Operação Garina
Operação Garina foi uma operação da Polícia Federal (PF) deflagrada em outubro de 2013 com objetivo de desmantelar um esquema de tráfego internacional de mulheres.[1]
Cinco brasileiros foram presos na operação.[2] Eles aliciavam as vítimas em casas noturnas da capital paulista com a promessa de que receberiam valores altos em dólares para se prostituírem, em Angola, país que fica na costa ocidental da África.[1] A investigação durou um ano, mas a PF suspeita que o esquema ocorria desde 2007. Cerca de cem mulheres foram enviadas por ano para Angola, África do Sul e Portugal.[3]
Segundo as investigações, a organização criminosa internacional contava com dois núcleos, um no Brasil e outro em Angola. Um angolano seria o principal financiador da ação criminosa, que era responsável pela remessa mensal de cerca de sete mulheres brasileiras ao exterior, movimentando por mês o valor aproximado de 500 mil dólares. A estimativa é de que, ao longo dos sete anos, os suspeitos tenham movimentado aproximadamente 45 milhões de dólares.[3]
Além dos cincos brasileiros presos, a Justiça Federal decretou a prisão de dois estrangeiros que se encontravam fora do País. Seus nomes foram incluídos na lista mundial de procurados pela Interpol, a polícia internacional.[4] O processo judicial derivado da operação foi desmembrado em dois núcleos. Um que é responsável pelos réus brasileiros e outro que investiga o envolvimento dos angolanos.[5]
Fatos posteriores
Em Simpósio Internacional nos dias 29 e 30 de maio de 2014, o delegado da PF e chefe da Interpol no Brasil, Luiz Eduardo Navajas, afirmou que "o tráfico de pessoas tem uma característica bastante peculiar: muitas vezes, as vítimas não se veem como tal, ao menos não no início, o que dificulta a imediata resposta pelas autoridades", ressaltou.[6]
De acordo com o delegado, o tráfico internacional de pessoas responde por cerca de um terço dos delitos referentes a aliciamento de pessoas para diversos fins, seja para exploração sexual ou trabalho. No que se refere ao tráfico propriamente dito, internacional e interno, o tráfico internacional representa a maioria dos casos.[6]
Comissão Parlamentar de Inquérito
A CPI do tráfico de pessoas no Brasil aprovou um relatório com sugestões. Entre as propostas, está a mudança na tipificação do crime no Código Penal, com pena de cinco a oito anos de reclusão, além do pagamento de multa.[7]
Ver também
Referências
- ↑ a b «Quadrilha que explorava brasileiras para prostituição em Angola é presa em SP». Uol. 24 de outubro de 2013. Consultado em 21 de junho de 2025
- ↑ «Quadrilha que explorava brasileiras para prostituição em Angola é presa em SP». Correio do Estado. 24 de outubro de 2013. Consultado em 26 de junho de 2025
- ↑ a b «Justiça aceita denúncia contra suspeitos de tráfico de mulheres». G1. 25 de outubro de 2013. Consultado em 21 de junho de 2025
- ↑ «PF investigou 374 casos de tráfico de pessoas para exploração sexual desde 2010». Conselho Nacional de Justiça. 30 de março de 2015. Consultado em 21 de junho de 2025
- ↑ «Justiça brasileira avança com processo contra general angolano Kangamba». DW. 12 de maio de 2014. Consultado em 26 de junho de 2025
- ↑ a b «Cooperação internacional ajuda a combater o tráfico de pessoas». CNJ. Consultado em 26 de junho de 2025
- ↑ Maria Cláudia Santos (17 de fevereiro de 2014). «"Caso Kangamba" vai à CPI de tráfico de pessoas no Brasil». VOA