Papilas linguais
As Papilas linguais (singular: papila; do latim 'língua', e papilla, "mamilo, teta") são pequenas estruturas na superfície superior da língua que lhe conferem a sua característica textura áspera. Os quatro tipos de papilas na língua humana possuem estruturas distintas e são classificadas, correspondentemente, como circunvaladas (ou valadas), fungiformes, filiformes e foliadas. Todas, exceto as papilas filiformes, estão associadas às papilas gustativas.[1]
Estrutura
Em indivíduos vivos, as papilas linguais são mais facilmente visíveis quando a língua está seca.[2] Existem quatro tipos de papilas presentes na língua humana:
Papilas filiformes

As Papilas filiformes (do latim filum, "fio", e fōrmis, "que tem a forma de") são as mais numerosas das papilas linguais.[1] São papilas finas, pequenas e em forma de cone, encontradas na superfície anterior da língua.[3] Elas são responsáveis por conferir a textura à língua e pela sensação de tato. Ao contrário dos outros tipos de papilas, as papilas filiformes não contêm papilas gustativas.[1] Cobrem a maior parte dos dois terços anteriores da superfície da língua.[2]
Apresentam-se como projeções superficiais muito pequenas, cónicas ou cilíndricas,[2] e estão dispostas em fileiras paralelas ao sulco terminal. Na ponta da língua, estas fileiras tornam-se mais transversais.[2]
Histologicamente, são constituídas por núcleos irregulares de tecido conjuntivo com um epitélio contendo queratina que possui finos filamentos secundários.[2] Uma queratinização intensa das papilas filiformes, que ocorre, por exemplo, em gatos, confere à língua uma rugosidade característica nestes animais.
Estas papilas têm uma tonalidade esbranquiçada, devido à espessura e densidade do seu epitélio. Este epitélio sofreu uma modificação peculiar, pois as células tornaram-se semelhantes a cones e alongaram-se em filamentos densos, sobrepostos e semelhantes a escovas. Também contêm várias fibras elásticas, o que as torna mais firmes e elásticas do que os outros tipos de papilas. As papilas maiores e mais longas deste grupo são por vezes designadas por papilas cónicas.
Papilas fungiformes

As Papilas fungiformes (do latim fungī, "cogumelo", e fōrmis, "que tem a forma de") são projeções em forma de cogumelo na língua, geralmente de cor vermelha. Encontram-se na ponta da língua, dispersas entre as papilas filiformes, mas estão maioritariamente presentes na ponta e nas laterais da língua. Possuem papilas gustativas na sua superfície superior que podem distinguir os cinco sabores: doce, ácido, amargo, salgado e umami. Possuem um núcleo de tecido conjuntivo. As papilas fungiformes são inervadas pelo sétimo nervo craniano, mais especificamente através do gânglio submandibular, da corda do tímpano e do gânglio geniculado, ascendendo até ao núcleo do trato solitário no tronco cerebral.
Papilas foliadas

As Papilas foliadas (do latim foliātus, "folhoso") são pregas verticais curtas e estão presentes em cada lado da língua.[2] Estão localizadas nas laterais, na parte posterior da língua, mesmo em frente do arco palatoglosso da fauce.[4][2] Existem quatro ou cinco pregas verticais,[2] e o seu tamanho e forma são variáveis.[4] As papilas foliadas assemelham-se a uma série de sulcos da mucosa oral de cor avermelhada, semelhantes a folhas.[2] São cobertas por epitélio, não possuem queratina e, por isso, são mais suaves, e contêm muitas papilas gustativas.[2] Geralmente são bilateralmente simétricas. Por vezes parecem pequenas e discretas, e noutras alturas são proeminentes. Devido à sua localização ser um local de alto risco para cancro oral, e à sua tendência para inchar ocasionalmente, podem ser confundidas com tumores ou doença inflamatória. As papilas gustativas, os recetores do sentido gustativo, estão dispersas sobre a membrana mucosa da sua superfície. As glândulas serosas drenam para as pregas e limpam as papilas gustativas. As amígdalas linguais encontram-se imediatamente atrás das papilas foliadas e, quando hiperplásicas, provocam o proeminência das papilas.
Papilas circunvaladas

As Papilas circunvaladas (ou papilas valadas, do latim vallum, "muralha") são estruturas em forma de cúpula na língua humana que variam em número de 8 a 12. Estão situadas na superfície da língua, imediatamente em frente ao forame cego e ao sulco terminal, formando uma fileira em cada lado; as duas fileiras correm para trás e medialmente, encontrando-se na linha média. Cada papila consiste numa projeção da membrana mucosa com 1 a 2 mm de largura, fixada ao fundo de uma depressão circular da membrana mucosa; a margem da depressão é elevada para formar uma parede (vallum), e entre esta e a papila existe um sulco circular denominado fossa. A papila tem a forma de um cone truncado, sendo a extremidade menor dirigida para baixo e ligada à língua, e a parte mais larga ou base projetando-se um pouco acima da superfície da língua e sendo salpicada por numerosas pequenas papilas secundárias e coberta por epitélio pavimentoso estratificado. Os ductos das glândulas salivares linguais, conhecidas como Glândula de Von Ebner, libertam uma secreção serosa na base da depressão circular, que atua como um fosso. Presume-se que a função da secreção seja remover materiais da base da depressão circular para garantir que as papilas gustativas possam responder rapidamente à mudança de estímulos.[5] As papilas circunvaladas recebem inervação gustativa aferente especial do nervo craniano IX, o nervo glossofaríngeo, apesar de estarem à frente do sulco terminal. O restante dos dois terços anteriores da língua recebe inervação gustativa da corda do tímpano do nervo craniano VII, distribuída com o nervo lingual do nervo craniano V.
Função
Pensa-se que as papilas linguais, particularmente as papilas filiformes, aumentam a área de superfície da língua e aumentam a área de contacto e atrito entre a língua e os alimentos.[2] Isso pode aumentar a capacidade da língua de manipular o bolo alimentar e também de posicionar os alimentos entre os dentes durante a mastigação (mascar) e a deglutição (engolir).
Significado Clínico
Depapilação
Em algumas doenças, pode ocorrer a depapilação da língua, onde as papilas linguais são perdidas, deixando uma área lisa, vermelha e possivelmente dorida. Exemplos de condições orais que causam depapilação incluem a língua geográfica, glossite romboide mediana e outros tipos de glossite. O termo glossite, particularmente glossite atrófica, é frequentemente usado como sinónimo de depapilação. Quando toda a superfície dorsal da língua perdeu as suas papilas, isso é por vezes designado por "língua careca" (bald tongue).[4] As deficiências nutricionais de ferro, ácido fólico e vitaminas B podem causar depapilação da língua.[4]
Papilite/hipertrofia
Papilite refere-se à inflamação das papilas, e por vezes o termo hipertrofia é usado indistintamente.[carece de fontes]
Na papilite foliada, as papilas foliadas parecem inchadas. Isto pode ocorrer devido a irritação mecânica, ou como uma reação a uma infeção do trato respiratório superior.[4] Outras fontes afirmam que a papilite foliada se refere à inflamação da amígdala lingual, que é tecido linfoide.[6]
Outros animais
Sete tipos de papilas são descritos em mamíferos domésticos, sendo a sua presença e distribuição específicas de cada espécie:[7]
- Papilas mecânicas: filiformes, cónicas, lentiformes, marginais;
- Papilas gustativas: fungiformes, circunvaladas, foliadas.
As papilas foliadas são estruturas bastante rudimentares nos humanos,[1] representando vestígios evolutivos de estruturas semelhantes noutros mamíferos.[2]
Imagens Adicionais
-
A boca. As bochechas foram cortadas transversalmente e a língua puxada para a frente. -
Papilas e outros marcos da língua.
-
Papilas foliadas. -
Assoalho da boca. Dissecção profunda. Vista anterior.
-
Assoalho da boca. Dissecção profunda. Vista anterior.
-
Uma imagem que mostra as papilas filiformes, tirada com um microscópio USB.
Referências
- ↑ a b c d Norton N (2007). Netter's head and neck anatomy for dentistry. illustrations by Netter FH. Philadelphia, Pa.: Saunders Elsevier. p. 402. ISBN 978-1929007882
- ↑ a b c d e f g h i j k l Susan Standring (editor in chief)] (2008). «Chapter 33: NECK AND UPPER AERODIGESTIVE TRACT». Gray's anatomy : the anatomical basis of clinical practice 40th ed. [Edinburgh]: Churchill Livingstone/Elsevier. ISBN 978-0443066849
- ↑ «Tongue | Gastrointestinal Tract». histologyguide.com. Consultado em 19 de fevereiro de 2023
- ↑ a b c d e Scully C (2013). Oral and maxillofacial medicine : the basis of diagnosis and treatment 3rd ed. Edinburgh: Churchill Livingstone. pp. 401, 402. ISBN 9780702049484
- ↑ Ross, H R; Pawlina, W (2011). Histology: A text and atlas. Baltimore, MD.: Lippincott, Williams, and Wilkins. ISBN 978-0-7817-7200-6
- ↑ Rajendran A; Sundaram S (10 de fevereiro de 2014). Shafer's Textbook of Oral Pathology 7th ed. [S.l.]: Elsevier Health Sciences APAC. 34 páginas. ISBN 978-81-312-3800-4
- ↑ König, Liebich (2020). Veterinary anatomy of domestic animals: textbook and colour atlas 7th, updated and extended ed. Stuttgart; New York: Georg Thieme Verlag. ISBN 978-3-13-242933-8