Parque Estadual Jequitibá

Parque Estadual Jequitibá
Categoria II da IUCN (Parque Nacional)
País  Brasil
Dados
Criação 27 de março de 2006 (19 anos)
Sítio oficial semil.sp.gov.br

O Parque Estadual Jequitibá é uma unidade de conservação estadual brasileira localizada na zona oeste da Região Metropolitana de São Paulo, abrangendo áreas dos municípios de São Paulo, Cotia e Osasco, nas proximidades das divisas de Embu das Artes e Taboão da Serra. Com 1 308 219 m² de área, sendo cerca de 1 milhão de metros quadrados de remanescentes de Mata Atlântica, o parque foi criado em 27 de março de 2006 como parque urbano voltado à preservação da floresta, pesquisa científica, sustentabilidade e educação ambiental.[1]

Originalmente conhecido como Parque Tizo, abreviação de Terrenos Institucionais da Zona Oeste, o parque recebeu sua denominação atual em 5 de junho de 2013, através do Decreto Estadual n.º 59.259.[2] O novo nome foi escolhido em homenagem ao jequitibá, árvore nativa da Mata Atlântica presente no local, após cerimônia simbólica realizada em 2012 com o plantio de um exemplar de jequitibá-rosa.[3]

História

Período pré-parque

A região onde hoje se localiza o Parque Jequitibá apresentava características rurais até meados do século XX, com atividades agrícolas de subsistência, incluindo plantações diversas, caça e extração de madeira para uso cotidiano.[3] A partir da década de 1940, com a expansão urbana de São Paulo atravessando o Rio Pinheiros em direção ao Butantã, a área começou a ser impactada pela urbanização.[3]

Durante esse período, pequenas indústrias se instalaram na região, especialmente olarias para produção de tijolos destinados ao abastecimento da ocupação urbana em expansão. Sete fornos foram instalados na fazenda que hoje abriga o parque, com exploração de argila nas bordas da mata e uso de lenha proveniente da floresta e de plantações de eucalipto para queima dos tijolos.[3] Mesmo após o fechamento das olarias, o crescimento urbano continuou, trazendo problemas socioambientais como fragmentação da mata e perda de biodiversidade.[3]

A área foi adquirida pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) junto à Caixa Econômica Federal em 2001, originalmente destinada à habitação popular.[4] A criação do parque foi resultado de intensa mobilização da população do entorno, em especial da comunidade escolar, que participou ativamente das reivindicações para proteção desse remanescente de Mata Atlântica.[3]

Em 27 de março de 2006, o Decreto Estadual n.º 50.597 criou oficialmente o Parque Urbano de Conservação Ambiental e Lazer da Fazenda Tizo.[1] O parque foi desenvolvido com apoio de empresas e especialistas que doaram horas técnicas para elaboração do diagnóstico da área, montagem do plano executivo e do Plano Diretor, totalizando aproximadamente 260 horas técnicas doadas ao Governo do Estado de São Paulo.[5]

Em 2012, foi realizada uma ação simbólica para início das obras com o plantio de um jequitibá-rosa, e a área passou a ser denominada Parque Jequitibá, nome oficializado pelo Decreto Estadual n.º 59.259, de 5 de junho de 2013.[2][3]

Abertura ao público

Embora criado em 2006, o parque permaneceu fechado ao público por mais de uma década. Após reivindicações da comunidade que culminaram em ato público em 22 de maio de 2019, o Parque Jequitibá foi oficialmente aberto à visitação em 12 de julho de 2019.[6] A abertura foi possível após a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo receber a área da CDHU, passando a administração para a Coordenadoria de Parques e Parcerias (CPP).[4]

Em 2024, o Governo do Estado de São Paulo investiu 7,9 milhões de reais em melhorias na infraestrutura do parque, incluindo ampliação da área de estacionamento, construção de passarelas e instalações para maior conforto dos visitantes.[7]

Biodiversidade

Flora

A vegetação do Parque Jequitibá é constituída basicamente por Mata Atlântica em seus diversos estratos (arbóreo, arbustivo e rasteiro), encontrando-se em processo sucessório ameaçado pela proximidade da expansão urbana.[1] Entre as espécies vegetais destacam-se:

O parque possui cerca de 1 milhão de metros quadrados de remanescentes florestais bem conservados, ganhando relevância no contexto da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo, viabilizando a preservação da vegetação e dos mananciais.[2]

Fauna

O parque abriga diversas espécies da fauna da Mata Atlântica, incluindo algumas ameaçadas de extinção. Entre as aves, destaca-se o tovacuçu (Grallaria varia), espécie mais comumente observada pelos visitantes.[1] Outras espécies de aves ameaçadas presentes no parque incluem o pavão-do-mato (Pyroderus scutatus) e o jacu (Penelope obscura).[1][7]

Entre os mamíferos, o parque abriga saguis, veados-catingueiros (Mazama gouazoubira) e tartarugas aquáticas.[7] A área também possui animais peçonhentos, como a jararaca-da-mata (Bothrops jararaca) e a coral-verdadeira (Micrurus altirostris).[1][7]

Estrutura e uso público

O Parque Estadual Jequitibá está localizado na altura do quilômetro 21 da Rodovia Raposo Tavares, no bairro Gramado, em Cotia. O acesso pode ser feito pela Rua Sapucaí, sem número, em Cotia (para veículos), ou pela Rua Savério Quadrio, número 701, Bairro Parque Ipê, em São Paulo (somente para pedestres).[4] O parque funciona diariamente das 8h às 17h, com entrada gratuita e estacionamento disponível.[4]

O parque oferece diversas opções de atividades, incluindo:

  • Trilhas interpretativas na floresta
  • Espaço de leitura
  • Ações de educação ambiental (oficinas e palestras)
  • Viveiro de mudas nativas de Mata Atlântica
  • Área para refeições e área coberta[1][2]

O Parque Jequitibá é o único parque estadual paulista destinado, já no decreto de criação, especificamente à finalidade de promover educação ambiental, tendo construído seu Programa de Educação Ambiental em conjunto com escolas, comunidade e representantes dos municípios do entorno.[8]

Importância ecológica

Por estar situado na ponta oeste do Cinturão Verde da Grande São Paulo, o Parque Jequitibá possui grande importância ecológica na redução da temperatura ambiental, diminuição da poluição do ar e elevação da umidade na Região Metropolitana de São Paulo.[8] Como parte da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde, o parque contribui significativamente para a conservação da biodiversidade e preservação de mananciais em área densamente urbanizada.[2]

Ver também

Referências

  1. a b c d e f g h «Parque Jequitibá completa 15 anos proporcionando lazer e contato com a natureza». Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística. 27 de março de 2021. Consultado em 23 de dezembro de 2025 
  2. a b c d e «Parque Jequitibá». Secretaria de Turismo de Cotia. Consultado em 23 de dezembro de 2025 
  3. a b c d e f g «Parque Jequitibá: criado com a missão de promover Educação Ambiental». Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística. Julho de 2019. Consultado em 23 de dezembro de 2025 
  4. a b c d «Parque Jequitibá é aberto». Site da Granja. 12 de julho de 2019. Consultado em 23 de dezembro de 2025 
  5. «Parque Jequitibá». MGA Mineração. Consultado em 23 de dezembro de 2025 
  6. «Governo de São Paulo abre Parque Jequitibá». Governo do Estado de São Paulo. 17 de julho de 2019. Consultado em 23 de dezembro de 2025 
  7. a b c d e «Governo de SP investe R$ 7,9 milhões na infraestrutura do Parque Estadual Jequitibá». InvesteSP. Consultado em 23 de dezembro de 2025 
  8. a b «Nosso Parque Jequitibá». Site da Granja. 11 de agosto de 2022. Consultado em 23 de dezembro de 2025 

Ligações externas