Partido pega-tudo

Um partido "pega‑tudo" (em inglês: catch‑all party, também conhecido como partido-ônibus ou pela expressão em inglês big tent party) é aquele que busca atrair um eleitorado amplo e heterogêneo, reduzindo a sua identidade ideológica e priorizando estratégias pragmáticas e centradas no voto. O conceito foi proposto por Otto Kirchheimer na década de 1960 para descrever a transformação de antigas mass parties em partidos voltados ao eleitor geral, com liderança centralizada e foco em temas de consenso.[1]

Esse modelo se caracteriza por:

Estudos comparativos também mostram que esse tipo de partido emergiu em democracias da Europa Central e Oriental, nos Estados Unidos e em outras regiões, especialmente em sistemas presidenciais onde o eleitorado favorece partidos centristas e de formação ampla.[4][5]

Devido a sistema eleitoral brasileiro, partidos "pega-tudo" são comuns no Brasil, principalmente os que formam o bloco do "Centrão", sendo formado por partidos que não tem um programa ideológico bem definido, e focam em negociar apoio ao governo em troca de cargos, recursos e influência política. Estes partidos tendem a compor a base parlamentar de diferentes administrações, mudando de posição conforme conveniência, e exercem papel decisivo na formação de maiorias no Congresso Nacional.[6][7][8] O Brasil ainda tem um número de partidos menores conhecidos como Partidos de aluguel que geralmente tem um alinhamento "pega-tudo", sem base eleitoral própria, existindo principalmente para negociar apoio político, acesso a recursos ou tempo de propaganda.[9]

Exemplos de partidos pega-tudo

Referências

  1. «Political party». Wikipedia (em inglês). 24 de junho de 2025. Consultado em 10 de julho de 2025 
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  6. a b Gallas, Daniel (29 de março de 2016). «Brazil faces up to decisive month». BBC News (em inglês) 
  7. «Centrão vive quarta encarnação, agora restrito ao fisiologismo». O Globo. 29 de julho de 2018 
  8. «Entenda a origem e a trajetória do 'Centrão', que hoje apoia Alckmin». CartaCapital. 23 de julho de 2018 
  9. «Fim da coligação e partido de aluguel | Gazeta Digital». Fim da coligação e partido de aluguel | Gazeta Digital. Consultado em 7 de outubro de 2025 
  10. a b Wiliarty, Sarah Elise (16 de agosto de 2010). The CDU and the Politics of Gender in Germany: Bringing Women to the Party (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press. ISBN 9781139491167 
  11. a b Weitz-Shapiro, Rebecca (6 de outubro de 2014). Curbing Clientelism in Argentina (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press. ISBN 9781107073623 
  12. a b c d e Carty, R. Kenneth (1 de setembro de 2015). Big Tent Politics: The Liberal Party’s Long Mastery of Canada’s Public Life (em inglês). [S.l.]: UBC Press. ISBN 9780774830027 
  13. Haute, Emilie van; Gauja, Anika (24 de abril de 2015). Party Members and Activists (em inglês). [S.l.]: Routledge. ISBN 9781317524328 
  14. «Junts pel Sí (Together for Yes): "We are all in, we've reached the end of the line"». Ara.cat (em catalão) 
  15. O'Kane, David; Hepner, Tricia Redeker (15 de janeiro de 2013). Biopolitics, Militarism, And Development: Eritrea in the Twenty-First Century (em inglês). [S.l.]: Berghahn Books. ISBN 9780857453990 
  16. Carrell, Severin (25 de abril de 2011). «Alex Salmond's big tent bulges as Tommy Sheridan lends voteless support». the Guardian (em inglês). Consultado em 17 de fevereiro de 2018 
  17. a b Durham, Elliot H. (18 de agosto de 2017). The Political Spectrum & Genopolitics: Primer & Reference Guide (em inglês). [S.l.]: Lulu.com. ISBN 9781387174782 
  18. Foran, Clare. «Is There Any Room in the 'Big Tent' for Pro-Life Democrats?». The Atlantic (em inglês) 
  19. CNN, Analysis by Gregory Krieg,. «Democratic Socialists are taking themselves seriously. Should Democrats?». CNN 
  20. «Législatives : "Le parti d'Emmanuel Macron a un caractère attrape-tout"». Les Inrocks (em francês) 
  21. Gaël Brustier (14 de março de 2017). «La candidature d'Asselineau et de l'UPR n'a rien de fantaisiste» (em francês). Slate 
  22. «Cópia arquivada». Consultado em 31 de agosto de 2016. Cópia arquivada em 31 de agosto de 2016 
  23. Bengali, Shashank Bengali, By Shashank. «The future of India's National Congress dynastic party is in doubt». latimes.com. Consultado em 17 de fevereiro de 2018 
  24. ARIABARZAN, MOHAMMADIGHALEHTAKI, (2012). «Organisational Change in Political Parties in Iran after the Islamic Revolution of 1979. With Special Reference to the Islamic Republic Party (IRP) and the Islamic Iran Participation Front Party (Mosharekat)». etheses.dur.ac.uk. Consultado em 17 de fevereiro de 2018 
  25. Flora, Peter (1986). Growth to Limits: The Western European Welfare States Since World War II (em inglês). [S.l.]: Walter de Gruyter. ISBN 9783110111316 
  26. Pike, John. «Christian Democrat Party (DC) Democrazia Cristiana» (em inglês) 
  27. http://www.celag.org, Aránzazu Tirado Sánchez. [www.celag.org/wp-content/uploads/2015/11/MEXICO-II-2014.pdf «México: coyuntura electoral y perspectivas de cara a 2018»] Verifique valor |url= (ajuda) (PDF). www.revuepolitika.cz (em espanhol). Consultado em 17 de fevereiro de 2018 
  28. Gallagher, Tom; Williams, Allan M. (1989). Southern European Socialism: Parties, Elections, and the Challenge of Government (em inglês). [S.l.]: Manchester University Press. ISBN 9780719025006 
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  30. Makarychev, Andrey; Mommen, Andre (18 de julho de 2013). Russia’s Changing Economic and Political Regimes: The Putin Years and Afterwards (em inglês). [S.l.]: Routledge. ISBN 9781135006952 

Bibliografia

  • Smelser, Manuale di sociologia, Il Mulino,2007
  • Pietro Grilli di Cortona, Gianfranco Pasquino, Partiti e sistemi di partito nelle democrazie europee, Bolonha, Il Mulino, 2007, ISBN 978-8815-12003-8
  • Giordano Sivini, Sociologia dei partiti politici Bologna, Il Mulino, 1979
  • Donatella della Porta, I Partiti politici, Bologna, Il Mulino, 2001, ISBN 978-88-15-08329-6