Oskar Negt

Oskar Negt
Oskar Negt, 2011
Nascimento1 de agosto de 1934
Kapkeim
Morte2 de fevereiro de 2024 (89 anos)
Hanôver
CidadaniaAlemanha
Ocupaçãofilósofo, professor universitário, sociólogo
Distinções
Empregador(a)Universidade de Hanôver

Oskar Reinhard Negt (Kapkeim, 1 de agosto de 1934Hanôver, 2 de fevereiro de 2024) foi um filósofo e sociólogo alemão.

Vida e obra

Nasceu em 1934 na cidade de Kapkeim, situada na Prússia oriental, próxima de Königsberg. Estudou direito e filosofia em Göttingen. Concluiu seus estudos de sociologia em Frankfurt am Main, onde doutourou-se sob a orientação de Theodor Adorno com um trabalho sobre a oposição entre método dialético e método positivista nas obras de Georg Friedrich Hegel e Auguste Comte. Atuou em seguida como assistente de Jürgen Habermas, mas se opos à esfera pública burguesa defendida por Habermas, propondo um retorno às fontes da teoria crítica na procura de um espaço público de oposição. Em 1970, foi nomeado para a cátedra de sociologia na Universidade de Hannover, onde dirigiu o Institut für Soziologie até sua aposentadoria em 2003.

Seu pensamento nutre-se de experiências práticas diversas e significativas. Na cidade de Hannover, ficou conhecido principalmente como co-fundador da "Glockseeschule", uma das poucas escolas alternativas que surgiram na Alemanha Ocidental. Permanecendo politicamente próximo dos sindicatos, fundou o departamento de formação operária da IG Metall. Orientou diversas pesquisas sobre culturas populares, o sistema educacional, a ação coletiva e a transformação das tradições políticas.

Oskar Negt foi um dos porta-vozes da chamada "geração 68" e um dos líderes teóricos do SDS (Sozialistischen Deutscher Studentenbund). De 1962 a 1970, foi assistente de Jürgen Habermas nas Universidades de Heidelberg e de Frankfurt. Na coletânea por ele editada "A esquerda responde a Habermas" (Die Linke antwortet Habermas, 1968) Negt - junto com Wolfgang Abendroth e outros militantes do SDS - atacou Habermas por este ter se oposto à revolta dos estudantes, tachando-a de "fascismo de esquerda", ataque pelo qual mais tarde Negt teve que se desculpar publicamente.[1]

No início dos anos 1960, Oskar Negt esteve estreitamente vinculado aos sindicatos. Para o trabalho de formação que exercia nos sindicatos, escreveu Imaginação sociológica e ensino exemplar. Para a teoria da educação operária (1964), um de seus escritos mais influentes. Durante o debate sindical em torno da semana de 35 horas nos anos 1980, publicou o escrito Trabalho vivo, tempo morto. Dimensões políticas e culturais da luta em torno do tempo de trabalho *1984), que enxerga um potencial utópico no ultrapassamento do limite das 8 horas/dia e 40 horas/semana.

Escreveu diversos estudos em colaboração com o escritor Alexander Kluge.

Negt morreu em 2 de fevereiro de 2024, aos 89 anos, em Hanôver.[2]

Sindicatos para quê?

Wozu noch Gewerkschaften?

Em seus livros mais recentes, Oskar Negt ocupou-se com a questão do trabalho na globalização. No seu livro crítico dos sindicatos "Sindicatos para quê?" descreve os novos desafios do sindicalismo em nossas sociedades modernas. O engajamento político não segue mais o tipo tradicional de organização e os tempos em que os sindicatos "arrendavam a perspectiva para o futuro e o monopólio do progresso terminaram". Negt vê que, de uma maneira geral, os sindicatos não se preocupam com o âmbito extra-profissional. Aqui o mandato cultural deveria ser ampliado. Para Negt, a ação dos sindicatos não deveria limitar-se à luta por interesses econômicos, mas estender-se também ao terreno da cultura, visando o uso que deve ser dado ao tempo livre. Negt acrescenta ainda que a limitação dos sindicatos a seu papel tradicional conduzirá ao fracasso. Nos dias atuais, em que os fluxos de capital se aceleram e se flexibilizam, graças às possibilidades oferecidas pela tecnologia, o capital não admite mais entrar em conflito direto com as organizações. Ele se esquiva do confronto e emigra para outro lugar. Por isso, num tempo em que os sindicatos fazem cada vez mais concessôes, devemos sempre nos lembrar que: "[...] Estado social e democracia formam uma unidade indissociável. Quem danifica o núcleo do Estado social, corta pela raiz a democracia". Neste livro, Negt considera o homem como um todo, não se limita aos problemas internos à profissão, mas penetra nos problemas também fora da vida de trabalho. Poluição ambiental e moléstias causadas pelo excesso de barulho, para tomar apenas dois temas, são problemas que surgem com o modo de produção capitalista.

Trabalho e dignidade humana

O homme é dirigido e governado pela exonomia. Segundo Negt, é tarefa dos sindicatos levar a sério esse "mandato cultural". Os sindicatos, que através de sua organização, de seus membros, seus recursos políticos, possuem uma ideologia humanista e progressiva, são também em sua prórpria tradição obrigados a atuar no fronte extra-profissional. Em um de seus vários livros, "Trabalho e dignidade humana", Negt indica que os efeitos factícios provocados pelo predomínio do desemprego são um ato de violência, que despoja de dignidade milhões de pessoas e isso apesar dos estados industriais serem hoje mais ricos do que nunca. Este livro traduz para os dias atuais as idéias e concepções de Negt. Negt não ataca o sistema complexo em nome do impossível. Suas idéias ancoram-se nas relações atuais de poder em nossas sociedades. Negt refere-se a duas economias. A primeira segue as leis do mercado. A segunda economia, que não deve funcionar consorme as regras do mercado, cinge-se ao bem comum da sociedade. Negt não quer a supressão das relações de propriedade, ele adota, em vez disso, uma posição social-democrata de esquerda, que fixa limites ao capital.

Esfera pública e experiência

Numa das mais importantes contribuições que ele escreveu junto com Alexander Kluge chama-se "Esfera pública e experiência: Para a análise da organização da esfera pública burguesa e proletária".

Educação

Negt vê, assim como Wright Mills, a imaginação sociológica acoplada ao trabalho de educação orientado para a experiência. O sucesso de um acoplamento como esse consiste em "esclarecer os conflitos fundamentais, frequentemente reprimidos ou desviados, do indivíduo como contradição estrutural da sociedade e distingui-los dos meros sintomas dos mesmos conflitos".

Negt defende qualificações sociais fundamentais, um desenvolvimento nas dimensões da vida.

Citações

O sindicato deve ampliar seu mandato político. Isso não significa que ele deva tornar-se um sucedâneo de partido, mas que ele deve se tornar consciente de sua missão histórica para a o desenvolvimento social como um todo. Os sindicatos não existem apenas para o mundo do trabalho vivo, mas também para a vontade criativa na sociedade."

Obras (seleção)

Livros

  • Strukturbeziehungen zwischen den Gesellschaftslehren Comtes und Hegels. (Relações estruturais entre as doutrinas sociais de Comte e de Hegel) Frankfurt am Main 1964.
  • Soziologische Phantasie und exemplarisches Lernen. Zur Theorie der Arbeiterbildung.(Imaginação sociológica e ensino exemplar. Para a teoria da educação operária) Frankfurt am Main 1968.
  • (Ed.): Die Linke antwortet Jürgen Habermas (A esquerda responde a Jürgen Habermas). Frankfurt am Main 1968.
  • Politik als Protest. Reden und Aufsätze zur antiautoritären Bewegung. (Política como protesto. Discursos e artigos para o movimento anti-autoritário) Frankfurt am Main 1971.
  • (Com Alexander Kluge): Öffentlichkeit und Erfahrung. Zur Organisationsanalyse von bürgerlicher und proletarischer Öffentlichkeit. (Esfera pública e experiência. Para a análise da organização da esfera pública burguesa e proletária)Frankfurt am Main 1972.
  • Keine Demokratie ohne Sozialismus. Über den Zusammenhang von Politik, Geschichte und Moral.(Sem socialismo, não há democracia. Sobre a conexão entre política, história e moral) Frankfurt am Main 1976.
  • (Com Alexander Kluge): Geschichte und Eigensinn. Geschichtliche Organisation der Arbeitsvermögen -- Deutschland als Produktionsöffentlichkeit -- Gewalt des Zusammenhangs. (História e sentido. Organização histórica da força de trabalho). Frankfurt am Main 1981.
  • Lebendige Arbeit, enteignete Zeit. Politische und kulturelle Dimensionen des Kampfes um die Arbeitszeit. (Trabalho vivo, tempo morto. Dimensões políticas e culturais da luta em torno do tempo de trabalho) Frankfurt am Main/New York 1984.
  • Modernisierung im Zeichen des Drachen. China und der europäische Mythos der Moderne. Reisetagebuch und Gedankenexperimente. (Modernização sob o signo do dragão. A China ee o mito europeu da modernidade. Diário de viagem e pensamento). Frankfurt am Main 1988.
  • Die Herausforderung der Gewerkschaften. Plädoyers für die Erweiterung ihres politischen und kulturellen Mandats. (O desafio dos sindicatos. Pela ampliação de seu mandato político e cultural) Frankfurt am Main/New York 1989.
    • Kältestrom. (Corrente gelada)Göttingen 1994, ISBN 3-88243-358-2
  • Unbotmäßige Zeitgenossen. Annäherungen und Erinnerungen (Contemporâneos insubordinados. Aproximações e recordações), Frankfurt am Main 1994.
  • Achtundsechzig. Politische Intellektuelle und die Macht (1968: Intelectuais e poder), Göttingen 1995.
  • Kindheit und Schule in einer Welt der Umbrüche. (Infância e escola num mundo em ebulição) Göttingen 1997.
  • (com Hans Werner Dannowski): Königsberg - Kaliningrad. Reise in die Stadt Kants und Hamanns (Königsberg, Kaliningrado. Viagem à cidade de Kant de de Haman), Göttingen 1998.
  • Warum SPD? 7 Argumente für einen nachhaltigen Macht- und Politikwechsel (Por quê SPD? 7 argumentos para um intercâmbio político duradouro), Göttingen 1998.
  • (com Alexander Kluge): Der unterschätzte Mensch. (O homem subestimado)Frankfurt am Main 2001.
  • [[Arbeit und menschliche (Trabalho e dignidade humana), Göttingen 2001 ISBN 3-88243-786-3
  • Kant und Marx. Ein Epochengespräch (Kant e Marx. Um diálogo de época), Göttingen 2003.
  • Wozu noch Gewerkschaften? Eine Streitschrift (Sindicatos para quê? Uma polêmica), Steidl Verlag, 2004, ISBN 3-86521-165-8[3]

Artigos em periódicos

Artigos em jornais

  • Ironie der Geschichte oder: Der Kaiser ist nackt. Über alte und neue Kleider, den Kapitalismus, die Globalisierung und die Notwendigkeit der Solidarität. In: Frankfurter Rundschau, 4. Juli 1998.
  • Die Aufdringlichkeit der Sinne. Vom machtgeschützten Verlust der gesellschaftlichen Sehkraft. In: Frankfurter Rundschau, 28. Juni 2000.
  • Der gute Bürger ist derjenige, der Mut und Eigensinn bewahrt. Reflexionen über das Verhältnis von Demokratie, Bildung und Tugenden. In: Frankfurter Rundschau, 16. September 2002.

Entrevistas

Referências

  1. Oskar Negt: Autonomie und Eingriff. Ein deutscher Intellektueller mit politischem Urteilsvermögen: Jürgen Habermas. In: Frankfurter Rundschau v. 16. Juni 1989, S. ZB3.
  2. «Oskar Negt ist gestorben». Frankfurter Allgemeine Zeitung (em alemão). 2 de fevereiro de 2024. Consultado em 2 de fevereiro de 2024 
  3. Vgl.: Negt-Besprechung in: Die Zeit

Ligações externas