Partido Nacional-Socialista Brasileiro

Partido Nacional-Socialista Brasileiro
SiglaPNSB
FundadorArmando Zanine Teixeira Júnior
Fundação1988
SedeBrasil
IdeologiaNeonazismo
Nacionalismo brasileiro
Nacionalismo étnico
Negacionismo do Holocausto
Espectro políticoextrema-direita
Membros (1994)+1,000 [1]
Bandeira do partido
Representação aproximada

Nunca registrado oficialmente no Tribunal Superior Eleitoral

Partido Nacional‑Socialista Brasileiro (sigla PNSB), também conhecido como Partido Nacionalista Revolucionário Brasileiro (PNRB), foi uma agremiação de cunho neonazista fundada em 1988 por Armando Zanine Teixeira Júnior, ex-oficial da Marinha Mercante.

O partido nunca obteve registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nem participou de eleições formais. Sua atuação foi limitada a um grupo pequeno, principalmente no Sul e Sudeste, com presença lateral na Bahia, Sergipe e Distrito Federal.[2][3][4]

História

O PNSB procurou fundar uma “raça brasileira” otimizada, permitindo certa miscigenação nacional, mas dentro de parâmetros excludentes e nacionalistas. Seus militantes tinham perfil skinhead ou "careca", e divulgavam discursos xenófobos, antissemitas e de supremacia branca.[3][5][6]

Em 1989, o PNSB ganharia uma certa relevância nacional devido a participação de seus dois membros (incluindo Armando Zanine) em um controverso debate do programa da TV Bandeirantes, Canal Livre, que discutia sobre o cenário presente do neonazismo no Brasil e no mundo. O programa foi transmitido no aniversário centenário de Adolf Hitler, e por isso a escolha do tema.[7]

Em 1994, o fundador declarou apoio à candidatura de Éneas Carneiro (PRONA), mas Carneiro rejeitou publicamente o apoio.[6][8]

Tentativas de registro

O partido tentou repetidamente registrar-se no TSE. Após ser rejeitado como PNSB, mudou o nome para PNRB, mas todos os pedidos foram indeferidos com base em garantias constitucionais e na Lei Antirracismo.[3][2][9]

Ideologia e discurso

Armando Zanine Teixeira Júnior ao lado da bandeira que representava seu partido

Embora adotasse oficialmente o nacional-socialismo (nazismo), o partido com base nas falas de seu líder e fundador, Armando Zanine, acabavam divergindo ideologicamente se for comparar ao conceito real e prático do nazismo. O partido rejeitava o racismo e utilizava de um discurso nacionalista da ''raça brasileira'', essa que era composta pela população negra, branca e indígena. O líder do partido também afirmou ser antissionista, e não antissemitista, embora dissesse que elogiava as ideias de Adolf Hitler várias vezes.[10] Entretanto pela prática, o discurso do partido era claramente orientado por premissas nacionalistas excludentes, marcadas por antissemitismo e retórica xenófoba por parte de seus militantes.

Também fazia uso simbólico de elementos associados ao nazismo — prática proibida pela Lei nº 7.716/1989 (pena de 2 a 5 anos e multa).[11]

Locais de militância

Presença em estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Bahia, Sergipe e Distrito Federal, com estimativas modestas de militância (algumas dezenas). Em alguns locais houve sobreposição com grupos como White Power e Carecas do Subúrbio.[3][5][4]

Ver também

Bibliografia

Referências

  1. https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/8/30/caderno_especial/19.html
  2. a b «Escalada de apologia ao nazismo pode originar partidos neonazistas no Brasil?». Sputnik Brasil. 18 de agosto de 2021. Consultado em 4 de agosto de 2025 
  3. a b c d Barbosa, Jefferson Rodrigues (7 de maio de 2009). «Entre milícias e militantes (III): Skinheads nacional-socialistas e integralistas e os "carecas do subúrbio" | Passa Palavra». Consultado em 4 de agosto de 2025 
  4. a b Barbosa, Jefferson Rodrigues (2015). Chauvinismo e extrema direita. Parte II – A atualidade e a particularidade do objeto (PDF). São Paulo: UNESP. p. 212–239. ISBN 978-85-68334-68-3 
  5. a b Angico e Suas Lendas, 2017
  6. a b Declercq, Marie (28 de janeiro de 2020). «Da celebração à clandestinidade: como atuava o Partido Nazista no Brasil». UOL. TAB. Consultado em 4 de agosto de 2025 
  7. Lulz, Izzy (27 de fevereiro de 2013). «Trecho do debate de 100 anos de Hitler na Bandeirantes - Bobagento». Consultado em 1 de dezembro de 2025 
  8. Russo Jr, Carlos. «A gênese do nazi-fascismo no Brasil – Instituto Búzios». Consultado em 4 de agosto de 2025 
  9. Marcheri, Pedro Lima; Dobarro, Sergio Leandro Carmo; Pereira, Natalia Cristina Boaretti Cavenaghi (2013). «Política, Estado e Nazismo» (PDF). Centro de Investigação de Direito Privado. Revista do Instituto do Direito Brasileiro. 2 (14): 17149. Consultado em 3 de agosto de 2025 
  10. https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/8/30/caderno_especial/19.html
  11. «L7716compilado». www.planalto.gov.br. Consultado em 4 de agosto de 2025