Partido de Renovação Social (Angola)

Partido de Renovação Social
(PRS)
PresidenteBenedito Daniel
Fundação18 de novembro de 1990 (35 anos)
SedeRua nº1, Martires de Quifangondo, n. 33 D, Luanda, Angola
IdeologiaFederalismo,
Progressismo
Assembleia Nacional de Angola
2 / 220
Espectro políticoCentro-esquerda[1]
Ala jovemJuventude de Renovação Social
Ala femininaUnião das Mulheres da Renovação Social
CoresPreto, Vermelho, Verde e Branco
SloganPaz, democracia e progresso

O Partido de Renovação Social (PRS) é um partido político em Angola, com representação na Assembleia Nacional, fundado em 1990, em Luanda, município de Viana, bairro Grafanil, Rua do Comércio. O partido define-se como de centro-esquerda, com ideologia federalista e progressista.[2]

Histórico

Na primeira eleição que participou, em 1992, ganhou seis assentos na Assembleia Nacional. Em 1999, o partido passou por um período de conflito interno, em que quatro deputados foram expulsos.

O PRS conquistou 3,17% dos votos na eleição parlamentar de setembro 2008, ganhando oito assentos dos 220 da Assembleia Nacional.[3] É um desempenho particularmente bom nas províncias de Lunda Sul e Lunda Norte, embora tenha ficado em segundo lugar, atrás do partido governante, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).[4][5]

Nas eleições parlamentares de 2012 o partido viu sua bancada reduzir-se a três cadeiras,[6] e na de 2017 a duas.[7]

Crise interna e cisão pós-eleições de 2017

Após as eleições gerais realizadas em Angola em agosto de 2017, o Partido de Renovação Social (PRS) entrou num ciclo de instabilidade política e organizacional que culminou numa cisão interna relevante. O descontentamento de parte da sua estrutura com a liderança resultante do 5.º Congresso Ordinário, realizado em maio de 2018, levou à saída de mais de 20 membros da direção central e de estruturas provinciais, incluindo quadros seniores e intermédios.

A origem da crise esteve associada à disputa interna pela liderança do partido, na qual o então secretário para a Economia e Finanças do PRS, Sapalo António, foi derrotado por Benedito Daniel. A ala que apoiava Sapalo António considerava que o partido deveria seguir uma linha de gestão mais participativa e descentralizada, em oposição ao que classificaram como um dirigismo excessivo da nova direção. Este ambiente de insatisfação generalizada levou à fundação de um novo projeto político: o Partido Humanista Democrático (PHD).

Apesar de publicamente ter negado envolvimento direto com o novo partido, Sapalo António foi apontado como uma das figuras centrais na articulação do movimento dissidente. A comissão instaladora do PHD passou a ser liderada por André Casimiro e Silvestre Muacuambi Jacob, e integrou ainda um conjunto de ex-dirigentes com atuação destacada no seio do PRS. Entre eles figuravam: Pedrito Cuchiri, Aurélio Natakana Jeremias, André de Castro Mundando, Domingos Tchiculo Tchinguenji, Romeu António Manuel, Pedro Almeida Capumba, Rufino Kissonde e Joaquim Pedro Mbimbe.

De acordo com os membros da comissão instaladora, a decisão de abandonar o PRS não se deveu exclusivamente à derrota interna no congresso, mas sim ao afastamento progressivo da direção de princípios democráticos e da inclusão institucional. A crise intensificou-se com o abandono de vários secretários provinciais, entre os quais se destacam os das províncias do Uíge, Malanje e Lunda Norte — casos em que os responsáveis locais apresentaram formalmente as suas cartas de desvinculação.

Em resposta, o então secretário nacional para Informação e Comunicação do PRS, Rui Malopa Migue, reconheceu o momento delicado, mas minimizou os efeitos da debandada, sublinhando que o partido continuava a operar em todas as províncias e que estava em curso um esforço de reestruturação com foco no recrutamento de novos militantes. Afirmou ainda que, em contextos democráticos, a saída de membros é parte natural da dinâmica partidária, sem que isso comprometa a continuidade institucional da organização. Mujoco, Ireneu (6 de março de 2018). «Mais de 20 ex-dirigentes do PRS integram comissão instaladora do PHD». https://www.opais.ao/politica/dissidentes-do-pr-s-integram-partido-humanista-democratico/. O País 

Para as eleições gerais de Angola de 2022, o partido indicou Benedito Daniel como cabeça de lista.[8] O partido ficou em terceiro nas eleições, com 71.351 de votos nas urnas, registrando 1,14%, mantendo as 2 cadeiras parlamentares.[9]

Resultados eleitorais

Eleições presidenciais

Data Candidato

apoiado

1ª Volta 2ª Volta
CI. Votos % CI. Votos %
1992 Rui Pereira 11.º 9 208
0,23 / 100,00
Não se realizou

Eleições legislativas

Data Líder CI. Votos % +/- Deputados +/- Status
1992 Rui Pereira 5.º 89 875
2,27 / 100,00
6 / 220
Oposição
2008 Eduardo Kuangana 3.º 204 746
3,17 / 100,00
Aumento0,90
8 / 220
Aumento2 Oposição
2012 Eduardo Kuangana 4.º 98 233
1,70 / 100,00
Baixa1,47
3 / 220
Baixa5 Oposição
2017 Benedito Daniel 4.º 89 763
1,33 / 100,00
Baixa0,37
2 / 220
Baixa1 Oposição
2022 Benedito Daniel 3.º 70 398
1,13 / 100,00
Baixa0,20
2 / 220
Estável Oposição

Referências