Paul-Eugène Charbonneau
| Paul-Eugène Charbonneau | |
|---|---|
| Nome completo | Paul-Eugène Charbonneau |
| Nascimento | |
| Morte | 11 de setembro de 1987 (61 anos) |
| Nacionalidade | canadiano |
| Educação | Universidade de Montreal |
| Ocupação | sacerdote, teólogo, educador |
Paul-Eugène Charbonneau, CSC (Sainte-Agathe-des-Monts, 15 de dezembro de 1925[1][2] – 11 de setembro de 1987)[3] foi um sacerdote católico, teólogo e educador canadense radicado no Brasil desde 1959.[4]
Biografia
Nascido em Sainte-Agathe-des-Monts, Quebec, aos 10 anos, após falecimento dos pais, vai morar em Montreal, com seu irmão mais velho, René, e sua esposa. Graduou-se em filosofia na Universidade de Montreal (1947), em Teologia, pela Congregação de Santa Cruz (1951). Em 23 de novembro de 1950, ordenou-se padre pela Congregação de Santa Cruz, no Oratório São José, em Montreal. Em 1956, obteve o título de doutor em teologia, também pela Universi-dade de Montreal.[2] Durante a década de 1950, também em Montreal, foi diretor do serviço de preparação ao casamento e professor de Teologia na Universidade de Montreal, no Instituto Superior de Ciências Religiosas e no Seminário da Congregação de Santa Cruz. Foi também professor de Filosofia no Colégio Saint Laurent e na Congregação Santa Cruz. Transferido para Roma, em 1956, trabalhou na Cúria Generalizada de Santa Cruz.
Designado para ensinar filosofia no Colégio Santa Cruz, em São Paulo, o padre Charbonneau chegou ao Brasil em 1959. De 1965 até sua súbita morte em 1987, foi vice-diretor do Colégio, demarcando os princípios que sustentam a filosofia e a ação educacional do Colégio.[2]
Enfatizava a relação direta entre conhecimento e ação e defendia uma visão total do ser humano, ligando corpo e alma, vida física e espiritual. Estimadíssimo pelos alunos, procurava transmitir-lhes a atitude crítica, o respeito à diversidade de pensamento, o amor à vida e às coisas do espírito. Estudioso, arguto, polêmico, é autor de extensa obra, grande parte da qual dedicada à educação e a questões relativas a sexualidade, drogas, adolescência, educação, Deus, casamento, ciência e política.
Sobre a juventude e seu poder inspirador, disse:
Somos inquietos. Porque os jovens nos empurram no caminho da existência e nos forçam todos os dias a nos fazer cem perguntas insolúveis; porque exigem de nós respostas; porque todas as manhãs, na luz do dia que desponta, erguem à nossa frente o impenetrável mistério do homem; porque nos perguntam como tornar-se homem e por que tornar-se cristão... Eles nos tiram o repouso do espírito e não nos deixam parar.[5]
Foi professor de Ciências Religiosas na PUC-SP; de Teologia, no Instituto de Filosofia e Teologia de São Paulo entre 1965 e 1966; de Antropologia, na Escola Paulista de Medicina (1967); e de Moral, na Escola Paulista de Enfermagem (1969). Foi um dos membros fundadores da Associação de Dirigente Cristãos de Empresas (ADCE), para a qual trabalhou como assessor doutrinário.
Foi delegado brasileiro no Congresso Internacional da Union Internationale Chrétienne des Dirigeants d'Entreprise (UNIAPAC), no Chile (1961) e em Bruxelas, Bélgica (1962). Também representou o Brasil na Comissão Central de Delegados para a UNIAPAC, em Buenos Aires, Argentina (1963); na Fédération internationale des écoles de parents et d’éducateurs, entidade membro da UNESCO, em Quito, Equador (1981); e no Congresso Nacional e Latino-Americano de Escolas de Pais, em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, em 1980 e 1981.
Colaborador assíduo do jornal Folha de S. Paulo, de 1969 até os anos 1980,[1][6] e conferencista renomado, proferiu palestras nos EUA, Canadá e na Europa, mas principalmente, no Brasil, onde fez programas de televisão e rádio. Suas obras têm sempre a finalidade de orientação tanto para casais, pais em relação aos filhos, educação, prevenção ao abuso de drogas, educação sexual, orientação cristã.
A 10 de agosto de 1987, quando iniciava uma conferência no Colégio Madre Cabrini, em São Paulo, o Padre Charbonneau sofre uma hemorragia cerebral. Levado ao Hospital Santa Catarina, morre um mês depois, em 11 de setembro, aos 61 anos, por falência de múltiplos órgãos.[7][8]
Obras
O Padre Charbonneau publicou 45 livros, em várias línguas, dentre os quais:
- Adolescência e Liberdade. Editora Pedagógica e Universitária - EPU.
- Adolescência e Sexualidade. Paulus.
- Aids: Prevenção, Escola. Paulus.
- Carta aberta aos teólogos sôbre um problema do mundo moderno. Limitação dos nascimentos. Duas Cidades.
- Cristianismo, Sociedade e Revolução. Herder.
- Crônica da Solidão. Editora Pedagógica e Universitária - EPU.
- Curso de preparação ao casamento. HERDER.
- Da teologia ao homem: ensaio sobre a teologia da libertação. Loyola.
- Drogas: prevenção, escola. Paulinas.
- Educar: diálogo de gerações. EPU.
- O Homem à procura de Deus. EPU.
- Humanae Vitae e liberdade de consciência. Herder.
- Jovens: Casamento à Vista. Loyola.
- Da Rerum Novarum à Teologia da Libertação. Loyola
- Sentido cristão do Casamento - ensaio a respeito da espiritualidade conjugal. Loyola.
- Desenvolvimento dos povos. Herder.
- Amor de outono: encontros de casais. Loyola.
- Auto-ajuda e desenvolvimento humano.
- Entre Capitalismo e Socialismo: a Empresa Humana. Thomson Learning.
- A escola moderna, uma experiência brasileira: O Colégio Santa Cruz. EPU.
- Jovens: casamento à vista. Loyola.
- La Figure Merveilleuse de Maria. Fides.
- Limitação dos nascimentos. Codil.
- Marxismo e socialismo real. Loyola.
- Namoro e Virgindade. Moderna.
- Noivado. Codil.
- Pais e filhos: diálogo sobre o amor. Herder.
- Educação brasileira e colégios de padres (em co-autoria com Gilles BEAULIEU). São Paulo, Herder.
- Reforma social cristã do Brasil.
Sobre Charbonneau
- Martins, Alberto. Charbonneau - Ensaio e Retrato. Scipione, 1997, ISBN 8526233793.
Referências
- ↑ a b «Folha de S.Paulo - LIVROS-PRIMEIRA LEITURA: Nos extremos da lucidez e da paixão - 31/08/97». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 7 de setembro de 2025
- ↑ a b c Santos, Bárbara da Silva; Orlando, Evelyn de Almeida (12 de junho de 2019). «Religião, educação e política na trajetória intelectual do padre Paul-Eugène Charbonneau / Religion, education and politics in the intellectual trajectory of priest Paul-Eugène Charbonneau». Revista de História e Historiografia da Educação (8): 135–164. ISSN 2526-2378. doi:10.5380/rhhe.v3i8.67450. Consultado em 7 de setembro de 2025
- ↑ «Congregação de Santa Cruz - Pe Charbonneau». Consultado em 14 de julho de 2015. Arquivado do original em 14 de julho de 2015
- ↑ «Paul-Eugene Charbonneau no Memorial da Fama». memorialdafama.com. Consultado em 7 de setembro de 2025. Cópia arquivada em 14 de julho de 2015
- ↑ «Santa Cruz: pequena crônica de um ideal». Colégio Santa Cruz. Consultado em 7 de setembro de 2025
- ↑ Orlando, Evelyn de Almeida; Mesquida, Peri (Orgs.) (2021). Intelectuais e Educação: contribuições teóricas à História da Educação (PDF). Porto Alegre: Editora Fi. ISBN 978-65-5917-160-6. doi:10.22350/9786559171606
- ↑ «Folha de S.Paulo - Cronologia - 31/08/97». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 7 de setembro de 2025
- ↑ Jahnke, Jefferson Fellipe (2017). «O pensamento pedagógico do padre Paul-Eugène Charbonneau para a educação brasileira: produção e circulação de saberes pedagógicos no período de 1959 a 1987» (PDF). Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Curitiba. p. 46. Consultado em 7 de setembro de 2025
Ligações externas
- Martins, Alberto. Padre Paul-Eugène Charbonneau: o boxeador que ensinava a pensar. Série Santa Cruz de Perfil. São Paulo: Colégio Santa Cruz, setembro de 2017.
- Site do Colégio Santa Cruz
- Site da Congregação de Santa Cruz no Brasil