Pátio Martel
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O Pátio Martel — conhecido a partir do início do século XX como Vila Martel — é um antigo conjunto de ateliers e habitações de artistas situado na Rua das Taipas, n.º 55, em Lisboa, Portugal. Criado em 1883, o espaço tornou‑se um dos mais importantes núcleos de produção artística da cidade, acolhendo durante várias décadas os ateliers de pintores, escultores e ceramistas como Columbano Bordalo Pinheiro, José Malhoa, Carlos Reis, Eduardo Viana, Francisco Franco e Jorge Colaço.
História
O Pátio Martel foi construído em 1883 por José Campelo Trigueiros Martel,[1] um nobre republicano e um dos fundadores do jornal O Século. Nasceu assim um espaço de habitação e oficinas para artesãos e artistas. Situado no bairro de São José, inseria‑se na tipologia das vilas e pátios lisboetas do final do século XIX, caracterizados por pequenas moradias e oficinas voltadas para um pátio comum. No início do século XX, o local passou a ser conhecido como Vila Martel e atraiu um número crescente de artistas que aí instalaram os seus ateliers. A combinação de rendas acessíveis, boa iluminação natural e proximidade com o centro artístico lisboeta (Avenida da Liberdade e Academia de Belas‑Artes) tornou o espaço particularmente apelativo.
Artistas residentes
Diversos artistas de renome tiveram ateliers no Pátio Martel ao longo das décadas: Columbano Bordalo Pinheiro — c. 1890–1920. Um dos primeiros e mais importantes residentes; manteve o seu atelier no pátio durante grande parte da sua carreira.
José Malhoa — c. 1890–1905. Trabalhou temporariamente no pátio antes de se instalar no seu atelier próprio, na Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves.
Carlos Reis — c. 1910. Associado ao grupo de artistas que frequentava o local nas primeiras décadas do século XX.
Eduardo Viana — c. 1910–1930. Pintor modernista que pertenceu à geração seguinte de artistas ligados ao espaço.
Francisco Franco — década de 1920. Escultor com oficina documentada no pátio.
Jorge Colaço — c. 1930–1950. Pintor e ceramista que manteve ali um atelier na fase final de ocupação artística do local.
Arquitetura
O conjunto é composto por pequenas construções de um e dois pisos organizadas em torno de um pátio interior. As fachadas apresentam reboco simples e caixilharias em madeira. As oficinas distinguem‑se por janelas amplas e claraboias que proporcionam iluminação natural, essenciais para o trabalho artístico.
Degradação e reabilitação
Durante a segunda metade do século XX, o Pátio Martel entrou em progressiva degradação e muitos dos ateliers ficaram abandonados. A partir da década de 2020 surgiram propostas de reabilitação e reconversão, incluindo um projeto controverso para a instalação de uma unidade hoteleira, gerando debate sobre a preservação da importantíssima memória artística do local.
Ver também
Referências
- ↑ «An old artists' villa hidden in Principe Real hills | Visit Lisboa». www.visitlisboa.com. Consultado em 22 de outubro de 2025
Ligações externas
- Vila Martel: o pátio de Columbano e outros artistas está hoje de portas fechadas e ateliers inacessíveis. A Mensagem de Lisboa. Publicado a 24 de outubro de 2022.
- Vila Martel, a aldeia dos artistas, vai ser transformada em hotel. A Mensagem de Lisboa. Publicado a 19 de março de 2025.
- Biografia de Columbano Bordalo Pinheiro, no Portal Arqnet.