Paolo Boi
| Paolo Boi | |
|---|---|
![]() Paolo Boi jugant contra el diable, dibuix de V. Barthe (segle XIX). | |
| Nascimento | Paolo Boi 1528 Siracusa |
| Morte | 1598 Nápoles |
| Cidadania | Reino da Sicília |
| Ocupação | jogador de xadrez |
Paolo Boi (1528 – 1598) foi um enxadrista italiano considerado como um dos melhores da sua época, tendo inclusive vencido o Papa Paulo III em 1549.
Ele nasceu em Siracusa e morreu em Nápoles, Itália.
Paolo Boi vs. o Diabo
A mulher misteriosa
Segundo uma lenda literária moderna, atribuída ao conto Paolo Boi et le diable de Victor Barthes (1935), Paolo Boi - descrito como um homem profundamente religioso - assistia regularmente às celebrações na Igreja de Santa Maria, numa pequena localidade da Calábria. Terá sido ali, numa manhã do ano de 1570, que conheceu uma jovem de extraordinária beleza.[1]
Após uma breve conversa, Paolo Boi ficou surpreendido ao descobrir que a jovem jogava xadrez. Aceitou disputar uma partida, durante a qual se apercebeu rapidamente da força invulgar da sua adversária. A partida prolongou-se até se alcançar uma posição crítica, momento em que Paolo Boi anunciou com segurança:
“Mate em dois.”
A posição é tradicionalmente apresentada como um mate em duas jogadas para as brancas.
https://www.chess.com/emboard?id=14349797
No instante em que Paolo Boi se preparava para jogar o seu cavalo, a narrativa refere que a Dama branca se transformou subitamente numa Dama negra, sugerindo uma intervenção sobrenatural.
https://www.chess.com/emboard?id=14349805

A mulher ter-lhe-á então dito:
“Ah, Paolo, não vencerás. Sou eu quem tem uma Dama, e tu não tens nenhuma.”
Ao que Paolo Boi respondeu calmamente que tal não teria importância, reiterando que a posição continuava a ser mate em dois. A lenda indica que o mate é concretizado após a sequência Nb5, Qxe7, Rd4, confirmando a previsão inicial.
O camponês
Ainda segundo o mesmo relato lendário, algum tempo depois Paolo Boi foi desafiado para uma nova partida por um camponês. Desconfiando tratar-se do mesmo adversário disfarçado — identificado implicitamente como o Diabo —, aceitou o desafio.
A partida decorreu em silêncio até se atingir uma posição decisiva. Nesse momento, o camponês terá declarado com convicção:
“Mate em sete.”
Ao analisar a posição, Paolo Boi apercebeu-se de que a combinação proposta conduzia inevitavelmente ao mate, mas que no lance final as peças dispostas no tabuleiro formariam uma cruz — símbolo incompatível com a natureza do seu adversário.[2]
https://www.chess.com/emboard?id=14349867
Perante esta constatação, o camponês hesitou e não executou o golpe final, abandonando subitamente a partida e desaparecendo. A narrativa interpreta este desfecho como a impossibilidade do Diabo concluir uma vitória que implicasse a formação de um símbolo cristão.
Interpretação
Esta história é hoje entendida como uma lenda de carácter simbólico e literário, sem fundamento histórico, representando a ideia de que Paolo Boi estaria sempre protegido pela sua fé e que a razão, aliada à devoção, prevaleceria mesmo sobre forças sobrenaturais.
Ligações externas
- Partidas de Paolo Boi (em inglês) no ChessGames.com
- Barthes, Victor. Paolo Boi et le diable. Les Cahiers de l’Échiquier Français, n.º 50, 1935.
- Berti, Federico. “Il diavolo nella scacchiera: la leggenda di Paolo Boi detto il Siracusano”.
- Hooper, David; Whyld, Kenneth. The Oxford Companion to Chess. Oxford University Press.
- ↑ Trépanier, Pierre (1995). «Esdras Minville (1896-1975) et le traditionalisme canadien-français». Les Cahiers des dix (50). 255 páginas. ISSN 0575-089X. doi:10.7202/1012916ar. Consultado em 2 de janeiro de 2026
- ↑ «Il diavolo, la campagna». Quodlibet. 27 de junho de 2023: 39–68. ISBN 978-88-229-1384-5. Consultado em 2 de janeiro de 2026
