Pasárgada (filme)

Pasárgada
Pasárgada (filme)
Cartaz de divulgação do filme.
Brasil
2024 •  cor •  84 min 
Gênero drama
Direção Dira Paes
Produção Dira Paes
Eliane Ferreira
Pablo Baião
Coprodução Simone Oliveira
Produção executiva Eliane Ferreira
Tarcila Jacob
Roteiro Dira Paes
Elenco Dira Paes
Humberto Carrão
Cássia Kis
Peter Ketnath
Ilson Gonçalves
Música O Grivo
Cinematografia Pablo Baião
Direção de arte Pedro von Tiesenhausen
Figurino Luciana Buarque
Edição André Sampaio
Companhia produtora Muiraquitã Filmes
Distribuição Bretz Filmes
Lançamento 26 de setembro de 2024
Idioma português

Pasárgada é um filme de drama brasileiro de 2024 dirigido por Dira Paes, que também estrela o filme ao lado de Humberto Carrão, Ilson Gonçalves, Peter Ketnath e Cássia Kis. O roteiro de Dira Paes é inspirado poeticamente no poema Vou-me Embora Para Pasárgada, de Manuel Bandeira, na questão existencial.[1] A trama é ambientada na Mata Atlântica do interior do Rio de Janeiro e acompanha a bióloga Irene (Paes) que trabalha para um esquema ilegal de contrabando internacional de aves raras, mas encontra-se em reconexão com a natureza e em crise com sua prática criminosa.[2]

Sua estreia no Festival de Gramado ocorreu em 13 de agosto de 2014, tendo sido elogiado pela trabalho imersivo de som. O filme foi premiado com o Kikito de Melhor Design de Som. Posteriormente, o filme foi selecionado para outros festivais internacionais e nacionais. O filme foi recebido de forma mista pela crítica especializada, com elogios para a "protagonista enigmática" e por sua "experiência sensorial", mas com negativas a respeito do desenvolvimento, o qual foi descrito como um filme que "sofre com sua própria ambição e permanece em um lugar sem direção clara".

Pasárgada foi lançado oficialmente nos cinemas do Brasil em 26 de setembro de 2024 pela Bretz Filmes. O filme teve um lançamento comercial limitado com apenas um mês de exibição. Este fato fez com que o filme gerasse apenas R$ 42 mil em receita de bilheteria. Foi lançado com exclusividade pelo Globoplay em 28 de dezembro de 2024.[3] Aos Prêmios Grande Otelo, promovido pela Academia Brasileira de Cinema, o filme recebeu duas indicações: Melhor Atriz e Melhor Primeira Direção, ambos para Dira Paes. Recebeu o prêmio de Melhor Filme no Festival de Cinema Ambiental de Outer Banks, nos Estados Unidos.

Premissa

Irene (Dira Paes) é uma ornitóloga que chega a uma casa isolada em meio à mata para realizar um trabalho de campo previamente combinado com Ciça (Ilson Gonçalves), responsável por organizar as expedições pela região. No entanto, na primeira manhã, Ciça não aparece e envia Manuel (Humberto Carrão) para substituí-lo, fato que desperta desconfiança tanto em Irene.

Reconhecida por sua competência profissional, Irene parece estar envolvida em uma atividade de caráter ilegal, o que se reflete em sua vida pessoal, marcada pelo afastamento da filha e por uma relação distante com a família, mencionada brevemente em conversa com a irmã, Ivana (Cássia Kis). Paralelamente, ela enfrenta a pressão constante de Peter (Peter Ketnath), seu contratante, que a cobra por meio de chamadas de vídeo e impõe prazos cada vez mais curtos para a conclusão do trabalho.

À medida que a tensão da narrativa de suspense se desenvolve, o filme também retrata o processo de reconexão de Irene com a natureza, em uma jornada de amadurecimento tardio. Essa transformação ocorre principalmente por meio de sua convivência com Manuel, conhecedor da floresta, capaz de imitar o canto dos pássaros e de se orientar com naturalidade no ambiente selvagem.[4]

Elenco e personagens

Produção

Desenvolvimento

"Eu acho que o desejo de fazer um filme surge de uma inquietação, de uma vontade de me expressar de uma maneira diferente. E eu queria muito experienciar todos esses momentos, desde a ideia original. Eu queria ser autora de uma ideia original, e eu queria fazer parte de todas as etapas, então eu era a personagem central do filme, na frente das câmeras também. Eu acho que esse envolvimento com o roteiro me deu muita segurança de levar a Irene para a frente das câmeras."

— Paes, em entrevista ao Metrópoles.

Pasárgada é a estreia da atriz Dira Paes no cargo de diretora de cinema.[2] Além de dirigir, Paes escreveu o roteiro e atuou como protagonista. O filme surgiu como uma nova maneira da atriz se expressar artisticamente e de um interesse em participar de todas as etapas criativas de um longa-metragem.[5]

Dira Paes relata que sua formação artística no cinema foi profundamente influenciada por experiências iniciais marcantes, especialmente em seus primeiros trabalhos como atriz. Ao revisitar a montagem de um de seus filmes, ela reconhece como referências estéticas e emocionais desses primeiros contatos permanecem presentes em sua obra, tanto na ambientação quanto na construção dos personagens. A atriz associa essas influências a dois diretores fundamentais em sua trajetória: John Boorman, responsável por Floresta das Esmeraldas, seu primeiro filme, e Walter Lima Jr., com quem trabalhou no filme Ele, o Boto.[6]

A concepção do filme teve início ainda na pandemia como uma forma de encontrar um refúgio em época de isolamento social.[5] "O poema de Manuel Bandeira me invade nesse desejo, porque eu estava dentro de casa, dentro do concreto, desejando um paraíso para tomar sol, para mergulhar, para ser livre como os pássaros. Então, eu acho que esse sentimento pandêmico, ele também se relaciona muito com o movimento da maturidade feminina, que enfrenta mudanças hormonais, que enfrenta um ressecamento, vamos dizer, das sensibilidades, e faz com que a gente tenha que se reabilitar, se reconectar consigo mesma", disse à atriz ao Metrópoles.[5]

Segundo o ornitólogo Luciano Lima, consultor do longa-metragem, embora a narrativa aborde um intenso conflito de ordem profissional e pessoal, o filme também apresenta ao público uma representação autêntica do trabalho de campo de uma ornitóloga, destacando, em especial, a profunda paixão que caracteriza o exercício dessa profissão.[7]

Filmagens

As gravações do filme ocorreram em Arraial do Sana, região serrana do interior do estado do Rio de Janeiro, com locação na Fazenda Três Marias.[8] Antes de iniciar as filmagens, o ator Humberto Carrão passou um período na fazenda do intérprete de Ciça, como uma forma de laboratório para o personagem.[9] "Passei um tempo na fazenda convivendo com ele, olhando atento e pedindo licença para copiar algumas coisas, anotando. Queria que o Manuel fosse aquele personagem que, como Ciça, sabe muito e tem um conhecimento especial, portanto é muito poderoso, mas que resguarda seu espaço. Não são figuras de peito aberto e poderosas nesse sentido", disse Carrão em entrevista ao Brasil de Fato.[9]

Filmado durante a pandemia, o filme reuniu um elenco enxuto para gravações presencias com apenas Dira Paes, Humberto Carrão e Ilson Gonçalves em presença. As participações de Cássia Kis e Peter Ketnath ocorreram de forma online.[10]

Lançamento

Pasárgada teve sua première no 52.° Festival de Gramado, no Rio Grande do Sul, em 13 de agosto de 2024, sendo exibido na mostra competitiva.[7] Em setembro de 2024, o filme teve uma exibição especial no 18.° Cine BH, em Belo Horizonte.[11] O filme foi lançado de forma limitada nos cinemas em 26 de setembro de 2024, com distribuição da Bretz Filmes.[12]

Recepção

Bilheteria

Pasárgada teve um lançamento limitado nos cinemas, permanecendo apenas um mês em cartaz. De acordo com dados da Ancine, ao longo 35 dias de exibição oficial, acumulou um público de 2.405 espectadores, gerando uma receita de R$ 42.172,22.[13]

Avaliação crítica

O filme foi recebido com críticas mistas por parte dos especialistas. O trabalho de estreia de Dira Paes na direção foi considerado eficiente por ser uma forte experiência sensorial aliado ao design de som de Beto Ferraz. Em sua estreia no Festival de Gramado, o filme foi elogiado e recebeu o Troféu Kikito na categoria de Melhor Design de Som.[14] Aline Pereira, escrevendo para o AdoroCinema, atribuiu ao 3,5 em 5 estrelas, considerando-o "Bom", e pontuou: "Toda a parte auditiva do longa é mesmo impressionante e a experiência sonora que chega a quem está assistindo é vívida e intensa – características que fariam muita falta caso não aparecessem na história".[14]

Isabella Melo, do site Omelete, avaliou o filme com 2 em 5, descrevendo-o como "Regular": "Pasárgada termina com um texto sobre o tráfico de animais silvestres, principalmente pássaros, quase como uma dedicatória da obra para ajudar a causa - o que é muito nobre, mas também uma mensagem que o próprio filme não ajuda a divulgar, uma vez que acaba retratando muito pouco dessa cruel realidade, nem esclarecendo o papel que a protagonista desempenha dentro dela".[4]

Ao Vertentes do Cinema, Vitor Velloso escreveu que "Pasárgada sofre com sua própria ambição e permanece em um lugar sem direção clara, procurando trabalhar com tantas frentes diferentes de uma poética particular, que não consegue mais desenvolver seu drama e sua paixão. A consequência é um filme pouco inspirado em problemáticas e resoluções, por se apoiar em um roteiro que não oferece muitas saídas que não uma finalização apressada, dramaticamente forçada e que parece ser esvaziada pela falta de complementos para compreensão plena do espectador".[15]

Álvaro Goulart, do site Cinema com Crítica, pontuou: "Se o som do filme de Dira é um ponto alto, em contraste está a fotografia que não consegue transpor para a tela a riqueza de tons de verde presentes na mata atlântica.  Apesar da riqueza da fauna presentes dentro e fora de quadro, a flora se apresenta uniforme e tímida. Em seu filme de estreia como diretora, Dira Paes demonstra seu olhar apurado no exercício da função. O calcanhar de Aquiles de sua obra está no texto. O roteiro se revela erodido, trazendo fatos e vínculos superficiais sobre a protagonista. Não conseguimos entender os reais motivos que a levaram abandonar o ímpeto ambientalista intrínseco à ornitologia para servir ao tráfico daquele grupo de animais que deveria nutrir amor. Sua transformação soa abrupta, assim como seu interesse repentino no jovem mateiro. Apesar de não precisar de explicação qualquer interesse sexual, no que diz respeito ao seu despertar de consciência não conseguimos ser convencidos".[16]

Prêmios e indicações

Assossiação Ano Categoria Recipiente(s) Resultado Ref.
Festival de Cinema Ambiental de Outer Banks 2025 Melhor Filme de Ficção Pasárgada Venceu [17]
Festival de Gramado 2024 Melhor Design de Som Beto Ferraz Venceu [18]
Festival Internacional de Cinema de Carazinho 2025 Melhor Filme de Longa-metragem Pasárgada Indicada [19]
Melhor Direção de Longa-metragem Dira Paes Indicada
Melhor Atriz Protagonista Indicada
Melhor Ator Coadjuvante Humberto Carrão Indicado
Prêmio Grande Otelo do Cinema Brasileiro 2025 Melhor Atriz Dira Paes Indicada [20]
Melhor Primeira Direção de Longa-metragem Indicada

Ver também

Referências

  1. Aflitos, Lucas (21 de setembro de 2024). «'Pasárgada': Dira Paes estreia na direção em alerta sobre a natureza». Cine Set. Consultado em 5 de fevereiro de 2026 
  2. a b Peixoto, Mariana (26 de setembro de 2024). «Depois de atuar em 43 longas, Dira Paes estreia na direção com "Pasárgada"». Estado de Minas. Consultado em 5 de fevereiro de 2026 
  3. «Estrelado e dirigido por Dira Paes, filme Pasárgada estreia com exclusividade no Globoplay». gshow. 19 de dezembro de 2024. Consultado em 5 de fevereiro de 2026 
  4. a b Melo, Isabella (27 de setembro de 2024). «Pasárgada faz coming of age tropical excessivamente misterioso». Omelete. Consultado em 5 de fevereiro de 2026 
  5. a b c Oliveira, Luiz (15 de agosto de 2024). «Dira Paes fala sobre Pasárgada, filme que dirigiu e exibe em Gramado». www.metropoles.com. Consultado em 5 de fevereiro de 2026 
  6. «"Pasárgada" reúne Dira Paes e Fafá de Belém na "noite amazônica" do Festival de Gramado – Revista de Cinema». 14 de agosto de 2024. Consultado em 5 de fevereiro de 2026 
  7. a b «Aves da Mata Atlântica são coadjuvantes em filme dirigido e estrelado por Dira Paes». G1. 14 de agosto de 2024. Consultado em 5 de fevereiro de 2026 
  8. «Sana: 'Pasárgada' de Dira Paes volta ao lugar de inspiração». www.macae.rj.gov.br. Consultado em 5 de fevereiro de 2026 
  9. a b Rara, Marina (28 de setembro de 2024). «'É sempre urgente um filme como Pasárgada', afirma Humberto Carrão sobre estreia de obra de Dira Paes - Brasil de Fato». Consultado em 5 de fevereiro de 2026 
  10. Aflitos, Lucas (21 de setembro de 2024). «'Pasárgada': Dira Paes estreia na direção em alerta sobre a natureza». Cine Set. Consultado em 5 de fevereiro de 2026 
  11. Marafon, Renato (27 de setembro de 2024). «'Dira Paes' fala sobre a crise climática e a importância de 'Pasárgada', sobre tráfico de animais silvestres #CineBH». Consultado em 5 de fevereiro de 2026 
  12. «'Pasárgada', que marca a estreia de Dira Paes como diretora, ganha trailer; assista». Ingresso.com. Consultado em 5 de fevereiro de 2026 
  13. «Painel Indicadores do Mercado de Exibição». Agência Nacional do Cinema - ANCINE. Consultado em 5 de fevereiro de 2026 
  14. a b AdoroCinema, Pasárgada: Crítica AdoroCinema, consultado em 5 de fevereiro de 2026 
  15. Velloso, Vitor (24 de setembro de 2024). «Pasárgada | Crítica». Vertentes do Cinema. Consultado em 5 de fevereiro de 2026 
  16. Goulart, Alvaro (4 de outubro de 2024). «Pasárgada». Cinema com Crí­tica. Consultado em 5 de fevereiro de 2026  soft hyphen character character in |website= at position 15 (ajuda)
  17. «2025 Film Selections». www.obxeff.com. Consultado em 5 de fevereiro de 2026 
  18. «Festival de Cinema de Gramado: confira os premiados da edição». CNN Brasil. 18 de agosto de 2024. Consultado em 5 de fevereiro de 2026 
  19. http://www.2i9.com.br, 2i9 NEGÓCIOS DIGITAIS-. «Festival Internacional de Cinema de Carazinho divulga lista de indicados». www.tribunadosertao.com.br. Consultado em 5 de fevereiro de 2026 
  20. «Prêmio Grande Otelo 2025: Fernanda Torres, Andrea Beltrão e mais famosos concorrem; veja lista dos indicados». gshow. 16 de junho de 2025. Consultado em 5 de fevereiro de 2026 

Ligações externas