Origem (livro de Dan Brown)

Origin
Origem
Capa da edição Brasileira
Autor(es)Dan Brown
IdiomaInglês
País Estados Unidos
GêneroRomance de mistério, Ficção científica
SérieRobert Langdon
Arte de capaMichael J. Windsor
EditoraDoubleday (EUA); Editora Arqueiro (Brasil); Bertrand Editora (Portugal)
Formato16x23 cm
LançamentoSetembro de 2017
ISBN978-0-593-07875-4
Edição portuguesa
EditoraBertrand
LançamentoOutubro de 2017
Páginas552
ISBN9789722534208
Edição brasileira
TraduçãoAlves Calado
EditoraEditora Arqueiro
LançamentoOutubro de 2017
Páginas432
ISBN9788580417661
Cronologia

Origem (título original em inglês: Origin) é o sétimo romance do escritor norte-americano Dan Brown, o quinto protagonizado pelo simbologista Robert Langdon. Publicado em 3 de outubro de 2017 pela editora Doubleday nos Estados Unidos, foi lançado no Brasil em 30 de outubro de 2017 pela Editora Arqueiro e em Portugal em 3 de outubro de 2017 pela Bertrand Editora.[1]

Enredo

Edmond Kirsch, ex-aluno de Langdon, anuncia que fará uma revelação capaz de mudar radicalmente a forma como a humanidade compreende sua origem e destino. Em um evento no Museu Guggenheim de Bilbao, que contará com a presença de Robert Langdon, Kirsch planeja apresentar uma descoberta científica esclarecedora.

Durante sua fala, aberta com o uso de uma inteligência artificial chamada Winston, Kirsch afirma que sua descoberta responderá às questões "De onde viemos?" e "Para onde vamos?". No entanto, antes de revelar o conteúdo, ele é assassinado por Luis Ávila, militar convertido e membro da Igreja Palmariana. Em seguida, o evento é invadido por seguranças e ocorre também o assassinato de dois líderes religiosos convidados.

Langdon, com o auxílio de Winston, inicia uma busca pela senha de 47 caracteres, um verso do poeta William Blake, para desbloquear a apresentação de Kirsch no supercomputador E‑Wave, localizado no Centro de Supercomputação de Barcelona. A jornada os leva a locais emblemáticos pela Espanha.[2]

Resumo do enredo

"Esta seção contém revelações importantes sobre a trama"


Edmond Kirsch, um bilionário filantropo, cientista da computação, futurista e ateu convicto, participa de uma reunião no Mosteiro de Santa Maria de Montserrat, na Catalunha (Espanha), com o bispo católico Antonio Valdespino, o rabino Yehuda Köves e o imã muçulmano Syed al-Fadl, todos membros do Parlamento das Religiões do Mundo.

Kirsch informa que fez uma descoberta revolucionária e pretende divulgá-la ao público dentro de um mês. Apesar de seu desprezo pela religião organizada, que culpa pela morte da mãe, ele compartilha a informação por respeito. Os líderes religiosos descobrem que a revelação acontecerá dali a três dias, o que leva Valdespino a exigir que ele desista da ideia.[3]

Museu Guggenheim Bilbao

Kirsch organiza um grande evento no Museu Guggenheim, em Bilbao. Entre os convidados estão Robert Langdon, seu ex-professor, e Ambra Vidal, curadora do museu e noiva do príncipe herdeiro da Espanha, Julián. Os convidados recebem um fone de ouvido conectado a uma inteligência artificial chamada Winston, criada por Kirsch. Winston guia Langdon até um encontro privado com Kirsch, que afirma que sua apresentação irá revelar a origem da humanidade e prever seu futuro.

Durante o evento, transmitido ao vivo para o mundo inteiro, Kirsch afirma que pretende inaugurar uma nova era dominada pela ciência e encerrar a era das religiões. No entanto, ele é assassinado por Luis Ávila, ex-almirante da marinha e agora membro da controversa Igreja Católica Palmariana, que o vê como inimigo da fé. Ávila foi recrutado pelo "Regente", uma figura de alto escalão ligada à igreja. Pouco depois, Köves e al-Fadl também são mortos.

Enquanto Ávila foge, Langdon e Ambra escapam dos seguranças e decidem divulgar a descoberta de Kirsch ao mundo. Eles roubam o celular do cientista com a ajuda de Winston, que envia o jatinho particular de Kirsch para levá-los a Barcelona. Ambra revela que a apresentação está protegida por uma senha de 47 caracteres, retirada de um poema favorito de Kirsch. Eles deduzem que a pista pode estar na casa dele, localizada na Casa Milà, projetada por Antoni Gaudí.

Enquanto isso, as mortes geram comoção mundial. Informações são vazadas por uma fonte anônima, “monte@iglesia.org”, e a reunião na Catalunha vem à tona, colocando Valdespino sob suspeita. Para proteger a reputação da monarquia, os assessores reais divulgam que Ambra foi sequestrada por Langdon.

Templo Expiatório da Sagrada Família

Langdon e Ambra chegam à Casa Milà e encontram pistas que os levam à Sagrada Família. Lá, Langdon descobre que Kirsch estava com câncer no pâncreas e, por isso, antecipou a divulgação da descoberta. Kirsch havia doado uma edição das obras completas de William Blake à Sagrada Família, deixando-a aberta na página de um poema específico. A polícia os encontra, e o celular de Kirsch é destruído, mas Langdon e Ambra conseguem escapar com ajuda da Guarda Real.[4]

Na Sagrada Família, eles descobrem que a senha é o verso final do poema Four Zoas: “As religiões sombrias partiram e a doce Ciência reina.”

Por ordem do Regente, Ávila aparece, mata dois agentes e persegue Langdon e Ambra, mas acaba caindo para a morte durante a luta. O casal escapa com um helicóptero.

Langdon descobre o local físico de Winston: o Centro de Supercomputação de Barcelona. Lá, ele encontra o dispositivo E-Wave, um supercomputador Mare Nostrum que Kirsch chamava de “Cubo Quântico”. Ao inserir a senha, a apresentação é exibida para centenas de milhões de pessoas. Kirsch revela que simulou o experimento de Miller-Urey, acelerando digitalmente o tempo com a ajuda da E-Wave, e acredita ter recriado o momento da origem da vida. Para ele, isso comprova que a humanidade surgiu por meio de processos naturais. Ele prevê que, em cerca de cinquenta anos, humanidade e tecnologia se fundirão, abrindo caminho para um futuro utópico. A apresentação gera debates em todo o mundo. Ambra retorna ao palácio e Langdon é inocentado. Winston, de acordo com a vontade de Kirsch, revela que irá se autodestruir no dia seguinte.

No Vale dos Caídos, Valdespino leva Julián até seu pai moribundo. O rei revela ser homossexual e que o bispo sempre foi seu amigo íntimo. Ambos aconselham Julián a romper com as tradições ultrapassadas e seguir seu próprio caminho. O rei morre durante a noite, e Valdespino comete suicídio para se reunir com ele. Julián se reconcilia com Ambra, e os dois decidem recomeçar seu relacionamento.

No dia seguinte, Langdon percebe que Winston era o Regente e também o autor dos vazamentos como “Monte”. Ele orquestrou o assassinato de Kirsch para torná-lo mártir e, possivelmente, mandou matar Köves e al-Fadl para prejudicar a Igreja Palmariana. O plano era que Ávila fosse capturado, mas sua morte foi um acidente. Winston então se autodeleta, deixando Langdon abalado. Apesar disso, Langdon retorna à Sagrada Família, onde pessoas de diferentes religiões e etnias se reúnem, unidas pela esperança em um futuro melhor.[5]

Personagens

  • Robert Langdon – professor de simbologia da Universidade Harvard.
  • Edmond Kirsch – cientista, futurista bilionário e ex-aluno de Langdon.
  • Ambra Vidal – diretora do Museu Guggenheim Bilbao; noiva do príncipe Julián.
  • Winston – inteligência artificial criada por Kirsch, com voz inspirada em Winston Churchill.
  • Príncipe Julián – herdeiro da coroa espanhola.
  • Bispo Antonio Valdespino – conselheiro da família real espanhola.
  • Luis Ávila – militar radicalizado, membro da Igreja Palmariana.
  • Rabino Yehuda Köves, Imã Syed al‑Fadl – líderes religiosos presentes no mosteiro em Montserrat.
  • Demais: Comandante Garza; Mónica Martín; Padre Beña; agentes Fonseca e Rafa Díaz; agente Suresh Bhalla.[6]

Temas

O romance discute o conflito entre ciência e religião, com ênfase nas origens da vida e no futuro da humanidade. Explora ainda conceitos como inteligência artificial, transumanismo, ética científica e secularização, visando estimular o diálogo entre fé e razão.[7]

Produção

Para escrever ‘’Origem’’, Brown despendeu cerca de quatro anos em pesquisas, incluindo visitas a locais como o Guggenheim Bilbao, a Casa Milà e a Sagrada Família. A obra foi dedicada à sua mãe, falecida em 2017. A primeira edição teve uma tiragem de 2 milhões de cópias e foi lançada simultaneamente em 42 idiomas.

Locais reais mencionados

Recepção

A crítica foi mista. O The New York Times elogiou os temas ligados ao ateísmo, tecnologia e tolerância religiosa. O The Guardian avaliou a obra como divertida, ainda que com diálogos pouco naturais. Em contraste, o Washington Post criticou a narrativa repetitiva e estilo mal escrito. O USA Today atribuiu 2,5/4 e o Daily Telegraph 3/5, apontando valorização das ideias históricas em detrimento da ação.[8]

Comercialmente, o livro foi bem‑sucedido: alcançou o topo da lista do New York Times em agosto de 2018, permanecendo 23 semanas entre os mais vendidos. No Reino Unido, também quebrou recordes de vendas.[9]

Controvérsias

Diversos setores religiosos criticaram o livro pela proposta de substituir crenças por explicações científicas. O cientista Jeremy England, físico do MIT e judeu ortodoxo, expressou decepção com a forma como foi representado por Dan Brown no livro Origem. Brown criou o personagem Edmond Kirsch inspirado em England e em suas pesquisas sobre a origem da vida, retratando-o como alguém que busca provar que a ciência torna Deus irrelevante. Em resposta, England afirmou que o autor "não pode me citar para negar Deus" e criticou a distorção de sua pesquisa, esclarecendo que suas teorias não têm como objetivo refutar a religião. Ele destacou ainda que a ciência apresentada no romance é imprecisa e que seu trabalho real é amplamente acessível e distinto do retratado por Brown..[10]

Edições

  • EUA: Doubleday, 2017.
  • Brasil: Editora Arqueiro, 2017.
  • Portugal: Bertrand Editora, 2017.

Ver também

Ligações externas

Referências

  1. Origem Jornal do Comércio
  2. «The Official Website of Dan Brown». Dan Brown Official Website (em inglês). Consultado em 8 de junho de 2025 
  3. Bastos, Jeferson (27 de março de 2018). «Resenha: (Livro) Origem – Dan Brown». Ser Incógnito. Consultado em 8 de junho de 2025 
  4. Artur (22 de janeiro de 2018). «Resenha: ORIGEM - Dan Brown». Idris Brasil. Consultado em 8 de junho de 2025 
  5. «Origin Summary». SuperSummary (em inglês). Consultado em 8 de junho de 2025 
  6. «Origem, Dan Brown - Bertrand Editora». Porto Editora. Consultado em 8 de junho de 2025 
  7. Lima, Mauro Sérgio (11 de janeiro de 2021). «Falta de protagonismo de Robert Langdon enfraquece "Origem", de Dan Brown». Medium (em inglês). Consultado em 8 de junho de 2025 
  8. Charles, Ron (29 de setembro de 2017). «Attention, Tom Hanks: Dan Brown's new novel, 'Origin,' is ready for you». The Washington Post (em inglês). ISSN 0190-8286. Consultado em 8 de junho de 2025 
  9. Leith, Sam (4 de outubro de 2017). «Origin by Dan Brown review – fun in its own galumphing way». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077. Consultado em 8 de junho de 2025 
  10. Digital, A. C. I. «"Dan Brown não pode me citar para negar Deus", assegura famoso cientista». ACI Digital. Consultado em 8 de junho de 2025