Paradoxo estabilidade-instabilidade
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O paradoxo estabilidade-instabilidade é uma teoria de relações internacionais sobre o efeito das armas nucleares e da destruição mutuamente assegurada. O paradoxo afirma que quando dois países possuem armas nucleares, a probabilidade de uma guerra direta entre eles diminui muito, mas a probabilidade de conflitos menores ou indiretos entre eles aumenta.[1][2][3] Isto ocorre porque atores racionais querem evitar guerras nucleares e, portanto, não iniciam grandes conflitos nem permitem que conflitos menores se transformem em conflitos maiores — tornando, assim, seguro envolver-se em conflitos menores. Por exemplo, durante a Guerra Fria, os Estados Unidos e a União Soviética nunca se envolveram em guerras, mas lutaram por procuração na Coreia, no Vietname, em Angola, no Médio Oriente, na Nicarágua e no Afeganistão e gastaram quantias substanciais de dinheiro e mão-de-obra para ganhar influência relativa no terceiro mundo.[4]
Um estudo publicado no Journal of Conflict Resolution em 2009 avaliou quantitativamente a hipótese da paz nuclear e encontrou suporte para a existência do paradoxo estabilidade-instabilidade. O estudo determinou que, embora as armas nucleares promovam estabilidade estratégica e previnam guerras em larga escala, elas simultaneamente permitem conflitos de menor intensidade. Quando um estado possui armas nucleares, mas o seu oponente não possui, existe uma chance maior de guerra. Em contraste, quando existe propriedade mútua de armas nucleares com ambos os estados possuindo armas nucleares, as chances de guerra caem vertiginosamente.[5]
Este efeito pode ser observado na relação Índia-Paquistão e, até certo ponto, nas relações Rússia-OTAN.
Mecanismo
O paradoxo estabilidade-instabilidade:
"postula que ambas as partes num conflito considerarão racionalmente o conflito estratégico e o risco inerente de uma troca nuclear estratégica como insustentáveis, evitando, assim, qualquer escalada de conflitos subestratégicos para o nível estratégico. Este "limite" eficaz à escalada militarizada de conflitos subestratégicos encoraja os Estados a envolverem-se em tais conflitos com a confiança de que não se descontrolarão e ameaçarão os seus interesses estratégicos.
A força causal desta teoria do aumento do conflito subestratégico é o reconhecimento mútuo da insustentabilidade do conflito ao nível dos interesses estratégicos — um produto da Destruição Mútua Assegurada (MAD). Com os interesses estratégicos a formarem a "linha vermelha" que nenhum dos lados ousaria cruzar, ambos os lados são livres de prosseguir objetivos políticos subestratégicos através de conflitos militarizados, sem o receio de que os termos desse conflito se expandam para além do seu controlo e ponham em risco os seus interesses estratégicos. Efetivamente, com o risco de escalada descontrolada removido, os custos líquidos para se envolver em conflitos são reduzidos."[6]
Ver também
- Dissuasão mínima
- Paz nuclear
- Teoria da dissuasão
Referências
- ↑ Snyder, Glenn Herald (1965). The Balance of Power and the Balance of Terror (em inglês). [S.l.: s.n.]
- ↑ Jervis, Robert (1979). «Why Nuclear Superiority Doesn't Matter». Political Science Quarterly. 94 (4): 617–633. ISSN 0032-3195. JSTOR 2149629. doi:10.2307/2149629
- ↑ Jervis, Robert (1989). The Meaning of the Nuclear Revolution: Statecraft and the Prospect of Armageddon (em inglês). [S.l.]: Cornell University Press. ISBN 978-0-8014-9565-6
- ↑ Krepon, Michael. «The Stability-Instability Paradox, Misperception, and Escalation Control in South Asia» (PDF). The Henry Stimson Center. Consultado em 12 de agosto de 2017. Cópia arquivada (PDF) em 12 de agosto de 2017
- ↑ Rauchhaus, Robert (2009). «Evaluating the Nuclear Peace Hypothesis - A Quantitative Approach». Journal of Conflict Resolution. 53 (2): 258–277. doi:10.1177/0022002708330387
- ↑ Christopher J. Watterson 2017, 'Competing interpretations of the stability–instability paradox: the case of the Kargil War', The Nonproliferation Review, 24(1-2), 86, https://doi.org/10.1080/10736700.2017.1366623
Leitura adicional
- Hiim, Henrik Stålhane; Tunsjø, Øystein (2025). "The U.S.-China Stability-Instability Paradox: Limited War in East Asia". International Security. 50 (1): 152–181.
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