Orcinus meyeri

Orcinus meyeri
Ocorrência: Mioceno Inferior
O holótipo e único espécime
O holótipo e único espécime
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Artiodactyla
Subordem: Whippomorpha
Infraordem: Cetacea
Família: Delphinidae
Gênero: Orcinus [en]
Espécie: O. meyeri
Nome binomial
Orcinus meyeri
(Brandt, 1873)
Sinónimos
  • Delphinus acutidens
    (von Meyer, 1859)
  • Delphinus (Beluga) acutidens
    (von Meyer, 1859)
  • Delphinus (Orcopsis) acutidens
    (von Meyer, 1859)
  • Orca meyeri
    Brandt, 1873
  • ?Physeterula dubusi [en]
    (van Beneden [en], 1877)

Orcinus meyeri é uma espécie fóssil do gênero Orcinus [en] (orcas), encontrada em depósitos do Mioceno Inferior no sul da Alemanha,[1] conhecida por dois fragmentos de mandíbula e 18 dentes isolados. Originalmente descrita como Delphinus acutidens em 1859, foi reclassificada em 1873. Sua validade é questionada, podendo ser um sinônimo do antigo cachalote Physeterula dubusi [en]. Foi encontrada na cidade alpina de Stockach, na bacia de Molasse [en], uma área costeira com fortes correntes de maré.

Taxonomia

Os restos de Orcinus meyeri foram descritos pela primeira vez em 1859 pelo paleontólogo alemão Hermann von Meyer como um golfinho-comum-de-bico-curto ancestral, Delphinus acutidens, com base em dois fragmentos de mandíbula e dentes isolados encontrados perto da cidade de Stockach, no sul da Alemanha.[1] Em 1873, o naturalista alemão Johann Friedrich von Brandt atribuiu o nome de espécie meyeri, considerando "acutidens" impreciso devido às características dos dentes, e colocou-a no mesmo gênero da orca (Orcinus orca), na época chamado Orca, devido à semelhança dos dentes, reclassificando-a como Orca meyeri. Os restos foram então mantidos no Museu Estadual de História Natural de Stuttgart [en].[2] Em 1898, o biólogo marinho suíço Théophile Rudolphe Studer [en] afirmou que O. meyeri era um sinônimo subjetivo de Delphinus acutidens, e há debate sobre a validade do primeiro.[3] Em 1904, o zoólogo francês Édouard Louis Trouessart substituiu Orca por Orcinus e descreveu a baleia como Orcinus meyeri.[4] Em 1905, o paleobiólogo austríaco Othenio Abel considerou D. acutidens sinônimo do cachalote Physeterula dubusi, mas não tinha certeza se O. meyeri também era sinônimo.[5]

Descrição

O maior dos fragmentos de mandíbula media 26,2 cm de comprimento e 8 cm de altura. Foram encontrados 18 dentes isolados, variando de 5 a 6 cm de altura e 1,8 a 2 cm de largura na base.[2] Em comparação, a orca moderna tem dentes com cerca de 10 a 13 cm de altura e 2,5 cm de diâmetro.[6] Em vida, o animal provavelmente tinha 48 dentes cônicos no total,[2] enquanto a orca moderna (O. orca) possui de 40 a 56.[6] Os dentes de O. meyeri distinguem-se dos da orca moderna por apresentarem dois sulcos verticais que se originam na ponta.[2]

Paleoecologia

A linhagem Orcinus, como muitas outras linhagens marinhas de predadores, pode ter evoluído pescando progressivamente presas maiores ao longo da cadeia alimentar, com orcas do Plioceno capazes de caçar peixes grandes e a orca moderna capaz de caçar grandes baleias.[7]

Stockach está situada na bacia de Molasse, datada do Mioceno Inferior, e esteve submersa no Mar Ocidental de Paratethys. A bacia representa águas costeiras com fortes correntes de maré, com uma profundidade média inferior a 50 m.[8] A Europa Central, naquela época, provavelmente representava uma área de afloramento ao longo de uma plataforma continental, que atraía uma variedade de vida marinha, incluindo peixes em cardumes.[9] A terra provavelmente era dominada por pântanos próximos à costa que desaguavam no mar, e a área abrigava castores antigos, ouriços, várias espécies de tartarugas fluviais e outros animais semiaquáticos.[10] O mar recuou gradualmente para o sul, e a conexão com o oceano foi fechada há cerca de 17 milhões de anos atrás, transformando a área em um sistema de lagos de água salobra e doce.[11]

Ver também

Referências

  1. a b von Meyer, H. (1859). «Tertiaire Wirbelthiere von Haslach und Steinheim bei Ulm, Mitteilungen an Professor Bronn» [Tertiary Vertebrates of Haslach and Steinheim near Ulm, Communications to Professor Bronn]. Neues Jahrbuch für Mineralogie, Geognosie, Geologie und Petrefaktenkunde (em alemão): 172–177 
  2. a b c d von Brandt, J. F. (1873). «Untersuchungen über die Fossilen und Subfossilen Cetaceen Europa's» [Research on the Fossil and Subfossil Cetaceans of Europe]. Commissionnaires de l'Académie Impériale des Sciences (em alemão): 227–228 
  3. Studer, T. R. (1898). «Die Säugetierfauna von Bruttelen» [The Mammalian Fauna of Bruttelen]. Neues Jahrbuch für Mineralogie, Geologie und Paläontologie (em inglês): 131–132 
  4. Trouessart, É. L. (1904). Catalogus Mammalium Tam Viventium Quam Fossilium [A Catalog of Mammals both Living and Fossil] (em francês) 4th ed. [S.l.]: R. Friedländer & Sohn. p. 771 
  5. Abel, O. (1905). Les Odontocètes du Boldérien (Miocène Supérieur) d'Anvers [The Odontocetes of Boldérien (Upper Miocene) of Antwerp] (em francês). [S.l.]: Bruxelles, Polleunis and Ceuterick, Imprimeurs. p. 79 
  6. a b «Killer Whale» (PDF). Alliance of Marine Mammal Parks and Aquariums. Consultado em 9 de setembro de 2019. Arquivado do original (PDF) em 12 de novembro de 2020 
  7. Lindberg, D. R.; Pyenson, N. D. (2006). Estes, J. A.; DeMaster, D. P.; Doak, D. F., eds. Whales, Whaling, and Ocean Ecosystems. [S.l.]: University of California Press. p. 77. ISBN 978-0-520-24884-7 
  8. Heckeberg, N. S.; Pippèrr, M.; Läuchli, B.; Reichenbacher, B. (2010). «The Upper Marine Molasse (Burdigalian, Ottnangian) in Southwest Germany - Facies Interpretation and a New Lithostratigraphic Terminology». Zeitschrift der Deutschen Gesellschaft für Geowissenschaften. 161 (3): 285–302. doi:10.1127/1860-1804/2010/0161-0285 
  9. Grunert, P.; Soliman, A.; Harzhauser, M.; Müllegger, S.; Piller, W.; Roetzel, R.; Rögl, F. (2010). «Upwelling conditions in the Early Miocene Central Paratethys Sea». Geologica Carpathica. 61 (2): 129–145. Bibcode:2010GCarp..61..129G. doi:10.2478/v10096-010-0006-3Acessível livremente 
  10. Stefen, C.; Mörs, T. (2018). «The Beaver Anchitheriomys from the Miocene of Central Europe». Journal of Paleontology. 82 (5): 1017. doi:10.1666/06-049.1 
  11. Sant, K.; Mandic, O.; Krijgsman, W. (2017). «Changing Seas in the Early–Middle Miocene of Central Europe: a Mediterranean Approach to Paratethyan Stratigraphy». Terra Nova. 29 (5): 273–281. Bibcode:2017TeNov..29..273S. doi:10.1111/ter.12273. hdl:1874/356221Acessível livremente