Paris Football Club

 Nota: Não confundir com Paris Saint-Germain Football Club.
Paris FC
Nome Paris Football Club
Alcunhas Les Parisiens (Os Parisienses)
Les Bleus (Os Azuis)
Torcedor(a)/Adepto(a) parisiense
Principal rival Red Star
PSG
Fundação 1 de agosto de 1969 (56 anos)
Estádio Stade Jean-Bouin
Capacidade 20.000 lugares
Localização Paris
Proprietário(a) Bernard Arnault (52.4%)
Alter Paris (29.8%)
Red Bull GmbH (10.6%)
BRI Sports Holdings (7.2%)
Presidente Pierre Ferracci
Treinador(a) Stéphane Gilli
Patrocinador(a) Victorius Bahrain
Material (d)esportivo Adidas
Competição Ligue 1
Copa da França
Website parisfc.fr
Cores do Time
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Uniforme
titular
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Uniforme
alternativo
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Uniforme
alternativo

Paris Football Club é um clube de futebol francês, localizado na região leste de Paris. Fundado em 1 de agosto de 1969, chegou a originar no ano seguinte o Paris Saint-Germain, mas foi retomado como um time à parte em 1972. Como um clube autônomo, disputou três vezes a Ligue 1 no século XX, nas temporadas 1972-73, 1973-74 e 1978-79, convivendo nesta última com o próprio PSG.[1]

A origem conjunta com o PSG se reflete nos escudos dessas duas equipes, ambos com representações da Torre Eiffel.[2] Desde 2025, os clubes tornaram-se também vizinhos, com o Paris, até então usuário do estádio Charléty, passando a dividir com o Stade Français (clube mais voltando ao rugby union) o estádio Jean-Bouin,[3][4] separado do Parc des Princes apenas por 44 metros.[5] Essa mudança de endereço tornou, a nível mundial, PFC e PSG nos rivais com estádios de futebol mais geograficamente próximos.[6][7]

Sua cor predominante é o azul-marinho e, com a rivalidade esportiva com o PSG ainda não consolidada mesmo com o reencontro na temporada 2025–26,[5] mantendo-se cordialidade a ponto de em 2026 ainda haver loja do PSG no próprio estádio adotado pelo Paris FC,[8] este tem como principal rival o tradicional Red Star, culminado por diferenças políticas entre as duas torcidas.[2] Esses dois clubes realizam o principal dérbi parisiense das duas primeiras décadas do século XXI, pela constância de encontros entre a segunda e terceira divisões,[9] situando-se em patamar acima dos clubes da capital francesa, embora abaixo do PSG,[1] contra quem o Paris FC, até o fim de 2025, só realizou oficialmente os dois duelos válidos por aquela temporada 1978-79.[10] As equipes tardaram quase 50 anos para se reencontrar na primeira divisão, já em janeiro de 2026.[11]

Em 2020, quando era a única equipe parisiense na Ligue 2, foi anunciada a injeção financeira pelo governo do Bahrein, gerando-se expectativa de uma ascensão análoga à que o PSG logrou na década de 2010 em parceria com o vizinho Qatar.[12] Desde 2022,[13] o projeto administrativo envolve também o brasileiro Raí (curiosamente quem fora apontado como maior futebolista da história do PSG),[8] como embaixador da marca e conselheiro.[14][15] Em 2024, o clube, com participação também da Red Bull, passou a ser controlado majoritariamente pela família mais rica da França, os Arnault, integrando através dela o mesmo conglomerado das grifes Louis Vuitton, Dior e Moët & Chandon.[3][16][17]

História

Inícios

O Paris FC foi criado no intuito de estabelecer um clube forte de futebol na capital francesa, diante das campanhas ruins do trio Red Star, Racing Club de France e Stade Français ao longo da década de 1960 - todos rebaixados em algum momento naquele período, com Red Star e Racing recorrendo a fusões para retornarem à primeira divisão ao fim da década. Os fundadores do Paris também enxergaram a necessidade de uma fusão, unindo-se ao longevo Stade Saint-Germain em 1970 para formar o Paris Saint-Germain. A união rendeu um imediato título na Ligue 2 da temporada 1970-71, mas a campanha decepcionante de estreia do PSG na elite (dividindo-se com o Red Star a última colocação acima dos rebaixados) colocou o novo clube em complicada situação financeira. O governo municipal concordou em ajudar desde que a equipe voltasse a adotar o nome mais atrativo de Paris FC.[1]

A imposição governamental foi atendida, mas em contrapartida dissidentes descontentes desfizeram a união clubística. Mantendo-se o nome de Paris Saint-Germain, eles recriaram este clube na terceira divisão da temporada 1972-73 enquanto o Paris FC disputou a primeira.[1] Contando com o astro Jean Djorkaeff,[18] remanescente do projeto do PSG,[19] o Paris foi 12º em sua primeira temporada como clube independente na primeira divisão. Na segunda, o time foi antepenúltimo e rebaixado, enquanto ao mesmo tempo o PSG conseguia dois acessos seguidos para voltar à Ligue 1.[1]

Até o início da década de 2020, o Paris FC só estaria uma vez mais na primeira divisão, na temporada 1978-79. Embora reforçado com um atacante pré-convocado à Seleção Argentina de Futebol da Copa do Mundo FIFA de 1978, Humberto Bravo, o clube foi logo rebaixado,[1] ainda que saísse invicto nos dois duelos com o PSG: 1–1 como mandante e 2–2 como visitante.[10]

Anos 80 a 2000: rebaixamentos

Na temporada 1982-83, chegou a realizar outra fusão, com o tradicional Racing Club de France, cedendo-lhe o plantel profissional, embora mantivesse um elenco amador próprio. A perda da condição formal de profissional, contudo, rebaixou administrativamente o Paris à terceira divisão, e em campo seus amadores terminaram rebaixados à quarta ao fim daquela mesma temporada - e à quinta divisão ao fim da temporada 1984-85. O clube conseguiu acesso de volta à quarta na temporada 1988-89 e à terceira na seguinte.[20]

O Paris permaneceu na terceira divisão ao longo da década de 1990, tendo sua melhor campanha com dois terceiros lugares (em 1991-92 e em 1996-97), mas sem obter o acesso. Ao fim da temporada 1999-2000, voltou a ser rebaixado à quarta, retornando à terceira na temporada 2005-06 ao liderar o Grupo D.[20]

2010-2024: investimentos e crescimento

Na temporada 2009-10, já na 3ª divisão, o time ficou com a sexta posição do campeonato. Mas na de 2010-11 o time regrediu bastante e ocupou apenas a décima segunda posição, com 49 pontos. Após bela campanha no Championnat National (terceira divisão), conseguiu o acesso para a Ligue 2 na temporada 2014-15, com 19 vitórias e 66 pontos. Existia asso, grande expectativa para boa participação da equipe, mas o resultado inicial foi um desastre: o Paris ocupou a última colocação com apenas 4 vitórias, decretando assim, o retorno à terceira divisão. Porém, pôde voltar à Ligue 2 graças ao banimento do SC Bastia de competições profissionais francesas.

No seu novo retorno à Ligue 2, a equipe conseguiu uma campanha excepcional, ocupando a oitava posição com 61 pontos, ficando bem próximo da zona de playoffs do campeonato. Contudo, na edição de 2019-20 da segunda divisão francesa, ocupou apenas a 17ª posição,[20] com 28 pontos, dois acima do primeiro time na zona de rebaixamento (o Niort).

Em 2020, o governo do Bahrein adquiriu cerca de 20% do time por 5 milhões de euros (R$ 30 milhões naquele momento). A compra colocou o slogan “Explore o Bahrein” nos uniformes e permitiu o início de um projeto de desenvolvimento para a equipe, à época na Terceira Divisão. Mas as cifras do Paris FC cresceram ainda mais com uma união recente e estratégica entre a Agache Sport e a RedBull, em novembro de 2024. De um lado, a empresa comandada pelo grupo Arnault e presidida pelo homem mais rico da Europa, Bernard Arnault. Do outro, um conglomerado multinacional voltado para o esporte. Inicialmente, a família Arnault adquiriu 52,4% do Paris, enquanto a RedBull ficou com 10,6%. Os outros 37% foram divididos entre com o presidente, Pierre Ferracci, e a holding BRI Sports. O plano é que até 2027 os novos investidores detenham 95% das ações - 80% para os donos da LV e 15% para a empresa de energéticos.[21]

2025: promoção para a Ligue 1

Na temporada 2024-25, o clube foi vice campeão da Ligue 2, assim conseguindo a promoção para disputar a Ligue 1 após 46 anos.[22] Em seu primeiro reencontro com o Paris Saint-Germain desconsiderando-se amistosos desde 1979,[11] perdeu de somente 2–1 como visitante no Parc des Princes para o recém-campeão intercontinental de 2025.[17]

2026

Apenas oito dias depois, ambos encontraram-se outra vez, pelas oitavas-de-final da Copa da França de Futebol, com revanche: o Paris FC eliminou o vizinho por 1–0, com gol de Jonathan Ikoné, ele próprio ex-jogador do PSG. Foi a primeira vitória do PFC no duelo, a servir também para igualar as estatísticas do confronto direto.[23]

Referências

  1. a b c d e f BRANDÃO, Caio (12 de agosto de 2020). «Muito além do PSG: os outros clubes de Paris, através de seus argentinos». Futebol Portenho. Consultado em 19 de agosto de 2020  }}
  2. a b VIGNOLI, Leandro (2017). 11. Red Star - Paris é uma festa. À sombra de gigantes: uma viagem ao coração das mais famosas pequenas torcidas do futebol europeu. São Paulo: L. Vignoli, 2017, pp. 121-128.
  3. a b «Paris FC vai ser vizinho do lado do Paris Saint-Germain». MaisFutebol. 13 de fevereiro de 2025. Consultado em 6 de janeiro de 2026 
  4. «Vizinho do PSG sobe, e França terá clássico separado por faixa de pedestres». Folhapress. 5 de maio de 2025. Consultado em 6 de janeiro de 2026 
  5. a b QUEIROZ, Danilo (4 de janeiro de 2026). «Rivais separados por uma rua». Correio Braziliense. Consultado em 6 de janeiro de 2026 
  6. ROCHA, Marilene (2 de janeiro de 2026). «PSG-Paris FC entre as rivalidades mais próximas em estádios do futebol mundial». Regional Paulista. Consultado em 6 de janeiro de 2026 
  7. MARTINS, César Augusto (2 de janeiro de 2026). «Os rivais mais próximos do futebol? PSG recebe o novo vizinho Paris FC». Cine Total. Consultado em 6 de janeiro de 2026 
  8. a b FONTELELLE, André (3 de janeiro de 2026). «Separados por 22 metros, PSG e PFC duelam pelo coração dos parisienses». Folha de S.Paulo. Consultado em 13 de janeiro de 2026 
  9. PAPINI, Filipe Frossard (21 de dezembro de 2018). «Hoje é dia de clássico em Paris. E não, não tem jogo do PSG!». Sportv. Consultado em 20 de agosto de 2020 
  10. a b OLIVEIRA, Alexandre; VIEIRA, Colin; CERQUEIRA, Rodrigo (30 de março de 2018). «Lado B: em outra "galáxia", Paris FC sonha com elite e duelo contra o PSG». Sportv. Consultado em 21 de agosto de 2020 
  11. a b MALVERINO, Silvio (4 de janeiro de 2026). «Los separa una calle, volverán a jugar después de 48 años y Carlos Bianchi fue protagonista de la última vez». El Gráfico. Consultado em 6 de janeiro de 2026 
  12. STEIN, Leandro (27 de julho de 2020). «Bahrein adquire 20% do Paris FC na segundona francesa e projeta levar clube à Ligue 1 em três anos». Trivela. Consultado em 19 de agosto de 2020  }}
  13. CHAMORRO, Antônio (13 de janeiro de 2026). «Paris FC: algoz do PSG fez Raí virar a casaca na França». iG. Consultado em 13 de janeiro de 2026 
  14. ARANTES, Thiago (12 de janeiro de 2026). «Moda x petróleo: Dérbi de Paris ressuscita rivalidade após mais de 50 anos». UOL. Consultado em 13 de janeiro de 2026 
  15. CHAMORRO, Antônio (30 de junho de 2024). «Mais que um embaixador: como Raí ajuda a colocar o Paris FC, 'irmão mais velho' do PSG, na vitrine». ESPN. Consultado em 13 de janeiro de 2026 
  16. TELES, Gabriel; LUND, Tommy (2 de maio de 2025). «"Vizinho" do PSG, Paris FC volta à elite do futebol francês após 46 anos». CNN Brasil. Consultado em 6 de janeiro de 2026 
  17. a b ALMEIDA, Maria (4 de janeiro de 2026). «Ligue 1 2025-26: Doue e Dembélé iniciam o primeiro derby de Paris em mais de 35 anos». AeroAgora. Consultado em 6 de janeiro de 2026 
  18. «Grandes Equipes Paris FC». Pari et Gagne. Consultado em 3 de julho de 2020 
  19. «Grandes Equipes Paris SG». Pari et Gagne. Consultado em 3 de julho de 2020 
  20. a b c «Paris Football Club». Pari et Gagne. Consultado em 21 de agosto de 2020 
  21. «"Antigo" PSG, Paris FC é vizinho de rua do rival; veja curiosidades do novo time da elite francesa | futebol francês». ge. 9 de maio de 2025. Consultado em 9 de maio de 2025 
  22. «"Novo rico" de Paris consegue acesso e voltará a enfrentar o PSG no Francês após 46 anos». ge. GloboEsporte futebol francês. 3 de maio de 2025. Consultado em 9 de maio de 2025 
  23. «PSG perde para o Paris FC e é eliminado da Copa da França antes das oitavas de final». ge. GloboEsporte futebol francês. 12 de janeiro de 2026. Consultado em 12 de janeiro de 2026 

Ligações externas