Desmoronamento do Palace II
| Desmoronamento do Palace II | |
|---|---|
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| Data | 22 de fevereiro de 1998 (27 anos) |
| Local | Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil |
| Localização | Barra da Tijuca |
| Tema | Desmoronamento |
| Mortes | 8 |
O Desmoronamento do Palace II foi uma tragédia ocorrida na cidade do Rio de Janeiro em 22 de fevereiro de 1998 ocasionada a partir de dois subsequentes desmoronamentos do edifício residencial Palace II, localizado na Barra da Tijuca.[1]
Construção
O Palace II foi um edifício residencial construído na Barra da Tijuca, na cidade do Rio de Janeiro entre 1990 e 1996 pela Construtora Sersan, de propriedade do então Deputado Federal por Minas Gerais Sérgio Naya. A entrega da obra estava prevista originalmente para 1995 porém sofreu atrasos consecutivos durante o período de 1 ano, sendo entregue em 1996.[1]
Em 1996, segundo os moradores do edifício, o empreendimento foi interditado pela Defesa Civil após o falecimento de um operário em decorrência de uma queda no poço do elevador que apresentou defeito.[2]
A construtora já havia sido processada 4 vezes em virtude da má construção do prédio, que não havia recebido o habite-se da prefeitura do Rio de Janeiro.[1][3]
Primeiro desmoronamento
O primeiro desmoronamento ocorreu às 3 horas do dia 22 de fevereiro de 1998, quando os pilares 1 e 2 do edifício, onde havia 44 apartamentos, desabaram. O episódio ocasionou a morte de oito pessoas.[4]
Segundo desmoronamento
O segundo desmoronamento ocorreu pouco antes das 13 horas do dia 27 de fevereiro de 1998. 30 minutos antes do desmoronamento, o laudo técnico recomendava que os moradores voltassem ao edifício para recuperar seus bens, quando uma inexplicável coluna d'água irrompe da cobertura do 23° andar com toneladas de água. Não foi assentado se havia ou não uma piscina nessa laje como mostra a foto, no entanto, assume-se que a caixa d'água teria sido drenada por razões de segurança antes do ingresso de técnicos na instalação dos explosivos para a implosão.
Outra explicação para esse segundo desabamento é que os técnicos da implosão, preocupados em não incomodar os vizinhos, teriam pré-instalado uma grande quantidade de água na laje das coberturas para que na hora da implosão liberasse o mínimo de material particulado na atmosfera. Essa providência teria sobrecarregado o limite de resistência da estrutura fazendo parte dela ruir antes mesmo da implosão, mas essa possibilidade foi logo descartada.[carece de fontes]
22 apartamentos foram destruídos nessa segunda queda.[5]
Implosão
Dois dias depois da ocorrência do primeiro desmoronamento, em 24 de fevereiro, a prefeitura anunciou que a implosão do edifício ocorreria dentro de 5 dias, no momento do anúncio, houve um clima de comoção entre os moradores e proprietários, que começaram a chorar e se abraçar consternados com a situação.[6]
O então prefeito Luiz Paulo Conde (PFL) decretou a implosão a partir da recomendação de técnicos das secretarias municipais de Obras e de Urbanismo, da Geo-Rio e da Defesa Civil[6], em função de investigações anteriores terem encontrado em registro como causa da tragédia um erro estrutural de cálculo, assinado pelo engenheiro responsável, nas vigas de sustentação do edifício, tendo 78% dos pilares do prédio sido construídos com coeficiente de segurança abaixo do estabelecido pela Associação Brasileira das Normas Técnicas, que é de 1,4 e os do edifício apresentaram 0,66.[7]
Em um laudo executado pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli três meses após o acidente, foi identificado o subdimensionamento dos pilares P4 e P44, que deveriam ter sido construídos com a capacidade de sustentar 480 toneladas, contudo, foi evidenciado que foram edificados com a capacidade de sustentação de apenas 230, isto ocorreu em função de uma falha no detalhamento da armação, onde o então calculista da obra, José Roberto Chendes, simplificou o detalhamento das estruturas para "facilitar o processo de execução da obra".[7]
O Palace II foi completamente implodido ao meio-dia de 28 de fevereiro de 1998.[8]A execução do processo foi feita pela empresa CDI Implosões, de São Paulo[6], e transmitida ao vivo para todo o Brasil pela televisão.
Desdobramentos do caso
Depois do incidente com o Palace, Naya foi para os Estados Unidos, mas conseguiu ser localizado algum tempo depois em Miami.[9] Chegou a ficar preso por 137 dias, em duas passagens pela prisão (26 dias na Polinter, no Rio, em 1999, após ser preso em Brasília, pelas denúncias de ser o responsável pelo desabamento[10] e em 2004, em Porto Alegre, por mais quatro meses, quando tentava fugir para Montevidéu[10]),[11] mas em 2005 foi absolvido por cinco votos a zero do processo criminal que o acusava de causar o desabamento. Ficou comprovado que ele não era o engenheiro responsável pela obra, tendo erro de cálculo do projetista. Quanto ao uso de materiais de baixa qualidade, o laudo não foi convincente o suficiente para a condenação.[12] A anulação da condenação ocorreu porque os promotores, ao apelarem da sentença, desrespeitaram o Código Penal, alterando a classificação do crime de doloso (cabível se o prédio tivesse sido construído com o objetivo de cair) para culposo (o crime ocorreu devido à negligência, desatenção ou descaso).[12]
A construtora Sersan havia se comprometido a pagar indenizações às famílias em até 6 meses, o que não ocorreu.[9] Acionado judicialmente, as contas bancárias de Naya foram bloqueadas.[9] Foi condenado a pagar indenizações que variavam de 200 mil a 1,5 milhões de reais a aproximadamente 120 famílias.[10] Para pagá-las, teve seus bens leiloados, mas as execuções judiciais não haviam terminado até o seu falecimento. Sobre a tragédia, Naya declarou que o desabamento foi uma fatalidade e que a associação das vítimas criou uma indústria de danos morais.[10]
Em 2008, Naya foi denunciado por fraude à execução por ocasião da venda de um terreno avaliado em 20 milhões de reais de propriedade da LPS Participações e Empreendimentos, na qual em 2007 a Construtora Sersan era sócia majoritária. Dois dias antes da venda, a Sersan foi substituída por outra empresa, impedindo que o dinheiro da venda fosse usado para satisfazer as execuções judiciais em andamento contra a construtora.[13]
Reconstrução
Em 2010, a construtora Calçada adquiriu o terreno onde o Palace II havia construído, com intuito de erguer um novo condomínio no local.[14]
Referências
- ↑ a b c «Folha de S.Paulo - Prédio de 22 andares cai no Rio e soterra 4 (com foto) - 23/02/98». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 28 de dezembro de 2025
- ↑ «Folha de S.Paulo - Condômino pagou obra de acabamento - 23/02/98». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 28 de dezembro de 2025
- ↑ «Folha de S.Paulo - Prédio estava inacabado - 23/02/98». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 28 de dezembro de 2025
- ↑ «Folha de S.Paulo - Cinco vítimas são enterradas no Rio - 02/03/98». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 28 de dezembro de 2025
- ↑ «Correio do Povo - Mais um desabamento no prédio». 28 de fevereiro de 1998 [ligação inativa]
- ↑ a b c «Folha de S.Paulo - Prefeitura do Rio decide implodir prédio - 25/02/98». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 28 de dezembro de 2025
- ↑ a b «Folha de S.Paulo - Laudo aponta erro nos pilares do Palace 2 - 19/05/98». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 28 de dezembro de 2025
- ↑ «Correio do Povo - Implosão do Palace será ao meio-dia». 28 de fevereiro de 1998 [ligação inativa]
- ↑ a b c «Ex-deputado federal, Sérgio Naya ficou conhecido após a tragédia do Palace II, no Rio». Extra Online. Globo. Consultado em 2 de abril de 2010
- ↑ a b c d «Folha Online - Brasil - Corpo de Sérgio Naya deve ser velado e enterrado em Laranjal (MG) - 21/02/2009». Consultado em 2 de abril de 2010
- ↑ "Famílias do Palace 2 ainda vivem em hotel", Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo, 17/2/2008, pág. C6
- ↑ a b «Folha Online - Cotidiano - TJ absolve Sérgio Naya e engenheiro por desabamento do Palace 2 - 07/06/2005». Consultado em 2 de abril de 2010
- ↑ «Folha Online - Cotidiano - Procurador denuncia Sérgio Naya por fraude em venda de terreno». 22 de fevereiro de 2008. Consultado em 2 de abril de 2010
- ↑ Freire, Quintino Gomes (9 de setembro de 2011). «Barra One, um prédio no lugar do Palace II». Diário do Rio de Janeiro. Consultado em 20 de fevereiro de 2023
