria de Dur Sarruquim.
Vida
Nasceu como Paolo Emiliano Botta em Turim, Itália, em 6 de dezembro de 1802. Seu pai era o historiador italiano Carlo Giuseppe Guglielmo Botta [en] (1766–1837). Em 1822, mudaram-se para Paris, onde estudou com Henri Marie Ducrotay de Blainville.[1]
Botta foi selecionado para ser naturalista em uma viagem ao redor do mundo. Embora não tivesse formação médica formal, também atuou como cirurgião do navio. O navio Heros, sob o comando do capitão Auguste Bernard Duhaut-Cilly (1790–1849), partiu de Le Havre em 8 de abril de 1826 e navegou para o sul pelo oceano Atlântico, parando no Rio de Janeiro e contornando o Cabo Horn. Viajaram pela costa, parando em Callao, México e Alta Califórnia. Jean Baptiste Rives [en] (1793–1833), ex-secretário do Reino do Havaí, convencera investidores da família de Jacques Laffitte a financiar a viagem para promover o comércio com a Califórnia e o Havaí, mas Rives desapareceu junto com parte da carga.[2] Após visitarem o arquipélago do Havaí, chegaram à China em 27 de dezembro de 1828. No final de julho de 1829, o Heros retornou a Le Havre.[1]
Em 5 de janeiro de 1830, Botta defendeu sua tese de doutorado. Em 1831, navegou para o Cairo, onde conheceu Benjamin Disraeli. Alguns historiadores acreditam que o viajante francês Marigny no romance Contarini Fleming de Disraeli foi baseado em Botta.[1] Em 1836, Botta foi enviado ao Iêmen para coletar plantas em nome do Museu de História Natural de Paris.[3] O governo francês nomeou Botta como cônsul em Mossul em 1842. Lá, descobriu as ruínas da antiga capital assíria de Dur Sarruquim e, ao retornar à França em 1845, trouxe consigo muitos artefatos. Essa conquista lhe valeu uma grande reputação como orientalista.
Em 1848, após a Revolução Francesa de 1848, Botta tornou-se cônsul francês em Jerusalém e, após uma missão diplomática fracassada em Constantinopla em 1851, foi cônsul em Trípoli de 1855 a 1868. Devido à saúde precária, retornou à França. Morreu em 29 de março de 1870 em Achères, França.[4]
Mossul

Botta foi escolhido como cônsul francês em parte pela inspiração de Julius von Mohl. Mohl, da Sociedade Asiática Francesa, lera as obras Memoirs e Narrative de Claudius Rich [en] e concluiu que Mossul oferecia possibilidades para escavações. As habilidades de Botta como naturalista, historiador, linguista e no serviço diplomático tornaram-no uma escolha óbvia para liderar tal investigação. Chegando em 1842, Botta primeiro comprou antiguidades, tijolos e fragmentos de argila, e inicialmente investigou o monte Al-Nabi Yunus [en] antes de enfrentar oposição. Voltou então a atenção para Nínive em dezembro, onde passou um ano com apenas alguns tijolos inscritos e pedaços de alabastro. Em março de 1843, um árabe descreveu Dur Sarruquim e os numerosos tijolos inscritos encontrados lá. Seus trabalhadores logo descobriram paredes de calcário com escultura em relevo contendo figuras assírias. Era Dur Sarruquim, ou "Cidade de Sargão", a capital do rei Sargão II. Botta enviou um despacho a Mohl afirmando: “Acredito ser o primeiro a descobrir esculturas que, com alguma razão, podem ser referidas ao período em que Nínive florescia”. Botta descobriu câmaras, salas e corredores, paredes com baixo-relevo de cenas e deuses assírios, além de portas flanqueadas por Lamassu.[5][6][7]
O governo francês, altamente satisfeito com o sucesso surpreendente do seu cônsul, forneceu-lhe meios amplos para pesquisas adicionais, além enviar o artista Eugène Flandin [en] para documentar as descobertas de Botta. Flandin chegou em maio de 1844, ilustrando esculturas de alabastro antes que fossem arruinadas pelo calor do deserto. Botta continuou as escavações de 1843 até 1846 e tentou enviar algumas pelo rio Tigre; a primeira tentativa falhou, mas a segunda foi bem-sucedida. Elas foram exibidas no Museu do Louvre poucos meses depois.[8] Botta continuou escavando até 1846, quando nove outros arqueólogos assumiram. Esse grupo incluía Austen Henry Layard [en] e Émile-Louis Burnouf [en]. Botta publicou suas descobertas em Nínive em Monuments de Ninive découverts et décrits par Botta, mesurés et dessinés par Flandin.[5][6][7]
O consulado em Mossul foi suprimido pela Segunda República Francesa e Botta foi enviado à região de Levante.[5]
Legado
- Botta também foi um naturalista. Coletou mamíferos, aves, répteis e insetos na Califórnia nas décadas de 1820 e 1830, além da Mesopotâmia. A cobra Charina bottae [en], uma espécie endêmica do oeste dos Estados Unidos, recebeu o nome em sua honra.[9]
- A espécie Thomomys bottae descrita por Joseph Fortuné Théodore Eydoux [en] e Paul Gervais homenageia o seu nome.
Referências
- ↑ a b c d Edgar C. Knowlton, Jr. (1984). «Paul-Emile Botta, Visitor to Hawai'i in 1828». Hawaiian Journal of History. 18. Hawaii Historical Society. pp. 13–38. hdl:10524/353
- ↑ Alfons L. Korn (1984). «Shadows of Destiny: A French Navigator's View of the Hawaiian Kingdom and its Government in 1828». Hawaiian Journal of History. 17. Hawaii Historical Society. pp. 1–39. hdl:10524/272 Tradução do francês de Auguste Bernard Duhaut-Cilly, Voyage autour du monde, principalement à la California et aux Îles Sandwich, pendant les années 1826, 1827, 1828, et 1829
- ↑ (em francês) Charlotte Radt, «Contribution à l'histoire ethnobotanique d'une plante stimulante: le Kat. Le Kat au Yemen (Note Préliminaire)», Journal d'agriculture tropicale et de botanique appliquée, vol. 16, n°2-5, Février-mars-avril-mai 1969, p. 234-235 et 239 ler online
- ↑ (em francês) André Parrot, «Centenaire de la fondation du "Musée Assyrien", au Musée du Louvre», Syria, t. 25, no 3-4, 1946, p. 173-184 [1].
- ↑ a b c Lloyd, Seton (1980). Foundations in the Dust, The Story of Mesopotamian Exploration. New York: Thames and Hudson Inc. pp. 94–98,122–123
- ↑ a b Daniel, Glyn (1981). A Short History of Archaeology. London: Thames and Hudson Ltd. pp. 73–75
- ↑ a b Ceram, C.W. (1994). Gods, Graves & Scholars. New York: Wingd Books. pp. 216–222. ISBN 9780517119815
- ↑ Gardner, James (2020). The Louvre: The Many Lives of the World's Most Famous Museum. New York: Atlantic Monthly Press. p. 230. ISBN 978-0-8021-4877-3
- ↑ Beolens, Bo; Watkins, Michael; Grayson, Michael (2011). The Eponym Dictionary of Reptiles. Baltimore: Johns Hopkins University Press. xiii + 296 pp. ISBN 978-1-4214-0135-5. ("Botta", p. 33).
Leitura adicional
- Paul-Émile Botta e Eugène Flandin [en], Les Monuments de Ninive (Paris 1849-1859)
- Glyn Daniel, A short history of archaeology (London, Thames & Hudson 1981).
- Maurice Pillet, Khorsabad. Les découvertes de V. Place en Assyrie, (Paris 1918).
- Paul-Émile Botta (Outubro–Dezembro de 1831). «Observations sur les habitants des îles Sandwich». Nouvelles Annales des Voyages et des Sciences Geographiques. 52. pp. 129–148 (francês)
- Charles Franklin Carter (1930). «Duhaut-Cilly's Account of California in the Years 1827-28». California History Magazine. 8 (2 and 3). California Historical Society. pp. 8–130 to 8–166 and 8–215 to 8–250 (tradução do francês)
Ligações externas
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- Khorsabad
- «Façade m. Taureau (porte k, 1), de face. (1849)». Digital image gallery web site. New York Public Library. Consultado em 9 de maio de 2010
«Botta, Carlo Giuseppe Guglielmo». The American Cyclopædia (em inglês). 1879
