Oscar Borgerth
| Oscar Borgerth | |
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| Nascimento | |
| Morte | 25 de novembro de 1992 (85 anos) |
| Nacionalidade | Brasileiro |
Oscar Borgerth (Rio de Janeiro, 16 de dezembro de 1906 - Rio de Janeiro, 25 de novembro de 1992)[1] foi um violinista e professor brasileiro. Foi figura central da música erudita no Brasil do século XX, particularmente na difusão de obras de compositores nacionais. Atuou por muitos anos como spalla (primeiro-violino) da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) e da Orquestra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Era amigo e colega de Heitor Villa-Lobos e foi retratado pelo pintor Cândido Portinari na obra seminal O Violinista (1931).[2][3]

Biografia e carreira
Filho do médico Oscar Borgerth e de Cecília Braga Borgerth,[4] foi incentivado na infância pelo pai a aprender piano. Estudou violino primeiro na Escola Arcângelo Corelli e depois no Instituto Nacional de Música (atual Escola de Música da UFRJ). Entre os 15 e os 16 anos já se apresentava profissionalmente.[2] Ao concluir o curso de violino em 1925, recebeu o primeiro prêmio. No mesmo ano começou sua longa carreira como concertista.[3][5]
Deu seus primeiros concertos na Europa ainda na década de 1920, passando por Portugal, Espanha e França. Após morar cerca de um ano em Paris, regressou ao Brasil no final de 1930 e, no ano seguinte, assumiu como spalla da então recém-fundada Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde ficou até 1940.[2][3][5]
Casou-se em 1934 com a violinista Alda Gomes Grosso, irmã do violoncelista Iberê Gomes Grosso.[4][6] Os três formaram o Quarteto dos Laureados, com Affonso Henriques Garcia na viola. O grupo foi mais tarde rebatizado como Quarteto Borgerth, para o qual compositores como Villa-Lobos, Oscar Lorenzo Fernández, Radamés Gnattali, José Siqueira e o norte-americano Everett Helm dedicaram diversas peças.[5]

Em 1940, excursionou com Villa-Lobos e outros músicos para apresentações em Buenos Aires e Montevidéu, na que foi chamada “Embaixada Artística Brasileira”.[7] Em 1941, viajou a Viena para um curso de aperfeiçoamento. De volta ao Brasil, foi spalla da Orquestra Sinfônica Brasileira (1943-1946) e, a partir de 1944, catedrático de violino na UFRJ, posição que ocupou até 1976.[2] Faleceu em 1992, aos 85 anos, no Rio de Janeiro, onde residia discretamente em um apartamento na avenida Rui Barbosa.[3]
Prêmios
- Prêmio Medalha de Ouro do Instituto Nacional de Música, 1925
- Grande Prêmio Nacional do Disco, 1963
- Medalha Olga Verney, Primeiro Prêmio de Violino (Harriet Cohen International Music Award), Londres, 1967 [8]
Retratado por Portinari
Oscar Borgerth foi o modelo para o quadro O Violinista (1931), de Cândido Portinari. Os dois haviam se conhecido meses antes em Paris, em um café onde se reunia um grupo grande de brasileiros. Com pouco dinheiro, chegaram depois a dividir, por alguns dias, um quarto de hotel na cidade.[2] Foi ao ver O Violinista no Salão Revolucionário de 1931 que o crítico Mário de Andrade notou pela primeira vez a pintura de Portinari.[9]
Legado
Oscar Borgerth foi um dos principais divulgadores da música de câmara brasileira, notavelmente como líder de conjuntos de cordas. Também atuou como solista na primeira gravação e na estreia de obras importantes de compositores como Heitor Villa-Lobos e Hekel Tavares.[5][3]
Em suas várias turnês pelo exterior, Oscar Borgerth tocou em países como Argentina, Uruguai, Estados Unidos, Itália, França, Inglaterra, Holanda, Espanha, Portugal, Polônia, Israel, Iugoslávia e Rússia.[5] Chegou a tocar um duo com Jascha Heifetz (por muitos considerado o maior violinista do século XX)[10] e a ser convidado para ser spalla da Orquestra de Washington, quando essa foi fundada. Na opinião do também músico brasileiro e ex-aluno Guilherme Bauer, era “um gênio do violino”.[11]
Referências
- ↑ «Oscar Borgerth - Discografia Brasileira». discografia.discosdobrasil.com.br. Consultado em 22 de outubro de 2025
- ↑ a b c d e «AudioVisual : DE-39.1 - Depoimento de Oscar Borgeth». www.portinari.org.br. Consultado em 22 de outubro de 2025
- ↑ a b c d e Mariz, Vasco (Dezembro de 2006). «O Centenário de Oscar Borgerth, violinista brasileiro, in Revista Brasiliana, n. 24» (PDF). Consultado em 22 de outubro de 2025
- ↑ a b «Diário de Notícias» (PDF). Fundação Biblioteca Nacional. 8 de dezembro de 1934. Consultado em 24 de outubro de 2025
- ↑ a b c d e Rio de Janeiro, Teatro Municipal (1962). «"FESTIVAL BRAHMS"» (PDF). Museu do Estado do Rio de Janeiro. Consultado em 22 de outubro de 2025
- ↑ «Iberê Gomes Grosso». Wikipédia, a enciclopédia livre. 20 de maio de 2025. Consultado em 24 de outubro de 2025
- ↑ Arcanjo, Loque (5 de julho de 2020). «Heitor Villa-Lobos e a "Embaixada Artística Brasileira" na Argentina (1940)». Revista Música (1): 121–150. ISSN 2238-7625. doi:10.11606/rm.v20i1.169940. Consultado em 22 de outubro de 2025
- ↑ Couto, Juliana Santos Rezende de Araújo (2023). «A primeira sonata para violino e piano de José Siqueira (1949) : um estudo analítico e performático» (PDF). Repositório Institucional da UFPB. Consultado em 22 de outubro de 2025
- ↑ «Obras : FCO-3561 - O Violinista». www.portinari.org.br. Consultado em 22 de outubro de 2025
- ↑ «Jascha Heifetz». Wikipédia, a enciclopédia livre. 6 de julho de 2025. Consultado em 22 de outubro de 2025
- ↑ Bauer, Guilherme (1999). «Série Trajetórias» (PDF). Academia Brasileira de Música