Partido Congolês do Trabalho

Partido Congolês do Trabalho
PresidenteDenis Sassou Nguesso
Fundação29 de dezembro de 1969 (56 anos)
SedeBrazavile
IdeologiaActualmente:
Social-democracia
Anteriormente:
Marxismo-leninismo
Espectro políticoEsquerda/Centro-esquerda
Assembleia Nacional
112 / 151
Senado
44 / 72
CoresVermelho, amarelo e verde
Página oficial
https://www.pct.cg/

O Partido Congolês do Trabalho (PCT; em francês: Parti congolais du travail) é um partido político brazavile-congolês orientado no espectro de centro-esquerda à esquerda, bem como o partido no poder desde 1997. É o maior partido do Congo-Brazavile em número de filiados e de representantes eleitos para ambas as casas do Parlamento Nacional.

Fundado em 1969 por Marien Ngouabi, era originalmente um partido de vanguarda marxista-leninista que fundou a República Popular do Congo. Após a Queda do Comunismo, o partido abandonou suas badeiras históricas de defesa da classe trabalhadora, e em 2006 adotou posições mais reformistas como a social-democracia.

Denis Sassou Nguesso é o presidente do Comitê Central do PCT, e Pierre Moussa é o secretário-geral do PCT.

Histórico

Antecedentes

Precedeu o PCT a criação, em junho de 1964, do "Movimento Nacional da Revolução" (MNR), um partido político do Congo-Brazavile, com ideologia baseada no socialismo científico.[1] Tinha dois órgãos centrais de liderança, um Comitê Central e um Bureau Político, e possuía uma poderosa facção de esquerda concentrada nas áreas rurais do norte do país.[1] O MNR foi organizado em uma estratégia de partido popular de massas como resposta às necessidades políticas da revolução dos Três Dias Gloriosos ocorrida em 1963.[1] Em 1966, iniciou-se uma acirrada disputa política entre o Presidente Alphonse Massamba-Débat e a ala mais à esquerda do MNR.[1] Em dezembro de 1969, o MNR foi extinto.[1]

Criação do PCT e governo de partido único

No mesmo congresso de extinção do MNR foi fundado o PCT, em 29 de dezembro de 1969.[1] A figura política que organizou o PCT foi Marien Ngouabi.[1] Assim como o MNR, ele tornou o PCT o partido único governante do Congo-Brazavile, alterando, porém, a ideologia partidária para o marxismo-leninismo, com estratégia vanguardista.[1] Desde o início, foi fortemente dominado por oficiais militares do norte rural do Congo-Brazavile.[1] Embora o regime do PCT tenha sido concebido como um Estado socialista, era essencialmente com um caráter fortemente étnico-regional.[1] Membros dos grupos étnicos do sul, que eram muito mais numerosos do que os do norte, foram incluídos na estrutura de poder, mas os principais líderes eram consistentemente nortistas.[1]

Ideologicamente, o partido representava um espectro de visões marxistas-leninistas e sofreu com lutas internas na década de 1970, que às vezes se tornaram violentas.[1] Alguns líderes da ala ainda mais à esquerda do partido, como Ange Diawara e Claude-Ernest Ndalla, defendiam uma opção pelo modelo maoista; tentaram, sem sucesso, um golpe de Estado contra Ngouabi em fevereiro de 1972.[1] A ala direita do partido, ridicularizada por ter apenas um compromisso superficial com o marxismo-leninismo, era representada por Joachim Yhombi-Opango;[1] o golpe falhado de 1972 ocorreu principalmente na tentativa de afastar das forças armadas a influência de Yhombi-Opango.[1]

Ngouabi foi assassinado em circunstâncias pouco claras em março de 1977 e sucedido por Yhombi-Opango, cujos oponentes no PCT estavam irritados com seu desvio direitista e a percepção de marginalização do partido.[1] Pressionado pelas suspeitas de associação ao assassinato de Ngouabi, Yhombi-Opango resignou ao cargo em fevereiro de 1979, com o partido elegendo como novo líder Denis Sassou Nguesso — outro oficial militar de carreira do norte.[1] A ascensão de Sassou Nguesso, que representava a ala de esquerda do PCT, marcou um retorno à ortodoxia do partido.[1] Sassou Nguesso não era um esquerdista radical nem um ideólogo; suas políticas eram geralmente marcadas pelo pragmatismo, buscando relações calorosas com o Bloco Oriental e relações normalizadas com o Ocidente.[1]

À medida que Sassou Nguesso consolidava o poder durante a década de 1980, o fraccionismo interno no PCT tornou-se menos pronunciado, embora as lutas pelo poder continuassem.[1] Jean-Pierre Thystère Tchicaya, que após Ngouabi tornou-se o principal ideólogo do PCT, foi acusado de organizar um atentado à bomba e removido da liderança no congresso do partido em 1984.[1] Uma facção poderosa no partido, liderada pelo também ideólogo François-Xavier Katali, favorecia uma posição pró-soviética;[2] Sassou Nguesso conseguiu marginalizar a facção Katali no congresso de 1984.[1] Katali foi rebaixado a um ministério governamental menor, mas não sofreu nenhuma punição adicional;[2] quando morreu de ataque cardíaco em 1986, foi considerado um herói nacional.[1]

Abandono do marxismo-leninismo

No bojo da Queda do Comunismo, graves distúrbios financiados pelso Estados Unidos e pela França em 1990 resultaram no colapso no sistema de partido único que privilegiava o PCT.[1] Sassou Nguesso foi forçado a introduzir o multipartidarismo em 1990 e, em seguida, convocar uma Conferência Nacional em 1991.[1] A Conferência Nacional ficou marcada por duras críticas a Sassou Nguesso e repudiou fortemente o PCT;[1] Sassou Nguesso foi reduzido à condição de figura decorativa, sendo obrigado a estabelecer um governo de transição não-PCT.[1]

O PCT esteve na oposição de 1992 a 1997, durante a presidência de Pascal Lissouba.[1] O abandono da ideologia marxista-leninista expôs uma rede de clientelismo ao redor de Sassou Nguesso, que continuou a dominar o partido.[1] Sassou Nguesso finalmente retornou ao poder durante a guerra civil de junho a outubro de 1997.[3]

A consolidação no poder de Sassou Nguesso veio após a segunda guerra civil brazavile-congolesa.[4][3] O PCT e sua coalizão "Forças Democráticas Unidas" venceram as eleições presidenciais de março de 2002.[3] Em 2006 o partido oficialmente adotou a social-democracia.[5] As vitórias repetiram-se nas diversas eleições nacionais e locais em 2007, 2008, 2012, 2017 e 2022.

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z aa ab ac Lassy Mbouity (2022). Parti Congolais Du Travail. Brazzaville: Editions Congo-Brazzaville Information 
  2. a b «President wins decisive victory over pro-Soviets». Africa Confidential: 1–3. 17 de outubro de 1984 
  3. a b c Pierre Englebert; James Ron (2004). «Primary Commodities and War: Congo-Brazzaville's Ambivalent Resource Curse». Comparative Politics. 37 (1): 61–81. ISSN 0010-4159 
  4. Global security - Republic of Congo Civil War
  5. «La Social-Democratie: Nouvelle Doctrine du Parti Congolais du Travail.» (em francês). Congolese Party of Labour. Consultado em 18 de julho de 2020