Parque Anauá

Parque Anauá
Localização Boa Vista, Roraima
País Brasil
Área 106 hectares
Inauguração 1983
Administração Governo do Estado de Roraima

O Parque Anauá é um complexo multifuncional cuja estrutura comporta atividades esportivas e culturais, além de ser um espaço representativo da paisagem pertencente à ecorregião denominada “Savana das Guianas”, parte do Bioma Amazônia, denominada localmente de lavrado. Com área de 106 hectares, o parque possui localização lindeira ao eixo de ligação entre a Praça do Centro Cívico e o aeroporto internacional da cidade, o que garante-lhe importante inserção no cenário urbano.[1]

Proposta do Parque do Lago dos Americanos

Pelo escritório DPJ foi submetida proposta sob o número de inscrição 6, sendo a única proposta apresentada à Secretaria de Obras e Serviços Públicos do Governo do Território Federal de Roraima, além da vencedora. Na proposta paraense (Il. 2), denominada de “Parque do Lago dos Americanos”, desenvolvida pelos arquitetos sócios da DPJ e sua equipe, destaca-se o contexto da inserção urbana do parque, visto que oferece condições vantajosas com referência ao seu relacionamento com a área urbana atual e também com as áreas de expansão, permitindo, através da utilização de algumas vias estruturais, o acesso fácil a partir dos diferentes pontos da cidade.[2]

A DPJ, ao propor paisagismo que buscasse suprir a ausência de espaços verdes equipados para o lazer e para a recreação, associa áreas de bosques às funções do zoneamento proposto, visando corrigir, com a proposta do projeto, essa carência com a iniciativa governamental da implantação do Parque Lago dos Americanos.[2]

Proposta do Parque Anauá

A proposta vencedora do concurso teve autoria do arquiteto cearense Otacílio Teixeira Lima Neto (Fortaleza, 1946-2013) sobe o qual existe uma lacuna de dados, tanto quanto à proposta quanto sobre sua própria biografia. Essa situação compromete a pesquisa documental, entretanto favorece a análise de campo, tratando a arquitetura como documento a ser lido e interpretado (LE GOFF, 1990). Nisso temos, por ter sido executado, vantagem de análise quanto à proposta anterior.[2] A proposta vencedora partia do mesmo programa básico, porém diferenciava-se pela opção formal mais arrojada. Também intencionava preencher o vazio urbano em termos de opções de lazer, esporte, educação e cultura (LIMA NETO, 1989, p. 116), portanto visualizava o espaço para o projeto como um vazio inscrito em uma malha urbana consolidada e tinha como programa funções e elementos diversos: pórtico de entrada, anfiteatro, estação do bondinho, conjunto de bares, restaurantes, ancoradouro/cais, administração, centro cultural, escola de primeiro grau e escola de educação especial.

O partido arquitetônico das edificações objetivava transformar o Parque Anauá em um espaço de experimentação arquitetônica e magnificência da arquitetura vernacular, uma espécie de mostruário da força e da imponência da madeira da mata (LIMA NETO, 1989, p. 117) contudo, é visível na sua proposta, o uso profuso de concreto em várias de suas estruturas, com forte caráter arquitetônico e plástico. Não podemos negar, contudo que, em muitos edifícios, é possível identificar diálogo formal com as malocas, assim do uso inteligente dos materiais naturais, como madeiras e palha, e do concreto, sempre que necessário. Também, cabe registrar, que a necessidade de adequação do projeto a determinados materiais inexistentes localmente, fez com que meios de execução fossem criados.

Notas

  1. Segundo informações do arquiteto José Freire (DPJ-Belém) e da arquiteta Perpétua Barbosa (arquiteta aposentada da Secretaria de Estado de Infraestrutura de Roraima).
  2. Observamos que o mesmo modelo de ladrilho hidráulico utilizado como um elemento característico dos projetos de Otacílio Teixeira Lima Neto, visto que o mesmo padrão gráfico proposto para o calçadão externo do Parque Anauá foi produzido para ser utilizado no projeto do mesmo arquiteto para a BeiraMar de Fortaleza, um de seus projetos mais importantes (NASCIMENTO et all., 2018b). Registramos esse ponto por considerar que, diante da condição da construção civil na capital roraimense à época ser precária e o recurso em termos de materiais de construção ser, até hoje, em alguns aspectos, de difícil acesso, essa escolha reflete certa posição conservadora do arquiteto em relação às suas propostas.
  3. Sobre esse equipamento, especialmente, a descontinuidade de ações e a falta de envolvimento dos setores públicos têm levado à perda incalculável, visto ser esse a única instituição museal do Estado de Roraima. Portanto, embora tenha sido iniciado processo para sua recuperação, tanto o edifício quanto o acervo tem sofrido gravemente.
  4. Ottomar de Souza Pinto, brigadeiro da Aeronáutica, foi gestor de Roraima em três ocasiões: uma no período do Território Federal (de 2 de abril de 1979 a 7 de abril de 1983) e duas como governador eleito, de 1 de janeiro de 1991 a 1 de janeiro de 1995 e de 10 de novembro de 2004 a 11 de dezembro de 2007.
  5. O papel dos arquitetos pioneiros em Roraima, que vão ocupar funções técnicas e de gestão em órgãos públicos, será fundamental na construção da expressão arquitetônica em Boa Vista e, em especial, nas intervenções do chamado Período Ottomar.
  6. A Lei Estadual nº 634, de 11 de janeiro de 2008 altera o nome do ginásio, passando a se chamar Ginásio de Esportes Governador Ottomar de Souza Pinto, mantendo a primeira denominação como nome de fantasia. Totozão passa a ser um apelido, em referência ao homenageado, Ottomar (NASCIMENTO et all., 2018a).

Referências

  1. O Parque Anauá sob uma análise multifuncional no contexto urbano de Boa Vista. [S.l.: s.n.] 
  2. a b c CAMPOS, Helena. PARQUE ANAUÁ: ESPAÇO VIVO NO CORAÇÃO DE BOA VISTA/RORAIMA. [S.l.: s.n.]