Ovídio Chaves
| Ovídio Chaves | |
|---|---|
| Nome completo | Ovídio Moojen Chaves |
| Nascimento | 29 de julho de 1910 |
| Morte | 3 de agosto de 1978 (68 anos) |
| Nacionalidade | Brasileiro |
| Educação | Conservatório de Música de Porto Alegre |
Ovídio Chaves (29 de julho de 1910, Lagoa Vermelha — 3 de agosto de 1978, Rio de Janeiro) foi um jornalista, compositor e poeta brasileiro.
Biografia
Vida pessoal
Nascido na cidade de Lagoa Vermelha, Rio Grande do Sul, teve o gosto pela música incentivado desde a infância pelo pai, um comerciante que tocava bandoneon nas horas vagas.[1] Por volta dos 15 anos, passou a tocar violino na orquestra de cinema local durante as exibições de filmes mudos.[2]
Em 1961, mudou-se para o Rio de Janeiro a convite do presidente João Goulart para ser redator na Rádio Nacional. Durante a ditadura militar, no governo do General Castelo Branco, foi demitido, preso e torturado.[2] Após ser liberto, passou a morar na ilha de Paquetá, onde escrevia anonimamente para a Revista Manchete. Também nesse período, começou a produzir bolsas e cintos de couro que eram vendidos na feira da praça General Osório, em Ipanema, a qual ajudou a fundar.[3]
Ovídio Chaves faleceu no dia 3 de agosto de 1978, no Rio de Janeiro, durante uma cirurgia de revascularização do miocárdio.[3]
Foi casado com Hermínia Berthier Machado Chaves, falecida no Rio de Janeiro em setembro de 2014. Era formada em Direito, Pedagogia, Arqueologia e Antropologia; passou a sofrer de mal de Alzheimer quando cursava o quinto período de Psicanálise. Deixaram três filhos e seis netos.[4][3]
Carreira
Em 1932, aos 22 anos, se mudou para Porto Alegre onde começou a estudar no Conservatório de Música de Porto Alegre e trabalhar como jornalista, passando pelos jornais Correio do Povo, Diário de Notícias e Folha da Tarde, além das rádios Farroupilha e Gaúcha.[2] Entre 1933 e 1938, Chaves publicou três livros de poesia, sendo eles Cancioneiro (1933), O anel de vidro (1934) e Uma janela aberta (1938).[1]
No ano de 1944, foi originalmente lançada sua primeira composição (de 1939), "Fiz a cama na varanda", pela cantora maranhense Dilu Melo. A canção é ainda o seu maior sucesso, sendo regravada por diversos artistas, incluindo Stellinha Egg, Inezita Barroso, Dóris Monteiro e Nara Leão.[1][3] A parceria com Dilu Melo rendeu mais cinco gravações nos 12 anos seguintes. Ao longo de sua carreira, Ovídio Chaves teve cerca de 20 composições gravadas.[2]
O seu quinto livro publicado, ABC de Paquetá: Guia poético da ilha, lhe rendeu o Prêmio de Poesia Olavo Bilac, em 1976, por unanimidade do júri da Academia Brasileira de Letras.[4] A obra também recebeu elogios de Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e Augusto Meyer.[2] Ovídio Chaves, que havia sido preso e torturado sob o governo do General Castelo Branco, teve receio de comparecer à cerimônia de premiação e sessão de autógrafos, mas nenhum agente do governo apareceu.[3]
Discografia
- "Alecrim da beira d’água" (1942) - parceria com Dilu Melo
- "Fiz a cama na varanda" (1944) - parceria com Dilu Melo
- "Menino dos olhos tristes" (1945) - parceria com Dilu Melo
- "Rede de Maria" (1945)
- "Meia-canha" (1951) - parceria com Dilu Melo
- "Toada do jangadeiro" (1962) - parceria com Enoque Figueiredo
Obras publicadas
- Cancioneiro (1933)[1]
- O anel de vidro (1934)[1]
- Uma janela aberta (1938)[1]
- Capricornius (1945)[3]
- ABC de Paquetá: Guia poético da ilha (1967)[3]
- Chão de Infância (1980, post mortem)[3]
Referências
- ↑ a b c d e f «Ovídio Chaves». Dicionário Cravo Albin. Consultado em 1 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 1 de agosto de 2025
- ↑ a b c d e «A Era do Rádio 6 – Capítulo XLII - Matinal Jornalismo». Matinal. 11 de dezembro de 2020. Consultado em 1 de agosto de 2025
- ↑ a b c d e f g h Campos, Marcello (22 de agosto de 2023). «Clube da Chave: a casa noturna mais intelectual de Porto Alegre». Jornal do Comércio. Consultado em 1 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 1 de agosto de 2025
- ↑ a b V. R. Nepomuceno, Davino (2003). História de Lagoa Vermelha até o Início do 3º Milênio. Porto Alegre: EST. 528 páginas